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Harpia – a águia gigante amazônica que está cada vez mais ameaçada

As harpias estão entre as maiores águias do mundo - e também entre as mais ameaçadas. (Imagem de tee_zett por Pixabay)

O nome já é bastante sugestivo: as harpias, na mitologia grega, eram seres metade humanos, metade ave. Portanto, quando os colonizadores europeus chegaram à América do Sul, logo batizaram uma das maiores águias do mundo com esse nome. E não é para menos. A harpia, ou gavião-real, é uma ave de rapina que habita naturalmente toda a região da Amazônia e que pode atingir 20kg e quase 3 metros de envergadura. Ademais, vale lembrar que esses bichos têm a classificação de quase-ameaçados pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

(Imagem de sipa por Pixabay)

Devido ao seu tamanho, os gaviões-reais podem caçar preguiças e macacos, além de outras aves e répteis. Nesse sentido, a envergadura enorme permite que essas aves possam fazer manobras a velocidades bastante altas. Além do mais, as harpias possuem uma plumagem branca e cinza, com um topete de penas no topo da cabeça, o que dá um ar ainda mais intimidador para o animal.

Há um século estima-se que existiam entre 20 e 50 mil harpias em todo o mundo. Nessa época, essas águias vivam numa região que se estende desde o México até a Argentina. Contudo, devido à perda de hábitats naturais, hoje as harpias sofrem pelo risco iminente da extinção e hoje acredita-se que existam em torno de 5 mil dessas aves na Amazônia.

Proteção e conservação da harpia

As harpias são animais monogâmicos. Ou seja, essas aves têm apenas um parceiro durante a vida. Além do mais, elas se reproduzem a cada dois ou três anos. A ninhada em geral tem um ovo – às vezes dois, mas apenas um filhote sobrevive. Não obstante, um filhote pode levar até um ano para conseguir voar e sair do ninho. Por esse motivo, é especialmente difícil que a população selvagem de harpias aumente naturalmente. Ademais, a derrubada de árvores pode também levar junto ninhos das aves, matando os filhotes.

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(Imagem de Marcelo Plaza por Pixabay)

Por toda essa dificuldade na reprodução da espécie, diversas organizações buscam gerar filhotes desses animais em cativeiro. A boa notícia é que essas iniciativas estão funcionando. O Brasil, aliás, está à frente de diversos dos projetos de conservação. O Refúgio Biológico Bela Vista, situado em Foz do Iguaçu tem o objetivo de mapear e conservar a biodiversidade ao redor da usina hidrelétrica Itaipu. Em abril de 2020, pesquisadores do instituto deram as boas-vindas a um novo habitante: um filhote de harpia nascido em cativeiro. Contudo, esse não foi o primeiro. O Refúgio Biológico Bela Vista é a instituição com maior sucesso em reproduzir harpias em cativeiro – ao todo foram 50 animais que nasceram no local.

Mais ao norte o Projeto Harpia faz o mapeamento de ninhos e animais em regiões da Floresta Amazônica, Pantanal e da Mata Atlântica. Além disso, o projeto ainda tem o papel de educar comunidades a respeito da preservação não só das harpias, mas de toda a fauna e flora da floresta. Trabalhadores de castanhais, por exemplo, ajudam os pesquisadores a encontrar os ninhos de harpias durante o tempo que passam colhendo as castanhas.

Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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