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Saúde & Bem-Estar

Implante cerebral melhora a memória, relatam cientistas

Imagem de ressonância magnética de um cérebro epiléptico. Cientistas testaram um implante cerebral que ajudara a memória em pessoas com epilepsia. (Bsip/UIG)

De Benedict Carey para o The New York Times.

Os cientistas desenvolveram um implante cerebral que visivelmente aumentou a memória em seu primeiro teste, talvez oferecendo uma nova estratégia promissora para tratar demência, lesões cerebrais traumáticas e outras condições que prejudicam a memória.

O dispositivo funciona como um marcapasso, enviando pulsos elétricos para ajudar o cérebro quando o órgão está trabalhando no armazenamento de novas informações, porém o equipamento não intervém quando percebe que o cérebro está funcionando bem.

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No teste, relatado na terça-feira (06) no periódico científico Nature Communications, o dispositivo melhorou a recordação de palavras em 15% — aproximadamente o mesmo índice que a doença de Alzheimer rouba ao longo de dois anos e meio.

Contudo, o implante ainda é experimental; os pesquisadores estão atualmente em debates sobre a comercialização a tecnologia. E a ampla aplicabilidade do aparato é atualmente desconhecida, tendo sido testado até agora apenas em pessoas com epilepsia.

Os especialistas advertiram que o potencial de uso indevido de qualquer “reforço de memória” é enorme — drogas para transtorno do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) são amplamente utilizadas como auxiliares de estudo. Eles também afirmaram que uma melhoria de 15% é bastante modesta. Ainda assim, a pesquisa marca a chegada de um novo tipo de dispositivo: uma ajuda autônoma que melhora a função cognitiva normal, mas menos do que ideal.

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Os médicos usam implantes similares há anos para bloquear surtos anormais de atividade no cérebro, mais comumente em pessoas com doença de Parkinson e epilepsia.

“A coisa empolgante sobre isso é que, se puder ser replicada e estendida, podemos usar o mesmo método para descobrir quais características da atividade do cérebro preveem um bom desempenho”, disse Bradley Voytek, professor assistente de ciência cognitiva e de dados na Universidade da Califórnia, San Diego.

O implante se baseia em anos de trabalho decodificando sinais cerebrais, apoiados recentemente por mais de 70 milhões de dólares do Departamento de Defesa para desenvolver tratamentos para lesões traumáticas no cérebro, lesões típicas das guerras no Iraque e no Afeganistão.

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A equipe de pesquisadores, liderada por cientistas da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Thomas Jefferson, informou no ano passado que os pulsos elétricos cronometrados de eletrodos implantados poderiam auxiliar a memória.

“Uma coisa é voltar a rever seus dados e descobrir que o estímulo funciona. E outra ter o programa executado sozinho e assisti-lo funcionar em tempo real”, disse Michael Kahana, professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia e principal autor do estudo recém-publicado. “Agora com a tecnologia sob uma nova perspectiva, todos os tipos de algoritmos de neuromodulação podem ser usados dessa maneira”, acrescentou.

O doutor Edward Chang, professor de neurocirurgia na Universidade da Califórnia, em São Francisco, disse: “abordagens muito semelhantes podem ser relevantes para outras aplicações, como tratar sintomas de depressão ou ansiedade”, embora os alvos no cérebro sejam diferentes.

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A equipe de pesquisa testou o assistente de memória em 25 pessoas com epilepsia que estavam sendo avaliadas para uma operação. Essa avaliação é uma espécie de expedição de pesca, na qual os médicos colocam uma série de eletrodos no cérebro e aguardam a ocorrência de convulsões para verificar se a cirurgia pode impedi-las. Muitos dos eletrodos são colocados nas áreas de memória do cérebro, e a espera no hospital pode demorar semanas. Aí então, os cientistas cognitivos usam este período, com o consentimento dos pacientes, para aplicar testes de memória e realizar gravações.

No estudo, a equipe de pesquisa determinou os padrões precisos para o estado de alto funcionamento para cada pessoa, quando o armazenamento na memória funcionou bem no cérebro, e o modo de baixo funcionamento, quando não houve bom armazenamento. Os cientistas, em seguida, pediram aos pacientes que memorizassem listas de palavras e mais tarde, depois de uma atividade de entretenimento, lembrassem o quanto pudessem.

Cada participante realizou vários testes repetida vezes, lembrando diferentes palavras durante cada teste. Algumas listas foram memorizadas com o sistema de estimulação cerebral ativado; outras foram trazidas da memória com ele desligado, para comparação. Em média, as pessoas melhoraram cerca de 15% quando o implante estava ligado.

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“Lembro-me de fazer os testes e que estava gostando”, disse David Mabrey, 47, participante do estudo que possui uma agência de seguros nos arredores da Filadélfia. “Esse teste me deu algo para fazer enquanto estava deitado. Mas eu não poderia dizer honestamente como o estímulo estava afetando minha memória. Você não sente nada; você não sabe se está ligado ou desligado”, completou.

A nova tecnologia representa riscos e oportunidades. O Dr. Kahana disse que os implantes têm o potencial de aguçar a memória de forma mais dramática se a abordagem fosse aprimorada para apoiar a recuperação — ajudando na busca na memória — em vez de apenas o armazenamento.

Ainda assim, como realizado atualmente, o implante exige que vários eletrodos sejam colocados no cérebro para determinar seu estado de alto ou baixo funcionamento (embora a estimulação seja enviada para apenas um local). Isso faz com que seja o implante dos eletrodos seja uma operação extremamente delicada, que provavelmente seria reservada somente para casos severos de deficiência. E certamente não para alunos em vésperas de provas, esclarece o Dr. Voytek.

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“Idealmente, podemos encontrar outras formas menos invasivas para mudar o cérebro desses estados de funcionamento mais baixo para o mais alto”, disse ele. “Não sei quais seriam, mas, mais cedo ou mais tarde, teremos que resolver as questões éticas e de políticas públicas levantadas por esta tecnologia”.


Uma versão deste artigo foi publica na versão impressa do jornal The New York Times em 07 de fevereiro de 2018, na página A17 com a manchete: “Memória aprimorada por implante cerebral, aumenta a esperança de tratamentos, dizem cientistas” (“Brain Implant Enhanced Memory, Raising Hope for Treatments, Scientists Say”).

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