Vacinas e autismo: não há ligação entre os dois como dizem

Estudo envolvendo mais de 655 mil crianças não encontra ligação entre vacinas e autismo

Estudo mais uma vez desfaz mito da web que diz que vacina tríplice é causadora de autismo.   Read More

789 0

O mito de que as vacinas causam autismo foi desmascarado muitas e muitas vezes. E agora foi refutado novamente.

Em 1998, Andrew Wakefield publicou um estudo que associou a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (vacina tríplice) ao autismo. Wakefild chegou à essa conclusão analisando apenas doze crianças. Porém, os resultados desse estudo não puderam ser replicados, pré-requisito básico em estudos científicos, e mais tarde se descobriu que Wakefield havia falsificado dados.

Outra pesquisa de 2017 ligou o alumínio em vacinas ao autismo. E também foi desconsiderada do meio científico depois que especialistas na área médica notaram que as imagens do paper (artigo científico) haviam sido manipuladas e um dos coautores afirmou que os números do artigo foram deliberadamente alterados antes da publicação.

Causas e consequências do mito das vacinas relacionadas ao autismo

Mesmo assim, o mito que correlaciona vacina ao autismo ainda vive e se espalha pela internet. E isso especialmente em sites com pouca ou nenhuma credibilidade em busca de mais acessos. A consequência dessas fake news (notícias faltas), como ficaram conhecidos os boatos de internet, já podem ser percebidas na prática: casos de sarampo dobraram no último ano. Com o alto risco de um surto global da doença fez com que o Unicef, órgão das Nações Unidas que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, publicar um alerta no Brasil. Atualmente, nosso país é terceiro com maior alta nos casos de sarampo.

Mas não só as correntes cibernéticas e sites sensacionalistas podem ser apontados como responsáveis pelo retorno do sarampo e outras doenças, como pólio, difteria e rubéola. Essa situação que levou adolescentes dos Estados Unidos a se vacinarem sem o consentimento de seus pais. Muitos desses tutores ficaram alarmados com a onda de desinformação sobre a vacinação de seus filhos.

Vacinas não causa autismo.
Vacinar os filhos é sinal de amor. Não há nenhuma relação entre vacinas e autismo. (Foto: reprodução)

Há outra causa apontada por especialistas da baixa adesão às vacinas. Ela diz respeito ao próprio sucesso das campanhas de vacinação anteriores. Houve uma ampla cobertura vacinal alcançada por programas de vacinação dos anos oitenta e noventa do século passado. E com isso, uma geração inteira de jovens sadios cresceu sem ver os malefícios daquelas doenças. Agora, muitos pais dessa geração descuidam da vacinação de seus filhos ou são mais suscetíveis a aderirem as correntes alarmistas da internet.

Felizmente, um amplo estudo sobre vacinas e autismo concluiu que não há ligação entre os dois — como já garantiam os especialistas. Isso mesmo em crianças que possuem um risco maior de desenvolver o transtorno do espectro autista (TEA). E os autores também fizeram outra descoberta. Crianças não vacinadas têm maior probabilidade de serem diagnosticadas com autismo do que as que receberam vacinas.

Leia também: movimentos anti-vacinas fizeram 37 pessoas morrerem de sarampo este ano na Europa

O novo estudo: vacinas não causa autismo

O recém-publicado estudo chegou aos resultados a partir de uma ampla pesquisa. Nele foram acompanhas 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010, incluindo 6.517 crianças que foram diagnosticadas com TEA. E a investigação descobriu que as crianças que têm irmãos com autismo apresentam sete vezes mais probabilidade de serem diagnosticadas com a condição do que as crianças sem história familiar do transtorno. E mais: os meninos possuem quatro vezes mais chances de serem diagnosticados do que as meninas.

No entanto, mesmo nesse grupo de maior risco não foi encontrada relação entre ser vacinado e ser diagnosticado com autismo. Em contraste, a equipe holandesa de pesquisadores descobriu que os cinco por cento das crianças do estudo que não foram vacinas tiveram dezessete por cento mais chances de serem diagnosticadas com autismo do que aquelas que receberam as vacinas.

“O estudo apoia fortemente que a vacina tríplice não aumenta o risco de autismo, não desencadeia o autismo em crianças suscetíveis e não está associada ao agrupamento de casos de autismo após a vacinação”, escreveram os quatro autores no artigo científico, cientistas do renomado Statens Serum Institut de Copenhague, Dinamarca. A publicação do artigo ocorreu no Annals of Internal Medicine, uma das revistas médicas mais citadas e influentes do mundo, está na edição online deste 05 de março. 

Referência

  1. HVIID, Anders et al. Measles, Mumps, Rubella Vaccination and Autism: A Nationwide Cohort Study, Ann. Intern. Med.,05 de mar. de 2019. DOI: 10.7326/M18-2101.
Publicação arquivada em