AstronomiaRevelada a primeira imagem da explosão de meteoro na Terra do ano passado

Um meteoro causou uma enorme explosão sobre a Terra no ano passado, mas ninguém noticiou o evento até bem recentemente.
Diógenes Henrique4 meses atrásImagem em cores do meteoro que caiu sobre o Pacífico Norte em uma grande bola de fogo. Em dezembro de 2018, o satélite #Himawari do Japão registrou o evento, que está realmente claro aqui - bola de fogo laranja brilhante contra o fundo azul e branco. (Crédito: Himawari/JMA/Simon Proud - @simon_sat no Twitter)
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Um meteoro causou uma enorme explosão sobre a Terra no ano passado, mas ninguém noticiou o evento até bem recentemente.

Pode não parecer muito, mas este rastro marrom-alaranjado destacado na foto a seguir é o resultado da terceira maior explosão de meteoro na Terra nos tempos modernos. Uma enorme explosão de meteoro atingiu a Terra em dezembro, mas só foi detectada por pesquisadores na semana passada, e agora temos evidências visuais graças à câmera do satélite geoestacionário japonês Himawari-8.

A trilha de fumaça da entrada do meteoro foi registrada às 23h50 GMT no mesmo local sobre o Mar de Bering que foi registrado pelos sensores de monitoramento da NASA. A trajetória é quase vertical, mostrando que ela entrou na atmosfera muito rapidamente. E é possível ver uma longa sombra e fina lançada pelo evento contra a camada de nuvens logo abaixo.

Imagem em cores do meteoro que caiu sobre o Pacífico Norte em uma grande bola de fogo. Em dezembro de 2018, o satélite #Himawari do Japão registrou o evento, que está realmente claro aqui - bola de fogo laranja brilhante contra o fundo azul e branco. (Crédito: Himawari/JMA/Simon Proud - @simon_sat no Twitter)
Imagem em cores (clique para maior resolução) do meteoro que caiu sobre o Pacífico Norte em uma grande bola de fogo. Em dezembro de 2018, o satélite #Himawari do Japão registrou o evento, que está realmente claro aqui – bola de fogo laranja brilhante contra o fundo azul e branco. (Crédito: Himawari/JMA/Simon Proud – @simon_sat no Twitter)

Simon Proud, um especialista em segurança da aviação e meteorologista da Universidade de Oxford, que compartilhou a imagem no Twitter, disse: “Tenho certeza de que é o rastro do meteoro”. E Proud ainda escreveu: “Aparece nas imagens na hora certa, está no local certo, a coluna de fumaça é quase vertical e a fumaça é muito alta. Muito mais alto que qualquer nuvem naquela região e muito alto para ser um rastro de condensação de avião (ou contrail)”.

Essa explosão de meteoro de 2018 e informada agora é a terceira maior em tempos modernos. Fica atrás de uma explosão na região russa de Chelyabinsk em 2013 e uma explosão massiva que ocorreu na Sibéria, na Rússia, em 1908, conhecida como o evento de Tunguska. Essa explosão de Tunguska foi tão poderosa que derrubou cerca de 80 milhões de árvores em uma área de mais de dois mil quilômetros quadrados. A gigantesca bola de fogo chegou às 23h50 em 18 de dezembro sobre o Mar de Bering (58,6N 174,2W), uma parte do Oceano Pacífico entre a Rússia e o Alasca.

Imagem da bola de fogo de Chelyabinsk registrada a cerca de 200k do evento, em 15 de fevereiro de 2013. Crédito: Flikr/Alex Alishevskikh
Imagem da bola de fogo de Chelyabinsk registrada a cerca de 200k do evento, em 15 de fevereiro de 2013. Crédito: Flikr/Alex Alishevskikh

Despercebido, até agora

Peter Brown, da Universidade de Western Ontario, no Canadá, detectou o meteoro em medições captadas por pelo menos 16 estações de monitoramento ao redor da Terra. Estimativas dão conta que o meteoro tinha dez metros de diâmetro e uma massa de 1400 toneladas.

