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Fóssil mais antigo encontrado na Terra sugere que a vida em Marte é possível?

Sinais de vida. Nas rochas que sobraram de antigas fontes hidrotermais, esses tubos microscópicos de hematita, um minério de ferro, podem ser remanescentes de micróbios primitivos.

É vida, mas não como a conhecemos. O fóssil mais velho já descoberto na Terra mostraria que os organismos estavam florescendo há 4,28 bilhões de anos, centenas de milhões de anos mais cedo que pensamos anteriormente.

Os microfósseis mais antigos já encontrados sugerem que a vida prosperou na Terra há cerca de 4,28 bilhões de anos, somente 100 milhões de anos após a Terra ter se formado. Esses supostos antiquíssimos micróbios podem ter sido expelidos de fontes hidrotermais de águas profundas, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (02) na Nature. Contudo, o debate em torno dos achados do estudo estão só no começo.

A descoberta seria a evidência mais forte até agora que organismos similares também podem ter evoluído em Marte, que naquele tempo ainda tinha oceanos e uma atmosfera, e estava sendo bombardeado por cometas que provavelmente trouxeram os blocos de construção da vida para a Terra.

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Este filamento e aglomerado de minério de ferro (inferior direito) pode ter sido uma vertente de células microbianas unidas a rochas em torno de um fonte hidrotérmica. Crédito: Dominic Papineau

A equipe de cientistas que fizeram a descoberta na University College London (UCL) acreditam que olhar para fósseis similares no Planeta Vermelho seja a melhor alternativa de encontrar evidência de vida extraterrestre.

“Marte e Terra primitivos eram lugares muito parecidos, então nós esperamos encontrar vida em ambos os planetas dessa vez”, disse o estudante de doutorado Matthew Dodd, principal autor do estudo, o qual foi co-patrocinado pela NASA. “Em poucas palavras, o que encontramos são os microfósseis mais antigos da Terra “, diz Dodd, que é biogeoquímico no University College de Londres. “As rochas que prendem os fósseis vieram de Quebeque e datam entre 4,28 bilhões e 3,77 bilhões de anos — quando a Terra ainda era um bebê. O segundo microfóssil mais antigo já relatado tem pouco menos de 3,5 bilhões de anos, embora sua validade tenha sido debatida.”

Contudo, reivindicações de vida primitiva são frequentemente cheias da controvérsia. Para uns, diz Dodd, “estas são grandes reivindicações —estas são as nossas origens.” E os cientistas que estudam a vida precoce normalmente não têm muito com o que trabalhar. Não é como se estivessem olhando para os ossos de dinossauros. Em micróbios de bilhões de anos, óbvios pedaços celulares e outros sinalizadores familiares da existência de vida muitas vezes foram removidos. E nas rochas mais antigas da Terra, o calor e a pressão extremos podem cozinhar e esmagar qualquer resto de vida para que restem quase irreconhecíveis.

Assim, os pesquisadores contam com testes químicos e análises de padrões e texturas de rochas — que às vezes são microscópicos — para reunir evidências de diferentes linhas. No ano passado, Van Kranendonk e colegas relataram evidências de antigas estruturas microbianas em rochas de 3,7 bilhões de anos da Groenlândia.

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“Sabemos que a vida conseguiu se estabelecer e evoluir rapidamente na Terra. Então, se temos a vida evoluindo em fontes hidrotermais a 4,28 bilhões de anos atrás, quando ambos os planetas tinham água líquida em sua superfície, então nós esperamos que ambos os planetas desenvolvam vida primitiva”, diz Dodd. “Se conseguirmos que amostras de Marte retornem à Terra e olharmos para rochas antigas similares e não encontrarmos evidência de vida nelas, isso certamente pode apontar para o fato de que a Terra pode ter sido uma exceção muito especial, e que a vida pode ter surgido na Terra.”

