Connect with us

Hi, what are you looking for?

Espaço

Cassini nos manda seu último olhar sobre os padrões nos anéis de Saturno feitos por mini-luas

Embutidas dentro dos anéis de Saturno vão várias mini-luas, ou moonlets, que criam aberturas em forma de hélice no material do anel.

 

[dropcap]A[/dropcap]s imagens da Cassini obtidas nas últimas décadas sobre as “hélices” aninhadas nos anéis mais longos de Saturno foram a primeira vez que rastreamos a órbita de objetos embutidos em um disco em vez do tradicional rastreamento dos que se movem livres no espaço. “Isso tem fortes paralelos com o que acontece quando os sistemas solares se formam”, diz Matthew Tiscareno do Instituto SETI à New Scientist. “Uma mini-lua se formando embutida em um disco”.

Continua depois da publicidade

Os cientistas estão interessados tanto na maneira em que um disco pode afetar um objeto, como uma mini-lua em torno de Saturno ou um proto-planeta em um sistema alienígena, e também em como esse objeto afeta o disco. “Não podemos voltar no tempo e ver nosso sistema solar quando estava se formando, mas Saturno pode nos dar uma visão de alguns desses processos”, diz Tiscareno.

Joias na coroa de Saturno

Desde que os pesquisadores perceberam que esses padrões em forma de hélice eram uma janela para a formação do planeta, a Cassini verificou regularmente tanto as grandes hélices do anel externo quanto os enxames de menores hélices do anel A, o mais externo dos anéis brilhantes de Saturno. A última observação antes dessa última passagem da Cassini foi na semana passada.

Continua depois da publicidade

As hélices maiores são do tamanho de várias quadras da cidade, e as menores são do tamanho de um campo de futebol. Há tantas hélices próximas nos enxames menores que os pesquisadores não conseguem rastrear objetos individuais com as imagens.

“Nós não sabemos quanto tempo vivem os objetos do enxame nas zonas da hélice. Nós não sabemos se suas órbitas estão mudando de modo importante”, diz Tiscareno. “Nós simplesmente não podemos acompanhar o mesmo objeto, uma e outra vez”.

Mas as hélices maiores são nítidas o suficiente para que os cientistas possam facilmente selecioná-las semanas, meses ou mesmo anos depois de serem descobertas pela primeira vez. Ao atualizar regularmente as órbitas desses objetos incomuns com base nos dados das passagens da Cassini através dos anéis de Saturno, os cientistas identificaram dois tipos de movimento.

Continua depois da publicidade

Na maior parte do tempo, a forma de hélice é causada por uma interação gradual da gravidade do disco com a lua, mas às vezes um evento catastrófico pode causar isso, diz Tiscareno. Por exemplo, uma colisão pode perturbar a órbita de uma mini-lua, ou a lua pode crescer muito e derramar parte de sua massa.

“Eles são tão grandes como podem obter, dado a sua localização atual”, diz o pesquisador do SETI. “Quando uma mini-lua acumula mais material, ela cresce e começa a protrusão, apenas para ser partida pela atração gravitacional do material do anel de Saturno”.

A imagem final da Cassini das hélices não revela nada inesperado ou novo, mas completa um projeto de vários anos rastreando esses objetos incomuns. “É o último, e isso é muito pungente”, diz Tiscareno.

Continua depois da publicidade
“A nave espacial Cassini da NASA capturou essa visão de perto de uma dessas hélices, informalmente chamada Earhart, no anel A de Saturno, em 22 de março. À direita da hélice está o vão Encke Gap de 320 km (200 milhas) de largura, um espaço estre os anéis de Saturno causado pela órbita de uma lua chamada Pan, que é cerca de mil vezes mais maciça do que Earhart. Se Earhart fosse tão grande quanto a Pan, poderia ter gravidade suficiente para limpar sua trajetória e criar uma lacuna semelhante. Mas uma moonlet é apenas do tamanho suficiente para criar esta pequena abertura em forma de hélice”, escreveu Hanneke Weitering, para o site Space.com. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

“A nave espacial Cassini da NASA capturou essa visão de perto de uma dessas hélices, informalmente chamada Earhart, no anel A de Saturno, em 22 de março. À direita da hélice está o vão Encke Gap de 320 km (200 milhas) de largura, um espaço estre os anéis de Saturno causado pela órbita de uma lua chamada Pan, que é cerca de mil vezes mais maciça do que Earhart. Se Earhart fosse tão grande quanto a Pan, poderia ter gravidade suficiente para limpar sua trajetória e criar uma lacuna semelhante. Mas uma moonlet é apenas do tamanho suficiente para criar esta pequena abertura em forma de hélice”, escreveu Hanneke Weitering, para o site Space.com. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute. (Clique aqui pra ver essa imagem ampliada.)

Hélice solitária: último registro

Em sua última olhada em torno do sistema de Saturno, a nave espacial Cassini capturou uma última imagem de uma dessas “hélices” agrupadas na parte mais externa dos anéis principais. Esses belos padrões aparecem quando pequenas luas perturbam o material dos anéis. Mas eles não são apenas agradáveis de olhar — eles também oferecem pistas sobre como os planetas se formam.

Nessas imagens, “a lua é tão pequena quanto um pixel, então não a vemos”, disse Tiscareno. “Mas vemos o distúrbio”.

Uma última olhada em um

Uma última olhada em um “propeller”. Esta visão do anel A de Saturno possui uma hélice solitária. Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute. (Clique aqui para ver esta imagem em maior resolução.)

Esta visão do anel A de Saturno mostra uma das muitas hélices criadas por essas mini-luas embutidas nos anéis enquanto tentam, sem sucesso, abrir lacunas no material do anel. A imagem foi tirada pela nave espacial Cassini da NASA em 13 de setembro de 2017. Ela é uma das últimas imagens que Cassini enviou à Terra antes de sua entrada auto-destrutiva na densa atmosfera do planeta.

A fotografia foi tirada em luz visível usando a câmera grande angular da Cassini a uma distância de 676.000 quilômetros (420.000 milhas) de Saturno. A escala da imagem é de 3,7 quilômetros.

Continua depois da publicidade

Fontes: NASANew Scientist e Space.com

 

Continua depois da publicidade
Avatar
Publicado por

Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

Comentários

Populares hoje

Mente & Cérebro

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram estudar o momento em que a morte cerebral se torna irreversível no corpo humano, observando o fenômeno em vários...

Plantas & Animais

No fim da década passada, em 2007, cientistas russos, húngaros e norte-americanos recuperaram sementes congeladas de Silene stenophylla, enquanto avaliavam aproximadamente 70 antigas tocas...

Mundo Estranho

Esta semana moradores da cidade de Cracóvia, na Polônia teriam se trancado em casa assustados com uma ‘criatura aterrorizante’ que estaria escondida nas árvores perto...

História & Humanidade

100.000 anos atrás, um grupo de 36 neandertais caminhou ao longo de uma praia no sul da Espanha. Durante a caminhada, vários indivíduos deixaram...