A rocha espacial impactou a atmosfera terrestre com uma energia aproximada de 173 kilotons de TNT, o que equivale a um terço da energia do evento de Chelyabinsk, escreveu Brow em sua conta no Twitter. A energia de impacto foi cerca de dez vezes maior que a da bomba atômica lançada sobre Hiroshima em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial.

“O meteoro explodiu em uma bola de fogo ao entrar na atmosfera da Terra”, disse à New Scientist Alan Fitzsimmons, da Queen’s University, em Belfast, no Reino Unido. “Provavelmente foi espetacular”.

A explosão foi detectada por estações de infra-sons em todo o mundo. Essas estações captam ondas acústicas de baixa frequência inaudíveis para seres humanos. O objetivo inicial dessa rede de estações era detectar explosões durante o período da guerra fria.

Bolas de fogo mostrada no mapa, somente as maiores que três kilotoneladas. (Fonte: CNEOS/NASA)
Bolas de fogo mostrada no mapa, somente as maiores que três kilotoneladas. (Fonte: CNEOS/NASA)

“Quando você vê essas ondas de infra-ondas, você sabe imediatamente que houve um impacto ou uma grande liberação de energia”, diz Fitzsimmons.

A triangulação da localização e da origem de uma explosão requer a combinação de dados de ondas de pressão de várias estações de monitoramento, o que pode explicar a demora nos dados tornados públicos agora.

A explosão do Mar de Bering também foi detectada por monitores do governo dos EUA que detectam bolas de fogo: seus sensores detectam radiação eletromagnética na forma de luz infravermelha e visível.

Imagem (clique para ver em maior resolução) em preto e branco do registro do satélite japonês Himawari que captou a trilha de fumaça (quase vertical) do meteoro. Essa trajetória indica que o meteoro entrou na atmosfera muito rápido. É possível também ver a longa sombra da trilha projetada sobre as nuvens abaixo. (Crédito: Himawari/JMA/Simon Proud – @simon_sat no Twitter)

Asteroides próximos da Terra

Vários grupos de monitoramento examinam regularmente o céu em busca de asteroides próximos da Terra, os chamados NEA’s (sigla para Near-Earth asteroids) diz Chris Mattmann, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, Jet Propulsion Laboratory) da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos.

Para esse monitoramento, a agência usa um sistema de verificação que examina um catálogo de asteroides conhecidos para possibilidades de impactos futuros no próximo século.

Objetos pequenos frequentemente atingem a Terra, diz Brandon Johnson, da Brown University, em Rhode Island, estado dos Estados Unidos. “Se você sair em uma noite clara, você verá pequenos meteoroides queimando na atmosfera”, diz ele. E porque 75% da Terra é coberta por oceanos, muitos não são relatados pelos cientistas.

Contudo, impactos maiores são mais raros, porque asteroides maiores são menos comuns. Mas dados de levantamentos de asteroides de diâmetros entre 5 a 50 metros sugerem que esses objetos deveriam atingir a Terra com menos frequência do que realmente acontece.

Leia mais em “Terra está lamentavelmente despreparada para um choque com um cometa ou asteroide”

“Isso implica que pode haver mais asteroides pequenos do que estamos realmente vendo nesses telescópios”, diz Fitzsimmons. Os telescópios atuais são mais capazes de detectar objetos de várias centenas de metros ou mais de diâmetro, e menos sensíveis a objetos menores. Mas isso vai mudar no futuro conforme a tecnologia melhorar, diz ele.

O monitoramento de asteroides também pode ser afetado pelo lixo espacial. E particularmente pelo aumento no número de satélites, à medida que os satélites em miniatura se tornam disponíveis mais comercialmente, diz Mattmann.

“Nós realmente devemos tentar rastrear mais corpos para tamanhos menores, para que possamos entender melhor a ameaça desses tipos de explosões de bolas de fogo”, diz Johnson.

Com informações da New Scientist.