EspaçoNovas informações sobre a primeira planta germinada na Lua

Em janeiro, a sonda Chang'e-4 pousou na lua carregando uma mini-biosfera de 2,6 kg chamada (LME), que carregava seis formas de vida, uma delas foi capaz de germinar na superfície lunar.
Milena Elísios2 semanas atrás(Universidade de Chongqing / Victor Tangermann)
https://socientifica.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Planta-na-Lua.jpg

Em 3 de janeiro de 2019,  a sonda Chang’e-4 da China fez história ao aterrissar na Lua. ela não apenas foi a primeira espaçonave a visitar essa parte da Lua como também, entre sua carga útil, carregava uma mini-biosfera de 2,6 kg (5,7 lb) chamada Micro Ecossistema Lunar (LME).

A pequena biosfera cilíndrica, selada tem apenas 18 cm de comprimento e 16 cm de diâmetro. O LME carregava seis formas de vida, mantidas principalmente em condições semelhantes à Terra, exceto por microgravidade e radiação lunar.

(CNSA)

O dispositivo foi capaz de levar para a superfície lunar:

  • sementes de algodão
  • sementes de batata
  • sementes de colza
  • fermento
  • ovos de mosca da fruta
  • Arabidopsis thaliana, que é uma erva daninha muito comum e excepcionalmente resistente.

Algodão crescendo na lua

A biosfera não apenas carregou as formas de vida com total sucesso, como também foi capaz de germinar as semente de algodão. Tudo isso aconteceu no início de 2019, na época acreditava-se que havia apenas uma folha, mas analises recentes foram capazes de identificar duas folhas, a imagem é uma reconstrução 3D baseada na análise de dados e no processamento de imagens, que mostra claramente duas folhas. Porém, o LME não estava aquecido, então, após o primeiro dia lunar – cerca de 14 dias na Terra – o broto de algodão morreu quando as temperaturas caíram para menos 190 graus Celsius.

LEIA TAMBÉM: Segundo astrônomos a força da gravidade pode estar fora de controle

Nenhuma das outros organismos produziu nenhum resultado. Mas o experimento continuou, para testar a longevidade do próprio LME. Embora o peque no broto não tenha sobrevivido ás baixas temperaturas, essa experiencia abre caminhos para outras tentativas no futuro.

A tartaruga lunar

Durante as etapas de planejamento, surgiu a ideia em enviar uma pequena tartaruga para a Lua, mas as restrições da missão a impediram.

Em uma entrevista ao IEEE Spectrum Xie, disse: “O peso da sonda Chang’e-4 exigiu que o peso [do experimento] não pudesse exceder três quilos”.

Teria sido uma vida difícil e brutal para qualquer tartaruga que fizesse a viagem. Ela não apenas morreria quando a temperatura caísse, mas o oxigênio ficaria esgotado em cerca de 20 dias. Seria um fim triste.

LEIA TAMBÉM: Outros planetas poderiam ter ainda mais vida do que a Terra, dizem cientistas

Mas acontece que não teria sido a primeira tartaruga no espaço. Essa honra vai para as duas tartarugas na missão Zond 5 da União Soviética em 1968. Ao lado das duas tartarugas havia moscas e plantas. (As duas tartarugas foram privadas de comida como parte do experimento e sofreram de fome quando retornaram à Terra, mas conseguiram retornar à Terra com vida)

Mas enquanto a missão Zond 5 foi a primeira missão a transportar quaisquer terráqueos além da órbita da Terra, a missão Chang’e-4 foi a primeira a transportar alguns para a Lua (exceto astronautas, é claro).

É  muito provável que haja mais desses experimentos biológicos na Lua. E não realizados apenas pela China, Estados Unidos, Rússia, Índia, A Agência Espacial Européia e o Japão também planejam missões para a Lua, além de empresas privadas.

LEIA TAMBÉM: Cientistas recriaram uma forma de vida misteriosa que poderia revelar as origens da vida complexa

E com visitas de longa duração à Lua no futuro e até uma presença humana contínua lá, os cientistas continuarão estudando como os organismos respondem a esse ambiente.

FONTE / Universe Today