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Saúde & Bem-Estar

Fetos de cordeiro passam com sucesso por gestação em bolsas plásticas. Humanos são os próximos?

Children's Hospital of Philadelphia / Nature Communications

 

Pesquisadores mostraram que é possível nutrir e proteger fetos de cordeiros em estágios finais da gestação dentro de um útero artificial; a tecnologia poderá se tornar uma salva-vidas para muitos bebês humanos prematuros dentro alguns anos. Mas mais pesquisas são necessárias.

 

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Um laboratório realizou com sucesso a gestação de cordeiros prematuros em úteros artificiais. Segundo os médicos, a nova técnica, se possível de ser usada em humanos, poderiam ser bastante benéfica para bebês prematuros.

Os nossos bebês nascidos em de 25 semanas ou até a 24ª semana de gestação têm índices de sobrevivência bastante baixos, e nos Estados Unidos essa é a principal causa de mortalidade e morbidade infantil. Quando bebês nascem com 24 semanas de gestação, “é muito claro que eles não estão prontos para estar aqui”, diz Emily Partridge, pesquisadora do Hospital da Criança da Filadélfia, nos Estados Unidos, e médica especialista em prematuros críticos. 

Quando nascem prematuros, os médicos vestem os pequeninos seres em fraldas diminutas e os embalam em incubadoras plásticas feitas sob medida, onde são alimentados através de tubos. Em muitos casos, são administrados sedativos para ajudá-los a lidar com os ventiladores presos próximos às suas faces. “Só de olhar para eles fica claro que eles não eram para estar aqui ainda. Eles não estão prontos”, diz Partridge.

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Todos os anos, cerca de trinta mil bebês nos Estados Unidos nascem nesta fase inicialmente considerada “prematuramente crítica” ou com menos de 26 semanas de gestação. Se nascidos antes da 24ª semana de gestação, apenas cerca da metade sobrevive, e aqueles que vivem são susceptíveis a terem complicações médicas de longo prazo. “Entre os que sobrevivem, os desafios são fatos que todos nós damos como garantidos, como caminhar, falar, ver, ouvir”, diz Kevin Dysart, um neonatologista do Hospital da Criança.

“Esses bebês têm uma necessidade urgente de uma ponte entre o ventre materno e o mundo exterior”, diz Alan Flake, pesquisador sênior e cirurgião neonatal no Hospital da Criança da Filadélfia. “Se pudermos desenvolver um sistema extra-uterino para apoiar o crescimento e a maturação de órgãos por apenas algumas semanas, podemos melhorar drasticamente os resultados para bebês extremamente prematuros”, completa.

Com um útero artificial, os bebês poderiam continuar a se desenvolver — mesmo apenas algumas semanas extras de “tempo de crescimento” pode ser a diferença entre graves problemas de saúde e um bebê relativamente saudável.

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Bebê prematuro em incubadora. (Crédito: Hospital da Criança da Filadélfia.)

Bebê prematuro em incubadora. (Crédito: Hospital da Criança da Filadélfia.)

Dentro de uma década aproximadamente os bebês nascidos entre as 23ª e 25ª semanas podem não mais ser colocados no hostil mundo externo da forma que é hoje. Em vez disso, eles podem ser imediatamente mergulhados em um saco especial cheio de líquido amniótico de laboratório, desenvolvido para ajudá-los na gestação por mais um mês, que se dará dentro de um útero artificial. Ou seja, se uma nova tecnologia que foi testada com sucesso em fetos de cordeiros, segundo um estudo publicado esta semana (terça-feira passada, dia 25) no periódico científico Nature Communications, pode vir a ser usada também em seres humanos.

No estudo, Partridge e outros pesquisadores da Filadélfia suspenderam cordeiros prematuros, um exemplo de animal  no qual seus fetos são parecidos com fetos humanos, em um útero artificial cheio de líquido, permitindo que eles se desenvolvam mais por quatro semanas — tempo maior do que em tentativas similares anteriores.

Os pesquisadores usaram oito fetos de cordeiro com tempo de gestação entre 105 a 115 dias — um nível de desenvolvimento comparável a um feto humano de 23 semanas de idade. À medida que os corpos flutuavam no líquido do útero artificial, os órgãos dos cordeiros se desenvolviam normalmente. As pequenas criaturas rosadas abriam os olhos, engordavam e cresciam seus pelos, tudo de acordo com o esperado para acontecer com os fetos dessa espécie.

