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Saúde & Bem-Estar

Através de um dispositivo de leitura mental, pacientes profundamente paralisados dizem que querem viver

 

De Emily Mullin Para a MIT Technology Review

Uma interface cérebro-computador registra respostas “sim” e “não” em pacientes que não têm qualquer movimento muscular voluntário.

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Em 1995, Jean-Dominique Bauby sofreu um ataque vascular cerebral que o deixou paralisado e sem palavras, com apenas a capacidade de piscar a pálpebra esquerda. Usando apenas esse olho, ele silenciosamente ditou suas memórias em O Escafandro e a Borboleta (The Diving Bell and the Butterfly: A Memoir of Life in Death, título original em francês: Le Scaphandre et le Papillon, ed. Éditions Robert Laffont, 1997, 137 páginas), mais tarde adaptado em um filme.

Bauby, em virtude do AVC, passou à condição de portador da síndrome do encarceramento (ou locked-in syndrome – LIS), sendo que ele estava completamente impossibilitado de se movimentar, exceto por algum movimento ocular. Alguns pacientes eventualmente perdem até mesmo a capacidade de piscar, cortando todo contato com o mundo e levantando questões sobre se eles ainda estão totalmente conscientes e, em caso afirmativo, se eles ainda desejam continuar a viver.

Agora pesquisadores na Europa dizem que sabem as respostas depois de usar uma interface cérebro-computador para se comunicar com quatro pessoas completamente paralisadas devido à doença de Lou Gehrig ou esclerose lateral amiotrófica.

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Em resposta à afirmação “Eu adoro viver”, três dos quatro participantes da pesquisa responderam “sim”. Eles também disseram sim quando perguntados “Você está feliz?”. À quarta paciente, uma mulher de 23 anos, não foram propostas questões abertas porque seus pais temiam que ela estivesse em um estado emocional frágil.

Projetado pelo neurocientista Niels Birbaumer, agora no Centro Wyss para Bio e Neuroengenharia, em Genebra, a interface cérebro-computador se encaixa na cabeça de uma pessoa como uma touca de natação e mede as mudanças nas ondas elétricas que emanam do cérebro e também o fluxo sanguíneo usando uma técnica conhecida como espectroscopia de infravermelho próximo.

Touca para comunicação por meio da interface cérebro-computador em pacientes totalmente paralisados. Crédito: Wiss Center

Touca para comunicação por meio da interface cérebro-computador em pacientes totalmente paralisados. Crédito: Wiss Center

Para verificar se os quatro podiam se comunicar, a equipe de Birbaumer pediu aos pacientes, ao longo de cerca de 10 dias de testes, que respondessem sim ou não a declarações como “Você nasceu em Berlim” ou “Paris é a capital da Alemanha” a fim de modular seus pensamentos e analisar o padrão de fluxo sanguíneo. As respostas transmitidas através do sistema foram consistentes cerca de 70% de todo o teste – substancialmente melhor do que o acaso.

Birbaumer diz que “o alívio foi enorme” para os membros da família que foram capazes de se comunicar com seus entes queridos, após até quatro anos de silêncio total, e saber que eles queriam permanecer vivos. Eles detalham suas experiências em um estudo que foi publicado em 31 de janeiro na PLOS Biology.

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Em 2010, o neurocientista britânico Adrian Owen anunciou que, pela primeira vez, as mudanças no fluxo sanguíneo em certas partes do cérebro mostraram que um paciente previamente declarado em estado vegetativo estava realmente consciente.

Ninguém tem uma ideia clara de quantos pacientes estão como portadores da síndrome do encarceramento, diz Jane Huggins, que dirige o Laboratório de Interface Direta do Cérebro da Universidade do Michigan, embora uma estimativa de pesquisadores holandeses dá conta de que há pelo menos um paciente em 150.000 naquele país com a síndrome.

Alguns pacientes podem ser diagnosticados na condição de coma, porque eles não têm movimento dos olhos ou estes são muito sutis. Birbaumer e sua equipe acreditam que seu sistema de comunicação por interface cérebro-computador pode ser usado como um diagnóstico para determinar quem realmente permanece consciente e acordado, e eles esperam desenvolver uma tecnologia para permitir que as pessoas com a síndrome de encarceramento completo para selecionar letras para que essas pessoas possam se comunicar além de responder sim ou não a uma pergunta.

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Referências:

  1. The paper, ‘Brain computer interface based communication in the completely locked-in state’ by Ujwal Chaudhary, Bin Xia, Stefano Silvoni, Leonardo G. Cohen and Niels Birbaumer is published in the journal PLOS Biology.
  2. Site da MIT Technology Review. “Reached Via a Mind-Reading Device, Deeply Paralyzed Patients Say They Want to Live”. <https://www.technologyreview.com/s/603512/reached-via-a-mind-reading-device-deeply-paralyzed-patients-say-they-want-to-live/> Acesso em 03 de fevereiro de 2017.
  3. Site do Wyss Center. “Brain-computer interface allows completely locked-in people to communicate” <http://www.wysscenter.ch/en/brain-computer-interface-allows-completely-locked-in-people-to-communicate/> Acesso em 03 de fevereiro de 2017.
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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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