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Saúde & Bem-Estar

Cientistas podem ter descoberto um novo órgão humano — e essa descoberta pode impactar a forma como tratamos o câncer

O novo órgão (ou talvez um tecido, não está claro ainda) pode ser encontrado por todo nosso corpo, inclusive no tecido conjuntivo sob a nossa pele. (Imagem: Kevin Mackenzie, University of Aberdeen, Welcome Colection).

O novo ‘órgão’ (ou tecido) não está nem mesmo limitado às partes controversas de nossos corpos — ele pode ser encontrado cobrindo muitos de nossos órgãos mais conhecidos.

Você pensaria que, depois de milhares de anos de estudo, nós teríamos descoberto tudo o que está acontecendo dentro de nós. Mas os pesquisadores argumentam que descobriram acidentalmente um órgão totalmente novo.

A nova estrutura poderia até mesmo ajudar a explicar onde está a maior parte do fluido em nosso corpo, e pode até ser a fonte da linfa, o fluido que é essencial para o funcionamento do nosso sistema imunológico. Como tal, essa rede, ou estrutura, de canais cheios de fluido poderia estar desempenhando um papel significativo na manutenção de nossa saúde, bem como na propagação de doenças.

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Enquanto nós pensamos que nossos pulmões, ou o trato digestivo, e até mesmo nossa pele estavam rodeados por tecido conjuntivo duro e denso, verifica-se que este tecido é, na verdade, cheio de espaços, que permitem que o fluido flua livremente, suportados por uma malha de proteínas conectivas fortes para impedi-los de entrar em colapso.

Isso pode ajudar a explicar para onde vai a maior parte do fluido do nosso corpo. Enquanto nossas células contêm a maior parte do fluido, e o sistema circulatório transporta todo um volume a mais, mas mais de um terço não havia sido contabilizado e foi simplesmente afirmado se tratar de “fluido intersticial”, ou apenas circulando entre órgãos e células.

Agora os pesquisadores afirmam, em um artigo publicado no periódico científico Scientific Reports, que o “interstício” (não o fluído intersticial) deve ser definido como um órgão em si mesmo.

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Esses pesquisadores acham que a descoberta pode explicar por que algumas formas de câncer podem se espalhar tão rapidamente entre órgãos não diretamente relacionados pela doença. O interstício também pode ajudar a explicar por que as rugas se desenvolvem, já que, à medida em que envelhecemos, esses canais no tecido da pele podem dobrar em si mesmos.

Foi durante a realização de exames de endoscopias de rotinas, segundo a revista New Scientist, que os médicos perceberam que o tecido em torno do duto biliar, que deveria ser bastante sólido e denso, estava, na verdade, recoberto em um padrão intrigante. A partir dessa constatação que um dos médicos decidiu dar uma olhada na pele de seu próprio nariz usando o mesmo dispositivo e,  surpreendentemente, encontrou exatamente o mesmo padrão celular visto no duto biliar sob o microscópio.

A chave, ao que parece, foi olhar para o tecido vivo com um grande e nítida ampliação. Até agora, os médicos pesquisadores, ao estudar o corpo humano, confiam em lâminas de microscópio com o tecido fixo, dizem os autores. Para fazer isso eles pegam fatias finas de tecido as tratam com produtos químicos e tingem as estruturas, para que tais estruturas possam ser facilmente identificadas quando colocadas em um microscópio.

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O problema, no entanto, é que a fixação drena o tecido de todo o fluido e, por isso, acredita-se que este processo murche todos os compartimentos uma vez cheio de fluidos no interstício. Devido a isso, os pesquisadores olhando slides de órgãos simplesmente assumiram os compartimentos achatados eram fissuras no tecido.

Agora parece que será necessário se fazer mais pesquisas para definir essa estrutura e convencer os pares pesquisadores e demais especialistas de que o interstício é um órgão em em si mesmo, ao invés de apenas um novo tipo de tecido.

O novo órgão, aqui entre a camada superior da pele, também está em camadas dos tecidos que revestem o intestino, pulmões, vasos sanguíneos e músculos. O órgão é uma rede sistêmica de compartimentos interconectados, cheias de fluido e suportados por uma malha de proteínas fortes e flexíveis (Crédito: Jill Gregory).

O novo órgão, aqui entre a camada superior da pele, também está nas camadas dos tecidos que revestem o intestino, pulmões, vasos sanguíneos e músculos. O órgão é uma rede sistêmica de compartimentos interconectados, cheias de fluido e suportados por uma malha de proteínas fortes e flexíveis (Crédito: Jill Gregory).

“Esta descoberta tem potencial de impulsionar avanços dramáticos na medicina, incluindo a possibilidade de que a amostragem direta do fluido intersticial pode se tornar uma poderosa ferramenta de diagnóstico”, explicou o coautor Neil Theise.

Fonte: IFL Science.

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Referências:

  1. BENIAS, P. C. et al. “Structure and Distribution of an Unrecognized Interstitium in Human Tissues”. Scientific Reports, volume 8, Article number: 4947 (2018) doi:10.1038/s41598-018-23062-6;
  2. Williams, G. “Newfound ‘organ’ had been missed by standard method for visualizing anatomy”. EurekAlert Public Release. Disponível em << https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-03/nlh-nh032318.php >>. Acesso em 28 de março de 2018.
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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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