Premature Lambs in an Artificial Womb - Nature Communications

Um cordeiro é retratado após quatro (à esquerda) e 28 dias (à direita) no útero artificial. (Crédito: Nature Communications)

Os pesquisadores anteciparam que os estudos com os animais serão concluídos dentro de dois anos e, se aprovados, os úteros podem ser testados em humanos pré-mortos dentro de três a cinco anos.

Uma razão pela qual o nascimento prematuro é tão perigoso é que, para um bebê com baixo peso, as primeiras respirações de ar interrompem o desenvolvimento dos pulmões. “Os bebês nascidos e apoiados em uma unidade de terapia intensiva neonatal com ventilação baseada em gás demonstram uma pausa do desenvolvimento pulmonar, que se manifesta em uma longa e severa restrição da função pulmonar”, diz Partridge.

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Com o útero artificial, o nascituro continuaria “respirando” através do cordão umbilical à medida que  flutua no líquido amniótico, que flui para dentro e para fora do saco. Usando seu pequeno coração, o feto bombeia seu próprio sangue através de seu cordão umbilical para dentro de um oxigenador, onde o sangue pega oxigênio e o devolve ao feto — exatamente como acontece uma placenta normal. Além de aumentar o crescimento pulmonar, o líquido amniótico protege o bebê de infecções e apoia o desenvolvimento dos intestinos.

Os bebês que seriam ligados a este aparelho precisariam de partos por cesariana, como são sessenta por cento dos bebês prematuros atualmente. Durante a realização do parto por cesariana, ao feto seria dado uma droga que iria impedi-lo de respirar ar durante a sua breve passagem pelo mundo exterior. Dentro de segundos, seria submerso novamente no saco de polietileno, tal como estava no útero.

“Eu não quero que isso seja visualizado como fetos pendurados na parede em sacos”, disse Alan Flake, um cirurgião neonatal no Hospital da Criança da Filadélfia e um dos autores do estudo, aos repórteres em uma sessão de imprensa na segunda-feira (24).

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Ele diz que será semelhante a uma incubadora neonatal tradicional, potencialmente equipada com uma câmera para amenizar os pais ansiosos. Os médicos poderiam até mesmo simular nos batimentos cardíacos da mãe. É “menos estressante do que ver um bebê em uma incubadora em uma cama exposta”, disse Flake. “Esse é um ambiente muito angustiante para os pais.”

Muitos obstáculos permanecem em aberto na transposição da pesquisa de cordeiro para bebês humanos. Os úteros artificiais foram experimentados — e falharam — antes. Uma matéria do New York Times Magazine de 1996 declarou que “o ventre artificial existe” e descreveu um laboratório em Tóquio, no qual bebê de cabras flutuavam em uma falso líquido amniótico aquecido. Mas, infelizmente, tudo terminou em falhas circulatórias e outras questões técnicas malsucedidas.

Neste caso, os pesquisadores não sabem se os vasos sanguíneos de cordeiros funcionará de forma idêntica em um feto humano. Cordeiros são também várias vezes maiores do que os seres humanos ainda que nesse estágio de desenvolvimento.

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Se esses ventres artificiais para fetos humanos realmente se materializarem,  isso pode despertar preocupações entre defensores pró-escolha, uma vez que o dispositivo poderia empurrar o ponto de viabilidade para fetos humanos para um prazo ainda menor. Isso pode encorajar ainda mais legislações a reduzir o prazo legal dos abortos, permitindo-os apenas para os casos antes de, digamos, as 20 primeiras semanas de gestação. Mas conversando com repórteres na segunda-feira, os pesquisadores da Filadélfia enfatizaram que não pretendem expandir os limites da vida para antes da 23ª semana gestacional. Antes desse ponto, os fetos são muito frágeis mesmo para os úteros artificiais.

Em vez disso, eles dizem que o objetivo é fazer com que a prematuridade extrema ceife menos vidas de bebês, bem como reduzir os estimados 43 bilhões de dólares que a prematuridade custa ao sistema médico dos EUA a cada ano, de acordo com uma declaração do hospital.

Em essência, é para fazer com que os bebês que não deveriam estar “aqui” ainda (mas estão) ficarem. Em um vídeo que acompanhou a liberação do estudo, Partridge descreveu sua pesquisa pela visão dos fetos de cordeiro fechados no aparato, “respirar, engolir, nadar, sonhar” — todos com “total desapego da placenta e da mãe”.

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Texto adaptado do TheAtlantic.com. Leia o original aqui.

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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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