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O que acontecerá com o manequim das estrelas e seu possante?

A radiação atuará os orgânicos do carro e do Starman, o manequim no banco do motorista. “Para aqueles orgânicos, nesse ambiente, eu não lhes daria um ano”, disse William Carroll, químico da Universidade de Indiana.

Há um Tesla Roadster “cereja da meia-noite” se deslocando rapidamente para o espaço profundo no momento, a primeira carga útil do foguete Falcon Heavy. Mas além do que está acontecendo, também vale a pena perguntar o que vai acontecer a este carro esportivo elétrico condenado ao que poderia ser uma jornada elíptica bilionária pelo espaço exterior.

O primeiro fator que determinará o destino do roadster, é claro, será o sucesso ou o fracasso da nave espacial que o remova da gravidade da Terra.

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Como informou o site Space.com, a SpaceX se esforçou para atenuar as expectativas, apontando que o foguete poderia falhar na plataforma de lançamento ou em algum lugar da atmosfera ou do espaço. E algumas dezenas de minutos após o lançamento ainda não falhou.

E enquanto Elon Musk está disposto a confiar o seu carro esportivo ao Falcon Heavy, informou a Space.com, ele não planeja ter mais confiança  na responsabilidade de seres humanos ao entregar seu carro. Em outras palavras, havia uma chance razoável de que o roadster pudesse encontrar seu fim em um rápido banho de chamas, metal retorcido e carbono queimado caindo para a Terra.

Como nada disso aconteceu, então o próximo destino possível para o roadster parece bastante trivial, e acontece em Marte ou em qualquer lugar pelo longo caminho lá fora. Como Yasmin Tayag relatou ao site Inverse, a SpaceX levantou a possibilidade de que o carro passasse perto de Marte ao longo de sua órbita e fosse atraído pela gravidade do planeta vermelho.

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Mas e o carro?

Com o foguete funcionando e a carga útil entrando na órbita pretendida sem incidentes, caso o carro esportivo elétrico acabe passando um bilhão ou mais de anos no espaço exterior, o que acontecerá?

“Não estou muito preocupado com o vácuo em si”, disse William Carroll, químico da Universidade de Indiana e especialista em plásticos e moléculas orgânicas.

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Os seres humanos tendem a experimentar alguns efeitos muito terríveis no vácuo. Mas isso tem mais a ver com nossas pressões internas que não são mais contrariadas por uma atmosfera do que qualquer outro efeito direto do próprio vácuo, afirmou Carroll. Carros simplesmente não têm esse tipo de pressões internas.

“Posso desativar o airbag antes de enviá-lo”, disse Carroll, “e provavelmente não o preenchi com água para lavagem do para-brisa”. Trate desses “preparativos”, porém, junto com a pressão nos pneus, e não há restará muito no conversível que vá estourar ao entrar no vácuo.

As forças reais que irão rasgar o carro ao longo de centenas de milhões de anos no espaço, disse Carroll, são objetos sólidos e, o mais importante, a radiação.

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Mesmo que o carro evite as grandes colisões, ao longo de muito tempo, é improvável que o veículo possa evitar o tipo de colisões com micrometeoritos que deixam outros lixos espaciais crivados de furos ao longo do tempo, disse Carroll.

Mas, supondo que essas colisões não dilacerem completamente o carro, a radiação irá!

Na Terra, um campo magnético poderoso e a atmosfera protegem em grande parte os seres humanos (e os Teslas Roadsters) da áspera radiação do Sol e dos raios cósmicos. Mas objetos espaciais não possuem tais proteções.

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“Todos os orgânicos [do carro] serão submetidos à degradação pelos vários tipos de radiação que você encontra lá fora”, disse Carroll.

Orgânicos, neste caso, não significa apenas os pedaços do carro que, obviamente, saiu de animais, como seus couros e tecidos. Em vez disso, o termo inclui também todos os plásticos de carros esportivos e até mesmo o seu chassis de fibra de carbono.

“[Esses materiais] são constituídos em grande parte por ligações carbono-carbono e ligações carbono-hidrogênio”, disse Carroll.

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A energia da radiação estelar pode fazer com que esses vínculos se desfaçam. E isso pode fazer com que o carro desmanche em pedaços de forma tão mais eficazes do se fosse atacado com uma faca.

“Quando você corta algo com uma faca, no final das contas você está cortando algumas ligações químicas”, disse Carroll.

Uma faca corta esses laços em uma linha reta. Mas a radiação irá dividi-los ao acaso, fazendo com que os materiais orgânicos dos assentos de couro, dos pneus de borracha até os das pinturas —  dado um período de tempo o bastante longo — talvez até o corpo de fibra de carbono que irá perder a cor, estilhaçar e se separar aos pedaços no espaço.

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E sob o forte brilho do Sol sem nenhuma proteção, Carroll afirma, esse processo pode acontecer rapidamente.

“Para aqueles orgânicos, nesse ambiente, eu não lhes daria um ano”, disse ele.

Os materiais com menos ligações atômicas a lhes manter unidos se desintegrarão primeiro, disse Carroll. Qualquer coisa que conte com ligações inorgânicas (sem ligações de carbono) para amará-la duraria mais, embora, eventualmente, até mesmo as lâminas plásticas entrelaçadas nas camadas dos vidros do conversível poderão desbotar e se separarem. As peças robustas de fibra de carbono provavelmente seriam as últimas a desmanchar, disse ele, durante um período de tempo muito maior.

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Finalmente, o Roadster provavelmente será reduzido apenas às suas partes inorgânicas bem seguras: o chassis de alumínio, os metais internos e quaisquer partes de vidro que não se quebram sob impactos de meteoro. (A ideia de que o vidro escorre durante longos períodos de tempo é um mito, ele disse.)

Richard Sachleben, químico aposentado e membro do painel de especialistas da American Chemical Society, concordou em grande parte com a avaliação de Carroll em um e-mail para a Live Science — embora ele sugerisse que provavelmente o veículo seria de alguma forma um pouco reconhecível, mesmo depois de um milhão de anos.

“Um bilhão de anos é um tempo longo, um LONGO tempo”, escreveu Sachleben, “então não sei como será depois disso”.

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Carroll disse que assim com a questão de saber se um foguete permanece reconhecível também depende de quem está por perto para reconhecê-lo.

“Lembre-se de nossa história com as ferramentas, uma vez que a espécie começou a corrida, você sabe, há dois milhões e meio de anos”, disse Carroll, “então, como alguém reconheceria depois de mais de um milhão de anos a partir de agora se o encontrassem? Essa é uma questão completamente diferente”.

Sachleben foi mais otimista, escrevendo: “sempre existe a possibilidade de que um futuro aventureiro espacial entusiasta de carros possa decidir que o Roadster de Musk ficaria muito bem em sua coleção”.

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Texto traduzido e adaptado do original publicado no Live Science, de Rafi Letzter.

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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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