História & HumanidadeMisteriosa estrutura encontrada no meio da Mata Atlântica

Élisson Amboni2 semanas atrásInterior da fortificação após ter a estrutura de uma casa, de 1903, que a revestia. (Foto: Élisson Amboni/SoCientífica)
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No meio do que era uma antiga floresta no sul do Brasil, na Mata Atlântica, moradores que iriam fazer uma reforma em sua casa descobriram que, embaixo da estrutura dela, encontrava-se uma outra espécie de estrutura, que assemelhava-se a uma fortificação. O problema é que fortificações não deveriam estar ali.

Localizada na região de Pedras Grandes, Santa Catarina, a estrutura, construída provavelmente no final do século 18, espantou pesquisadores e outros estudiosos da história do Brasil, visto que fortificações são encontradas somente em costas marítimas, e usadas para inibir ataques ou invasões estrangeiras. Entretanto, a fortificação em questão está localizada em um ambiente totalmente indiferente a essas situações.

Crédito imagem: Google/SoCientífica

Hoje o local é uma grande comunidade de casas de campo, mas, em tempos mais remotos, foi uma grande floresta, parte da Mata Atlântica. Ainda pode-se encontrar vários vestígios de mata, mas uma grande parte já foi revertida para o gado e o plantio.

Ali, grandes comunidades indígenas estavam presentes, vivendo de forma comum à natureza, até que vieram os primeiros colonos e parte da população pereceu por doenças e conflitos com os novos habitantes. Contudo, antes de ser uma área propriamente colonizada por brancos, pessoas não-nativas se constituíram ali, vivendo de forma ainda desconhecida.

A estrutura está localizada em uma parte relativamente íngreme da antiga floresta, dando uma visão plena dos arredores. Existem várias possibilidades levantadas para aquela fortificação naquele local, de acordo com uma análise empírica da estrutura e da localidade, mas é preciso uma investigação interdisciplinar mais acurada para saber o objetivo real dela.

Uma das possibilidades mais debatidas é que o local servia para coleta de impostos e descanso para os viajantes que partiam de locais já colonizados de Santa Catarina, como Laguna e Florianópolis, para outros locais mais ao sul ou oeste. Outras possibilidades mais aventurosas podem também ser levantadas: talvez tenham sido exploradores que, numa ânsia de conhecer o desconhecido ou ficarem ricos às custas dele, precisaram ter que construir uma fortificação porque sabiam que só sobreviveriam ali se o fizessem.

A imaginação é capaz de grandes feitos, mas ainda não há nenhum registro ou outro tipo de evidência que possa confirmar nossas especulações.

O fato é que a fortificação permaneceu oculta por muito tempo sob o revestimento de uma moradia que ali havia, desde 1904. Antes disso, estava isolada na Mata Atlântica intocada da época, cercada por indígenas e animais silvestres. As pessoas que ali viveram, assim como o objetivo da fortificação nessa localidade tão peculiar, permanecem um mistério, por ora.

Pesquisadores da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e outras Universidades da região ainda estão tentando construir um projeto de pesquisa para poder entender melhor a relação desta fortificação com as primeiras colonizações da Região Sul do Brasil.

Abaixo, você pode ver fotos de uma visita realizada no final de julho de 2019.

O autor da peripécia, que se acredita ter revestido a antiga fortificação com outra estrutura, onde acabou habitando, deixou seu registro e o ano que o fez: 1904. A fortificação data, contudo, de um período mais longínquo, no final do século 18.

As evidências que indicam que esta estrutura é uma fortificação são estas pequenas cavidades encontradas no interior para o exterior, que deixam um espaço para, quem estiver dentro da estrutura, utilizar uma arma contra alguém ou algo que se aproxima.

A estrutura fica localizada em propriedade privada, mas os proprietários são complacentes e também tem o desejo de entender melhor essa descoberta.

O motivo da estrutura ser construída no meio da Mata Atlântica ainda é um mistério, mas é mais um capítulo da história do Brasil a ser desvendado em breve.

Os arredores da fortificação ainda são verdes, apesar da floresta desmatada. 

O autor desta matéria visitou o local e as fotos são de sua autoria. 

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