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História & Humanidade

Heinrich Schliemann e a descoberta de Troia

De acordo com a lenda amplamente divulgada, o descobridor da verdadeira Troia foi Heinrich Schliemann, aventureiro, falante de 15 línguas [incluindo o português], viajante e um talentoso arqueólogo. Em suas memória e livros, Schliemann contou que, quando ele tinha oito anos, seu pai o pegou no colo e contou-lhe a estória da Ilíada, o amor proibido entre Helena, esposa do Rei de Esparta, e Paris, filho do Príamo de Troia, e como o seu amor proibido resultou em uma guerra que destruiu uma civilização da era do bronze.

Essa estória, disse Schliemann, despertou-lhe um desejo profundo em procurar por provas arqueológicas da existência de Troia, Tirinto e Micena. Na verdade, ele desejava tanto procurar pelas cidades que fez uma fortuna antes para que pudesse arcar com as despesas das pesquisas. E, depois de tantas considerações, estudos e investigação, sozinho, conseguiu achar a cidade, outrora um mito, de Troia, em Hisarlik, Turquia.

Pintura de Schliemann recitando A Ilíada à sua esposa sobre a colina de Tróia.

Pintura de Schliemann recitando A Ilíada à sua esposa sobre a colina de Tróia.

Schliemann foi um homem brilhante, sociável, enormemente talentoso e um autodidata inquieto, cujos esforços mudaram o curso da arqueologia. Seu interesse nos sítios e eventos da Ilíada criaram uma crença bem difundida na real existência física desse lugar— e, ao fazer isso, fez muitas pessoas procurarem por relatos nas escrituras antigas. Durante as loucas viagens de Schliemann ao redor do mundo—ele visitou a Holanda, Rússia, Inglaterra, França, México, Estados Unidos, Grécia, Egito, Itália, Índia, Singapura, Hong Kong, China, Japão, antes mesmo de fazer 45 anos—, ele rumou a antigos monumentos, parou em universidades para participar de aulas e assistiu a palestras relativas à literatura e linguagem, escreveu várias páginas de diários e notas de suas viagens, e fez muitos inimigos e amigos em todo o mundo. Como ele arcou com tais viagens pode ser tributo ou de sua perspicácia para os negócios, ou de suas inclinações para a fraude. Provavelmente, a causa foram as duas opções.

Schliemann e a arqueologia

O fato é que, Schliemann não empreendeu investigações arqueológicas sérias em Troia até 1868, com idade de 46 anos. Não há dúvida de que, antes disso, Schliemann já tinha interesse em arqueologia, particularmente, na história da guerra troiana, mas isso foi sempre em auxílio a seu interesse nas línguas e na literatura. Mas em junho de 1868, Schliemann escavou Pompéia, por três dias, na direção do arqueólogo Guiseppi Fiorelli.

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No mês seguinte, ele visitou Mount Aetos, acreditado ser o sítio do palácio de Odisseu, e lá Schliemann escavou, pela primeira vez, uma cova. Nessa cova, ou talvez adquiridos localmente, Schliemann obtém 5 ou 20 pequenos vasos contendo restos de cremações. A indiferença é uma ofuscação deliberada em Schliemann, não seria a primeira nem a última vez que Schliemann iria camuflar os detalhes em seus diários ou livros.

Três candidatos para Tróia

Naquele tempo, o interesse de Schliemann por arqueologia e Homero estava insaciável. Havia três localizações candidatas para procurar a Troia de Homero. A primeira opção foi Bunarbashi e a acrópoles acompanhante de Balli-Dagh; Hisarlik era a favorita dos escritores antigos e uma pequena minoria de estudiosos; e Alexandria Troas, desde que foi determinada a ser muito recente para a Troia de Homero, ficaria como uma distante terceira opção.

Schliemann escavou em Bunarbashi durante o verão de 1868 e visitou outros sítios na Turquia, incluindo Hisarlik, e estava, aparentemente, inconsciente sobre o estado de Hisarlik, até que no final do verão ele fez uma visita surpresa ao arqueólogo Frank Calvert. Calvert, que era membro do corpo diplomático britânico na Turquia e meio período, também, arqueólogo, estava entre a decisão dos estudiosos em minoria; ele acreditava que Hisarlik foi o sítio da Troia de Homero, mas teve dificuldade em convencer o Museu Britânico a apoiar suas escavações. Em 1865, Calvert escavou trincheiras em Hisarlik e achou evidência suficiente para convencer a si próprio que ele havia achado o sítio correto. Calvert reconheceu que Schliemann tinha o dinheiro e a audácia para conseguir fundos adicionais e a permissão para a escavação em Hisarlik. Calvert criou coragem e contou a Schliemann sobre o que ele havia achado, iniciando uma parceria que ele, bem cedo, havia de se arrepender.

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Schliemann retornou a Paris no outono de 1868 e em seis meses tornou-se um especialista em Troia e Micena, escrevendo um livro sobre suas viagens recentes, e escrevendo várias cartas a Calvert, perguntando a ele quais poderiam ser os melhores lugares para escavar, e quais tipos de equipamentos ele precisaria para escavar Hisarlik. Em 1870, Schliemann iniciou as escavações em Hisarlik com membros da equipe de Calvert—sob a permissão que Frank Calvert havia conseguido para ele. Mas nunca, em qualquer registro de Schliemann, ele havia admitido que Calvert havia feito algo a mais do que concordar com as teorias de Schliemann sobre a localização da Troia, nascidas naquele dia, quando seu pai o pegou no colo e lhe contou as estórias de Homero.

Fontes

Allen SH. 1995. “Finding the Walls of Troy”: Frank Calvert, Excavator. American Journal of Archaeology 99(3):379-407.

Allen SH. 1998. A Personal Sacrifice in the Interest of Science: Calvert, Schliemann, and the Troy Treasures. The Classical World 91(5):345-354.

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Maurer K. 2009. Archeology as Spectacle: Heinrich Schliemann’s Media of Excavation. German Studies Review 32(2):303-317.

Traill DA. 1995. Schliemann of Troy: Treasure and Deceit. New York: St. Martin’s Press.

Traduzido do título original Heinrich Schliemann and the Discovery of Troy.

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Élisson Amboni
Publicado por

Fundador da Sociedade Científica, escreve e traduz para o site sobre vários temas que lhe dão ímpeto. Você pode encontrá-lo no Twitter clicando aqui.

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