História & HumanidadeEscultura de leão de 45.000 anos descoberta na caverna de Denisova

Arqueólogos que trabalhavam na caverna Denisova encontraram uma escultura de leão de 45.000 anos de idade toda esculpida em marfim de mamute.
Milena Elísios3 semanas atrásA estatueta do leão da caverna encontrada recentemente na Caverna Denisova, na Sibéria.
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Arqueólogos que trabalhavam na caverna de Denisova na Sibéria encontraram uma escultura de leão de 45.000 anos de idade toda esculpida em marfim de mamute. A forma é abstrata, mostrando apenas um corpo, barriga e patas traseiras, com a triste ausência da cabeça e sem os membros frontais.

Acredita-se que a escultura representa um leão das cavernas, que viveu na mesma época em que a escultura foi produzida. (Imagem: Siberian Times)

Em toda a superfície do corpo há uma série de linhas inscritas, que parecem significar pelos. Estas marcas são agrupadas de quatro em quatro linhas, mostrando um estilo artístico bem pensado e executado, a peça inteira foi polida. Confira essa animação 3D, que mostra em detalhes a escultura:

O objeto tem entre 40.000 e 45.000 anos, correspondendo à idade do Paleolítico Superior Primitivo, o que faz dela a mais antiga representação de um animal encontrado no mundo, o que significa que os denisovanos, que viviam naquela caverna nesse período, devem receber o crédito pela pequena obra de arte arcaica.

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O objeto de arte é pequeno, mede  42 mm de comprimento e 8 mm de espessura, além de ter 11 mm de altura. Acredita-se que representa um leão da caverna (Panthera spelaea), um animal que, durante a última era glacial, habitaria os vales das montanhas Altai, nas quais a caverna Denisova está localizada.


A caverna Denisova no sul da Sibéria, onde foi encontrada a pequena escultura. (CC BY SA 4.0)

A estatueta de marfim foi encontrada dentro da 11ª camada da galeria sul da Caverna de Denisova, já conhecida como a camada Denisovan. Nesse mesmo local, em 2008, arqueólogos encontraram um pequeno osso de dedo que depois seria sequenciado para revelar que ele não pertencia a um ser humano moderno, Neandertal ou a um gênero hominídeo conhecido, mas a uma espécie desconhecida que viria a ser chamada de Denisovanos após seu local inicial de descoberta.

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Foram encontradas evidências de que os denisovanos siberianos que viviam na caverna de Denisova possuíam um comportamento humano avançado de um nível incomparável, uma vez que fabricaram as primeiras agulhas de osso, o primeiro instrumento musical na forma de um apito ou flauta, a primeira joia de braço na forma de uma pulseira de cloritolita verde e a primeira produção de micro lâminas de pedra. Agora nós podemos adicionar a esta lista a manufatura mais antiga de figuras de animais.

A pulseira Denisovan feita de cloritolito e encontrada na caverna Denisova. (Imagem: Anatoly Derevyanko.)

Outra importância na descoberta deste objeto de arte é a sua semelhança em estilo com um grande número de objetos de arte de marfim de mamute encontrados em um sítio arqueológico de 24.000 anos de idade de Mal’ta no sul da Sibéria central. Eles incluem figuras de animais, representações de mulheres nuas ou vestidas com roupas de pele, e um número de pingentes de cisne esculpidos.

Objetos de arte feitos de marfim de mamute do local de Mal’ta, de 24.000 anos, no sul da Sibéria central.

Embora estes objetos de arte pertençam a uma época um pouco adiante, correspondente ao Paleolítico Médio Superior, eles possuem o mesmo estilo artístico que a estatueta de leão da caverna Denisova. Isto poderia sugerir que um dos lugares que beneficiou do legado artístico dos denisovanos foi a comunidade Mal’ta, que prosperou cerca de 20.000 anos após o desaparecimento dos denisovanos siberianos há cerca de 45.000 anos.

FONTE / Siberian Times

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