História & HumanidadeHeracleion, a Atlântida do Egito: a cidade enigmática submersa pelo mar

Até recentemente, Heracleion era só mais uma cidade mítica misteriosa.
Redação5 meses atrásFoto: Christoph Gerigk
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Histórias de cidades submersas, civilizações incríveis, e deuses caminhando na Terra são muitas. Por exemplo, uma das “cidades submersas” mais procuradas na história é, sem dúvida, a Atlântida, uma mítica cidade/estado descrita por Platão em seus escritos.

A lenda diz que a Atlântida era uma terra de maravilhas, cheia de avanços tecnológicos inimagináveis. As pessoas viviam lá em harmonia, e seu poder era superior a qualquer outra civilização da época. Mas em um dia, tudo mudou e a cidade afundou no oceano, para nunca mais ser encontrada.

Os relatos de cidades antigas na literatura que hoje não conseguimos encontrar para verificar são bastante amplos. Um desses relatos, por exemplo, foi feito pelo pai da História, Heródoto.

Heródoto, outrora, havia mencionado a existência de uma cidade de extraordinárias riquezas visitada por Helena de Troia e Paris. Essa cidade se chamava Heracleion. Porém, desde então, arqueólogos e outros exploradores sequer haviam visto vestígios dessa cidade.

Foto: Christoph Gerigk

Em 1999, o arqueólogo francês Franck Goddio e a sua equipe, meio que sem querer, se depararam com um rosto colossal emergir nas águas da Baía de Abu Qir. O que Goddio estava vendo era a cidade mencionada por Heródoto, Heracleion, completamente submersa a 6,5 quilômetros da costa de Alexandria.

Entre as ruínas descobertas estavam 64 navios, 700 âncoras, um tesouro de moedas de ouro, grandes estátuas e, talvez o mais notável, os restos de um enorme templo para o deus Amun-Gereb e os pequenos sarcófagos para os animais que foram levados para lá como oferendas.

Foto: Christoph Gerigk

Entre as descobertas realizadas na cidade também estava uma pedra de granito negro com mais de dois metros de altura repleta de hieróglifos. Acredita-se que ela seja mais antiga do que a famosa pedra de Roseta, que permitiu aos estudiosos finalmente decifrar e traduzir hieróglifos egípcios antigos. Esculpidos nela, os pesquisadores descobriram uma descrição dos direitos dinásticos que cada faraó tinha de exercer para legitimar seu poder.

A cidade

Construída em torno do grande templo, Heracleion era atravessada por uma rede de canais, uma espécie de Veneza egípcia antiga, e suas ilhas eram o lar de pequenos santuários e casas. Ela era uma cidade portuária no Egito faraônico e era de extrema importância para o reino. Era no templo desta cidade, por exemplo, que os novos faraós recebiam o poder divino de Amun que eventualmente legitimava seus reinados sobre a Terra. Mas, apesar das riquezas e importância, a cidade não foi párea quando a natureza decidiu agir.

Foto: Christoph Gerigk

Algum evento cataclísmico que se tem poucos detalhes fez com que a cidade afundasse nas águas do Mar Mediterrâneo no século II AEC, durante o período helenístico. Mas acredita-se que a elevação gradual do nível do mar, combinada com o súbito colapso do sedimento instável em que a cidade foi fundada, causou a queda da área.

Arqueólogos acreditam que será preciso de, no mínimo, cerca de 200 anos para que a cidade e seus mistérios sejam completamente compreendidos, indicando que estão somente no início da pesquisa. Por estar submersa, inclusive, torna as atividades de exploração um pouco mais complexas.

Representação de como Heracleion teria sido em seus tempos de glória.

Originalmente conhecida por Thonis pelos antigos egípcios, Heracleion é o nome que os gregos deram à cidade em homenagem a Hércules. No ocidente, contudo, hoje ela é mais conhecida pela nomeação grega do que pelo seu nome original.

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