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Cientistas querem construir um grande telescópio na Lua

(NASA/Dennis Davidson).

Há telescópios realmente grandes, com algumas centenas de metros de diâmetro. Agora, alguns cientistas querem construir um telescópio com um espelho de 100 metros de diâmetro na Lua. A construção de um grande telescópio na Lua é uma ideia engavetada pela NASA há uma década e que agora alguns astrônomos sonham em revivê-la. 

Estamos entrando em uma nova era da exploração espacial. Não apenas da exploração através de foguetes e naves espaciais que viajam até os outros planetas e luas, mas em uma nova geração de poderosos telescópios espaciais. Estes se localizarão próximos da Terra, ou mesmo na Terra e olharão para longe de uma forma nunca antes vista. Dentre eles estão o Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble, que ficará no espaço. Há, também, os telescópios baseados na Terra, como o Observatório Vera Rubin, além dos poderosos telescópios que já operam pelo ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile, e outras unidades de diversos países espalhadas pelo mundo.

Mas por que não construir um observatório baseado na Lua? A pesquisadora Anna Schauer e alguns colegas da Universidade do Texas resgataram o plano abandonado pela NASA, e falaram de algumas de suas possíveis aplicações em um estudo que sairá na próxima edição do periódico The Astrophysical Journal, mas por enquanto disponível apenas como preprint no repositório  Arxiv

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Da Lua para os primórdios do Universo

“Ao longo da história da astronomia, os telescópios se tornaram mais poderosos, permitindo-nos sondar fontes de tempos cósmicos sucessivamente anteriores – cada vez mais perto do Big Bang”, diz em um comunicado o pesquisador Volker Bromm, um dos membros da equipe. “O próximo Telescópio Espacial James Webb [JWST] chegará ao momento em que as galáxias se formaram pela primeira vez”.

A expansão do universo. (Pixabay).

“Mas a teoria prevê que houve um tempo ainda mais antigo, quando as galáxias ainda não existiam, mas onde as estrelas individuais se formaram pela primeira vez – as evasivas estrelas de População III. Este momento de ‘primeira luz’ está além das capacidades até mesmo do poderoso JWST e, em vez disso, precisa de um telescópio ‘definitivo’”, completa Bromm.

O universo possui pouco mais de 13 bilhões de anos de idade. Além disso, a luz não viaja de forma instantânea. Portanto, se olharmos longe o suficiente, podemos enxergar os primórdios do universo. As primeiras galáxias surgiram quando o universo já possuía algumas centenas de milhões de anos. Então, há muita histórias anterior para se enxergar.

“Vivemos em um universo de estrelas”, explica Bromm. “É uma questão chave como a formação de estrelas começou no início da história cósmica. O surgimento das primeiras estrelas marca uma transição crucial na história do universo, quando as condições primordiais estabelecidas pelo Big Bang deram lugar a uma complexidade cósmica cada vez maior, eventualmente trazendo vida para planetas, vida e seres inteligentes como nós”.

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Um grande telescópio na Lua

Integrantes da NASA propuseram o telescópio pela primeira vez em 2008. Originalmente conhecido como Telescópio Espelho Líquido Lunar (LLMT), ele não possui um espelho de vidro, mas algum material líquido que exerce esse mesmo papel, como seu próprio nome sugere, e por diversos motivos, é uma das melhores configurações para o telescópio na Lua.

Este é o conceito original do LLMT, de 2008. A baixa qualidade da imagem se dá pela sua idade. (Roger Angel et al./Univ. of Arizona).

Mas as coisas mudam rápido. Naquela época, ainda não se estudava estrelas de população III (um dos tipos de estrela primordiais) – até porque até 2010 ainda não tínhamos nem mesmo encontrado uma delas. Nesses 12 anos, a ciência evoluiu e os plano para a Lua também. Hoje, um telescópio baseado na Lua já possui aplicações e, embora ainda não seja um plano oficial, os cientistas querem torná-lo real.

Além disso, a NASA está conduzindo o projeto Artemis, que levará o ser humano de volta para a Lua em 2024. O projeto visa, futuramente, a construção de uma base permanente na Lua a partir desta década. Outros países também se interessam em voltar para a Lua por diversos motivos, como a exploração tripulada do espaço além da órbita terrestre. Portanto, esse telescópio faz mais sentido agora do que nunca.

O estudo será publicado no The Astrophysical Journal. Com informações de Universe Today e MCDonald Observatory / University of Texas

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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