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Saúde & Bem-Estar

Bactérias estão diminuindo a eficácia de tratamento contra a transmissão do HIV

Latentes HIV em biomarcadores.

Na prevenção da transmissão do HIV em mulheres tratadas com um gel preventivo, bactérias são importantes. E agora pesquisadores descobriram que o tratamento em mulheres africanas tem um sabotador. É o que revela um estudo que acaba de ser publicado na revista científica Science.

Anualmente, mais de um milhão de mulheres são infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). As taxas de infecção do HIV entre as mulheres são uma grande preocupação para os médicos, pois o HIV pode ser transmitido das mães para os seus filhos durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

Um gel vaginal contendo tenofovir, um medicamento antirretroviral usado para tratar a contágio pelo HIV, foi três vezes mais efetivo na prevenção do HIV em mulheres que possuíam comunidades bacterianas vaginais saudáveis do que foi em mulheres com uma mistura menos benéfica. O achado pode ajudar a explicar por que a eficácia desses géis tem variado nos ensaios.

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O medicamento tenofovir, aplicado em forma de gel intravaginal, é amplamente utilizado para combater a propagação do HIV e funciona bem inibindo o processo que permite que o HIV se replique em algumas mulheres e outras mulheres que usam o mesmo medicamento podem não estar obtendo os mesmos efeitos, segundo um estudo publicado na revista científica Science nesse 02 de junho.

Nichole Klatt, pesquisadora da Universidade de Washington e principal autora do artigo, relatou ao site ScienceAlert que “acredita que este resultado irá mudar a forma como são abordados os estudos sobre prevenção do HIV em mulheres”. Isso deve ao fato de que o estudo que ela e seus colegas acabaram de publicar revela que o medicamento do gel, já que tomar um comprimido nem sempre é ideal na África Subsaariana, e o foco da prevenção neste caso é parar a propagação do HIV durante o sexo, pode estar tendo sua eficácia reduzida em algumas mulheres. O gel vaginal contendo tenofovir foi três vezes mais efetivo na prevenção do HIV em mulheres que possuíam comunidades bacterianas vaginais saudáveis do que em mulheres com uma mistura menos benéfica dessas comunidades.

“A microbiota vaginal é mais uma variável que temos que levar em consideração quando pensamos sobre por que uma intervenção funciona ou não funciona”, disse o cientista clínico Khalil Ghanem, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, que co-assina uma análise crítica que acompanha o estudo, ao site ScienceNews.

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Para mulheres, uma estratégia que pode ser usada para impedir o contágio pelo HIV é a aplicação gel vaginal contendo o tenofovir antes e depois do sexo. Mas os resultados foram confusos sobre o quão eficaz esse gel é. Parte dos tratamentos tiveram bons índices de eficácia, mas parte não. Os casos com pouca eficácia no tratamento pode ser parcialmente explicada pelo fato de que algumas pacientes não seguirem corretamente a prescrição de uso do medicamento. Mas o co-autor do estudo Adam Burgener, um microbiologista da Agência de Saúde Pública do Canadá em Winnipeg, se perguntou se poderia haver uma explicação biológica pra a descoberta.

Dosador do gel. As mulheres usam um aplicador (mostrado) para auto-administrar um gel vaginal contendo o medicamento antirretroviral tenofovir. para prevenção do HIV . As bactérias vaginais afetam a eficácia do tratamento com a droga, sugere um novo estudo.

Dosador do gel. As mulheres usam um aplicador (mostrado) para auto-administrar um gel vaginal contendo o medicamento antirretroviral tenofovir para prevenção do HIV . As bactérias vaginais afetam a eficácia do tratamento com a droga, sugere um novo estudo.

Acontece os principais residentes de uma comunidade microbiana vaginal saudável, ou microbiota, são espécies de Lactobacillus. Essas bactérias produzem ácido láctico, tornando o trato vaginal mais ácido e possivelmente menos hospitaleiro para outras bactérias da microbiota. Os cientistas já sabiam que, segundo estudos anteriores, a vagina pode conter bactérias que atuam como uma espécie de “preservativo biológico”, protegendo contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Para examinar o efeito da microbiota vaginal sobre o tenofovir, Burgener e colegas se voltaram para um estudo prévio com mulheres sul-africanas, o qual mostrou que a droga reduziu o contágio do HIV em 39%. Durante esse estudo, foram colhidas amostras de muco vaginal das participantes. Para o novo estudo, os pesquisadores mediram proteínas bacterianas em 688 dessas amostras daquele primeiro estudo. Tais proteínas serviram para determinar a bactéria presente no organismo das mulheres quando as amostras foram coletadas.

Em pouco mais de 400 das amostras os testes indicaram que na microbiota vaginal estavam principalmente espécies de bactérias do gênero Lactobacillus; a microbiota de outras 281 mulheres estava dominado por espécies não Lactobacillus, como a Gardnerella vaginalis. Dentro desses dois grupos havia mulheres que usaram o gel vaginal com tenofovir e havia outras com um gel não medicado, um placebo.

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No grupo dominante de Lactobacillus, a incidência de HIV foi 61 por cento menor em mulheres que usavam o gel medicado em comparação com aqueles que utilizavam o gel placebo. Mas no grupo não-Lactobacillus dominante, o índice de eficácia foi de apenas 18% maior na comparação do grupo medicado com o outro usando o placebo. Não foi notada diferença significativa na composição do gel usado entre os dois grupos, relataram os pesquisadores, segundo informou a ScienceNews.

“As mulheres com Lactobacillus tinham três vezes mais proteção oferecidas pelo gel”, disse Burgener ao periódico de notícias científicas. “Essa é uma diferença bastante notável na eficácia de uma droga”.

Na etapa seguinte, os cientistas escolheram um subconjunto de 270 amostras aleatoriamente, nas quais eles descobriram que nas amostras dominadas por uma população bacteriana não Lactobacillus as quantidade do tenofovir eram menores que nas dominadas por Lactobacillus. Foi aí que eles puseram em um tubo de ensaio bactérias Gardnerella vaginalis em contato com o tenofovir. Passadas quatro horas, os pesquisadores então mediram a quantidade da substância e detectaram que a quantidade de tenofovir havia reduzido em 50%. Os pesquisadores fizeram o mesmo com as bactérias Lactobacillus e descobriam que o nível de tenofovir na amostra não foi alterada.

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Sabe-se que os organismos da flora intestinal podem afetar o metabolismo de medicamentos, diz a cientista clínica e co-autora da análise crítica do estudo, Susan Tuddenham, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins. “Este estudo nos diz que quando estamos pensando nos medicamentos entregues por via vaginal, talvez devêssemos pensar sobre a microbiota vaginal também”, informou Tuddenham à ScienceNews.

O trabalho também mostra que mesmo mulheres que acompanham de perto as instruções para o uso de medicamentos vaginais “poderiam estar fazendo tudo certo e ainda assim não recebendo o benefício total dessa medicação”, diz Ghanem.

O artigo científico pode ser lindo na íntegra na revista Science aquiReferências: ScienceDaily, ScienceAlert e ScienceNews

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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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