Early Life

Os fósseis mais antigos do mundo provam micro-organismos minúsculos vividos até 4,2 bilhões de anos atrás. Crédito: Dominic Papineau

Anteriormente a essa descoberta, os microfósseis mais velhos relatados foram encontrados no oeste da Austrália e datados com 3,4 bilhões de anos de idade, levando os cientistas a especularem que a vida provavelmente começou por volta de 3,7 bilhões de anos atrás.

Embora essas estruturas, chamadas estromatolitos, possam ser semelhantes em idade aos microfósseis de Dodd, elas vieram de um ambiente completamente diferente: águas marinhas rasas, talvez tocadas pela luz solar. Os micróbios que prosperam em dois ambientes diferentes tão cedo na história da Terra significariam que a vida se levantou e se diversificou rapidamente. “A vida realmente não fez grande esforço para se estabelecer”, Dodd diz.

Mas a nova descoberta sugere que a vida pode ter se formado 4,5 bilhões de anos mais cedo, há apenas 100 milhões de anos da Terra ter se formado.

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Estas pequenas formas de vida foram descobertas em Nuvvuagittuq Supracrustal Belt, em Quebeque, Canadá, que contém algumas das rochas sedimentares mais antigas do mundo, datadas em 4,3 bilhões de anos de idade, quando a área era um oceano rico em ferro.

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Dodd e sua equipe olharam para rochas de jaspe, que se acreditava serem as sobras de matéria de fontes hidrotermais esvaziadas, e depois sedimentaram no fundo do mar. Os pesquisadores descobriram tubos estreitos e filamentos da hematita mineral rica em ferro que se assemelham aos feitos por bactérias hoje, diz Dodd. Ou seja, eles eram similares a bactérias oxidantes de ferro atualmente encontradas próximas a fontes hidrotermais.

Manchas de ferro então se aderiram à superfície pegajosa dos antigos micróbios, formando uma espécie de casaco blindado que preservava as formas dos organismos, diz ele. Os organismos seriam, assim, semelhantes a pequenos tubos, com uma base esférica que aderiram às rochas oceânicas, e com um talo suspenso na água para coletar ferro, com o qual se alimentavam.

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“Encontramos os filamentos e os tubos dentro de estruturas de tamanho centimétrico chamadas concreções ou nódulos”, disse o Dr. Dominic Papineau (da UCL Earth Sciences e do Centro de Nanotecnologia de Londres).

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A paisagem da Nuvvuagittuq Supracrustal Belt (NSB), uma formação de rocha em Quebeque, Canadá. Crédito: Dominic Papineau

“O fato de que nós a desenterramos de uma das formações rochosas mais antigas conhecidas sugere que encontramos evidência direta de uma das formas de vida terrestre mais antigas”, alega o cientista. “Esta descoberta nos ajuda a reconstruir a história do nosso planeta e a notável vida nele, e irá ajudar a identificar traços de vida em outras partes do Universo.”

A equipe de Dodd também descobriu outras dicas, incluindo uma assinatura de carbono de vida e minerais como a apatita, relacionada à atividade biológica. Tomadas em conjunto, as dicas se somam à vida, diz ele. “Não há nenhum outro mecanismo que possa explicar todas estas observações.”

A biologia é de fato uma explicação possível, diz a astrobióloga Abigail Allwood do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia. “Mas a evidência poderia igualmente ser interpretada como não-biológica”. Cada linha de evidência, aponta a astrobióloga, reflete processos que poderiam, na realidade, ter ocorrido em diferentes momentos, criando camadas de potenciais pistas de uma forma que parece ser biológica, mas que realmente não é. “Você não pode apenas levantar seus braços e dizer que tudo isso aconteceu junto”, diz ela.

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Já o paleobiólogo David Wacey da Universidade da Austrália Ocidental, em Crawley, concorda que “as linhas individuais de evidências químicas não são particularmente fortes”. Mas combinado com as microestruturas, ele diz, os autores apresentam um “cenário biológico bastante convincente”.

