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História & Humanidade

A primeira mulher a vencer o Nobel, Marie Curie, foi heroína de guerra

Retrato de Marie Curie

A primeira celebridade feminina da ciência, Marie Curie, é conhecida por seus trabalhos em radioatividade e por ser a primeira mulher a vencer o prêmio Nobel – e a primeira pessoa a ganhar o prêmio duas vezes. Mas nem todos sabem que ela também foi heroína na primeira guerra mundial.

Para muitos, ela foi uma pessoa que trabalhou como escrava em seu laboratório, fazendo ciência de forma obstinada. Ela também foi alvo de calúnias e críticas na época. Isso acontece por que estamos em uma sociedade que ficou regida por homens durante muito tempo, e portanto as mulheres demoraram para serem aceitas na ciência.

Limitada ao laboratório

É comum que os cientistas sejam rotulados como pessoas unidimensionais, limitadas aos seus laboratórios, com o único propósito de fazer ciência pela ciência. E é algo que acontece bastante quando as pessoas ouvem o nome da cientista polonesa. Mas, no caso de Curie, isso não poderia estar mais errado.

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O que não chega aos ouvidos da população é o fato de que a cientista foi uma heroína durante a primeira guerra mundial. Marie Curie foi uma pessoa fascinante, que, além de cientista, trabalhou como humanitária. Ela usou a ciência, bem como os seus ganhos com o Prêmio Nobel, para ajudar na guerra.

Em vez de permitir que seu gênero a prejudicasse em um mundo dominado pelos homens, ela mobilizou um grupo de mulheres para tentar reduzir o sofrimento humano durante o conflito. Por meio de seus esforços, estima-se que mais de um milhão de soldados feridos em combate receberam exames de raios-X.

Marie Curie, heroína de guerra

Em 1914, quando as tropas alemãs seguiam para sua cidade de residência, Paris, ela soube que sua pesquisa científica deveria fazer uma pausa. Então juntou todo o seu estoque de Rádio e o levou no trem para Bordeaux, onde o material ficou escondido em um cofre de banco.

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Em seguida, ela se juntou à luta, usando suas habilidades científicas para ajudar na guerra. Mas, em vez de criar armas, ela decidiu usar a ciência para salvar vidas.

Como naquela época as máquinas de raios-X ficavam somente nos hospitais das cidades, Curie resolveu inventar o primeiro “carro radiológico”. Essa máquina possibilitou atender os feridos em combate, levando o raio X até os locais de conflito.

VEJA MAIS: 18 notáveis mulheres da ciência

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O veículo possuía uma máquina de raios-X e um equipamento fotográfico, e poderia ser conduzido até o campo de batalha, onde os cirurgiões usariam os raios-X para guiar as cirurgias. Para fornecer energia elétrica à máquina, Curie utilizou um dínamo, associado ao design do carro. Dessa maneira, o motor do veículo forneceria a eletricidade necessária.

Ao abordar a organização filantrópica francesa União das Mulheres, ela conseguiu o dinheiro necessário para fabricar o primeiro carro, que desempenhou papel fundamental no tratamento dos feridos na Batalha de Marne em 1914.

Porém, mais carros foram necessários. Então Marie Curie explorou sua influência científica e pediu a mulheres ricas parisienses que doassem veículos. Logo ela tinha uma quantidade de cerca de 20 veículos equipados. Como ainda faltavam pessoas treinadas para operar as máquinas raio-X, ela começou a treinar mulheres voluntárias para operarem as máquinas. A princípio, recrutou 20 mulheres para o primeiro curso de treinamento. No final, ela treinou no total cerca de 150 mulheres.

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Exposição excessiva ao raio-X

Apesar de todo o esforço, a cientista ainda não tivera tempo para melhorar as práticas de segurança contra os raios X. Curie sabia que exposições muito altas representavam riscos futuros à saúde, e muitos sofreram queimaduras devido à exposição excessiva aos raios-X.  Ela se preocupava muito com isso, e, portanto, escreveu um livro mais tarde sobre segurança com raios-X baseado em suas experiências no conflito.

O senso comum é que a cientista faleceu devido a superexposição ao Rádio durante as suas pesquisas. Mas uma causa provável de sua morte foi a alta exposição aos raios-X durante a guerra.

Com informações de The Conversation.

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Matheus Gouveia é formado em Engenharia Elétrica e apaixonado por ciência e tecnologia. Atualmente é redator da SoCientífica e autor do blog "DoCaramba!".


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