EcologiaPeixes podem sobreviver após serem engolidos inteiros por aves

Pesquisadores brasileiros comprovaram que um vertebrado pode sobreviver após ser ingerido por uma ave aquática.
Redação4 semanas atrásUm ovo de peixe-anual sete dias antes da eclosão. Foto: Unisinos
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Peixes-anuais, conhecidos também como Killifish, conseguem suportar uma variedade de ambientes. Os pequeninos peixes de água doce sobrevivem em ambientes efêmeros, piscinas isoladas no deserto, poças temporárias e agora também há evidências de que podem resistir ao passar pelo trato digestório de uma ave.

Uma equipe internacional de pesquisadores relatou na revista Ecology uma descoberta científica que permanecia sem respostas concretas desde o tempo de Charles Darwin. O aluno de pós-graduação Giliandro Silva e colegas do Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquáticos (LECEA) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) comprovaram, pela primeira vez, que um vertebrado pode resistir após ser ingerido por uma ave aquática e passar pelo trato digestório.

Os cientistas que estudam os diferentes mecanismos de dispersão dos organismos de áreas úmidas, encontraram um ovo de peixe-anual em uma amostra fecal de uma espécie de cisne chamado popularmente de Capororoca Coscoroba, mas por motivos logísticos essas amostras tiveram que ser congeladas em campo. Quando descobriram um ovo inteiro nas fezes da ave que ocorre em diversas regiões do Rio Grande do Sul, desenvolveram um experimento em parceria com o Zoológico de Sapucaia.

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No experimento autorizado pelo INCBio e Comitê de Ética da Unisinos foram misturados ovos de peixes-anuais ao alimento oferecido às aves regularmente no zoo. Nos dois dias seguintes, eles coletaram o que os cisnes excretavam e procuraram por ovos intactos. Eles encontraram cinco, cerca de um por cento dos 650 ovos que eles misturaram. Então, eles mantiveram os ovos no laboratório para ver se continuariam se desenvolvendo. Dos três que o fizeram, dois morreram de uma infecção fúngica não relacionada. Mas um eclodiu em um jovem peixe-anual 49 dias após passar pelo intestino de um cisne.

A pesquisa prova que é possível que ovos de peixes anuais ingeridos por aves aquáticas como o Coscoroba possam ser dispersos para locais diferentes de onde estavam e colonizarem locais que não existiam peixes antes. O estudo traz muitas contribuições para o estudo da distribuição das espécies de peixes-anuais e levantam outras questões que ainda devem ser estudadas a fundo.

A pesquisa foi publicada na revista Ecology com o título Killifish eggs can disperse via gut passage through waterfowl e o material para esta matéria foi provido pelos responsáveis da pesquisa.