Wacey espera que as pedras do Quebeque sejam agora examinadas em grande detalhe. “Haverá, sem dúvida, debates”, diz ele. Mas o estudo pode trazer à cena o caso de fontes hidrotermais como um local de nascimento potencial para a vida.

Se vida semelhante foi encontrada anteriormente em Marte, isso poderia até indicar que a vida pode ter tido uma origem marciana, um conceito conhecido como panspermia.

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Uma seção da rocha que mostra os fósseis minúsculos no seu interior. Crédito: Dominic Papineau

O Astrônomo Real Sir Martin Rees disse que é possível que a vida tenha evoluído em ambos os planetas simultaneamente.

“É de fato possível que a vida começou em Marte e também na Terra, mas então fracassou — talvez deixando alguns traços que nós iremos descobrir com futuras sondas”, disse ele.

“É improvável, acho, que somos ‘marcianos’ no sentido de que a vida começou apenas em Marte e então se mudou para cá via meteoritos — como algumas pessoas alegaram no passado.”

O especialista em espaço Dr. Dan Brown da Universidade Nottingham Trent acrescentou: “A descoberta é emocionante desde que ela demonstre a rapidez em que a vida pode ser formada nas condições certas em um planeta ou lua”.

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“Isso torna claro para mim que tão logo nós encontremos as condições em um exoplaneta que possa favorecer a vida como a conhecemos, a probabilidade de encontrar alguma forma de vida naquele planeta é muito alta. Contudo, não estamos falando de pequenos ET’s verdes, mas de micro-organismos.”

“O ambiente no qual esses micro-organismos ancestrais floresceram é bastante revelador. Esses ambientes quentes são similares a fontes hidrotermais que pensa-se que também existam entre as finas camadas de gelos de Europa, uma das luas de Júpiter. Novamente, nos indicando outro lugar para procurar por vida.

“Também se torna cada vez mais provável que tal vida tenha certamente existido no início de Marte. Se a vida então se espalhou para a Terra não pode ser discutida com essas descobertas, que dizem mais sobre a rapidez com que a vida pode se formar em planetas, apenas milhões de anos depois sua formação.

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Se as estruturas de Dodd são verdadeiramente restos de micróbios, “É fantástico. Eu adoro isso”, diz o astrobiólogo Martin Van Kranendonk da Universidade de New South Wales em Sydney, Austrália. Mas ele não está convencido. Na verdade, ele diz, “não há uma prova definitiva de que qualquer das texturas ou os minerais ou as características que eles têm são específicos da vida.”

A pesquisa foi publicada no periódico científico Nature.

Referências:

  1. Nature. “Evidence for early life in Earth’s oldest hydrothermal vent precipitates” <http://nature.com/articles/doi:10.1038/nature21377> Doi:10.1038/nature21377;
  2. The Telegraph. “Oldest fossil ever found on Earth dating back 4.2bn years shows alien life on Mars is likely“. <http://www.telegraph.co.uk/science/2017/03/01/oldest-fossil-ever-found-earth-shows-alien-life-mars-likely/> Acesso em 01 de março de 2017;

  3. The Telegraph. “Nasa revives ‘weird life forms’ trapped inside crystals for 60,000 years, raising hopes of finding alien organisms in space” <http://www.telegraph.co.uk/news/2017/02/18/newly-discovered-weird-life-forms-may-offer-clue-life-mars/> Acesso em 01 de março de 2017;

  4. ScienceNews.com. “Oldest microfossils suggest life thrived on Earth about 4 billion years ago” <https://www.sciencenews.org/article/oldest-microfossils-suggest-life-thrived-earth-about-4-billion-years-ago> Acesso em 01 de março de 2017;

  5. ScienceNews. “Life’s early traces” <https://www.sciencenews.org/article/life%E2%80%99s-early-traces>.

  6. The Telegraph, Science “Is there life on Mars? Evidence of aliens may have been found on the Red Planet – in 2007” <http://www.telegraph.co.uk/science/2016/11/24/evidence-alien-life-mars-may-have-foundin-2007/>

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