Saúde & Bem-EstarA inflamação crônica reduz dopamina no cérebro removendo a motivação

Você já se perguntou por que nos sentimos apáticos ou desmotivados quando estamos nos recuperando de uma doença?
Milena Elísios1 semana atrás
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Você já se perguntou por que nos sentimos apáticos ou sem motivação quando estamos nos recuperando de uma doença? Acontece que a ciência finalmente foi capaz de responder a essa pergunta, uma pesquisa realizada na Universidade Emory explica que a inflamação crônica de baixo grau interfere com o sistema de sinalização dopaminérgica no cérebro que nos motiva a fazer as coisas.

Os pesquisadores esclareceram em um novo artigo publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, os vínculos entre a liberação reduzida de dopamina no cérebro, a motivação para fazer as coisas e a presença de uma reação inflamatória no corpo. Eles também apresentaram a possibilidade de que isso faça parte do esforço do corpo para otimizar seu gasto energético durante esses episódios inflamatórios, citando evidências reunidas durante o estudo. A hipótese apresentada é a de que o corpo precisa de mais energia para curar uma ferida ou superar uma infecção, por exemplo, ambas associadas à inflamação de baixo grau. Para garantir que a energia esteja disponível, o cérebro usa uma técnica adaptativa para reduzir o impulso natural para executar outras tarefas que podem potencialmente drenar a energia necessária para a cura. Isso é essencialmente uma recalibração dos neurônios de recompensa especializados no centro de motivação do cérebro, para que as tarefas comuns não pareçam mais valer a pena.

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Os autores também publicaram uma estrutura experimental baseada em ferramentas computacionais, projetada para testar a teoria.

A técnica computacional publicada pelos cientistas foi projetada para permitir medições experimentais da extensão em que a inflamação de baixo grau afeta a quantidade de energia disponível e a decisão de fazer algo com base no esforço necessário. Isso poderia nos permitir entender melhor por que e como os estados inflamatórios crônicos também causam falta de motivação em outras doenças, incluindo esquizofrenia e depressão.

Sabe-se que as células imunes liberam moléculas de sinalização celular chamadas citocinas, que afetam o funcionamento dos neurônios liberadores de dopamina na área do cérebro denominada sistema mesolímbico. Essa área aumenta nossa disposição de trabalhar duro em prol de uma recompensa.

(Imagem: 71648629 via shutterstock.com)

Foi descoberto recentemente que as células imunológicas também possuem uma capacidade única de alternar entre vários estados metabólicos, diferente de outras células. Isso pode afetar os padrões de liberação de citocinas de forma a sinalizar o cérebro para conservar a energia disponível para o uso do sistema imunológico. Esses fatos foram o fundamento da nova hipótese, que a explica em termos de adaptação evolutiva. No ambiente hipotético inicial, o sistema imunológico, diante de abundantes desafios microbianos e predadores, necessitava de enormes quantidades de energia. Por isso, possuía seu próprio mecanismo para sinalizar outros sistemas corporais, através do sistema mesolímbico de dopamina, para controlar o uso de recursos energéticos durante os períodos em que o organismo estava passando por estresse severo ou repentino.

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A vida moderna é relativamente suave e menos desafiadora. Com menos atividade física, a inflamação de baixo grau deve-se principalmente a fatores como obesidade, estresse crônico, síndrome metabólica, envelhecimento e outras doenças do estilo de vida. Isso poderia causar erroneamente que os neurônios da dopamina mesolímbica produzissem menos dopamina. Níveis mais baixos de dopamina, por sua vez, diminuem a motivação para o trabalho, reduzindo a percepção de recompensa e aumentando a percepção do esforço envolvido. Isso economiza energia para se utilizada pelo sistema imunológico.

Estudos anteriores de Miller e de outros cientistas mostraram que um alto nível de funcionamento imunológico associado a baixos níveis de dopamina e motivação reduzida caracteriza alguns casos de esquizofrenia, depressão e outras condições de saúde mental.

Os cientistas não acreditam que esses distúrbios sejam causados ​​pela inflamação de baixo grau, mas que algumas pessoas que sofrem dessas doenças são hipersensíveis às citocinas imunológicas. Por sua vez, isso poderia fazer com que perdessem a motivação para sua vida diária.

O artigo científico foi publicado na Trends in Cognitive Sciences.

FONTE / News Medical

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