MedicinaVacina contra o zika vírus pode estar em proteína derivada de mosquitos

Ao visar a proteína AgBR1 encontrada na saliva dos mosquitos Aedes aegypti, que transmitem o zika vírus, os pesquisadores reduziram a infecção pelo zika em cobaias.
Diógenes Henrique4 meses atrásAedes aegypti (Foto: reprodução)
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Ao visar uma proteína encontrada na saliva de mosquitos transmissores do zika vírus, os pesquisadores de Yale reduziram a transmissão pelo zika em ratos. A descoberta demonstra como os pesquisadores podem desenvolver uma vacina contra o zika e vírus semelhantes transmitidos por mosquitos, afirmam os autores do estudo.

Não há vacina ou terapia atual para a infecção pelo zika vírus, que causou doenças substanciais, incluindo defeitos congênitos, durante o surto de 2015 que afetou mais de um milhão de pessoas nas Américas. O vírus Zika teve sua primeira aparição registrada em 1947, quando foi encontrado em macacos da Floresta Zika, em Uganda. Entretanto, somente em 1954 os primeiros casos em seres humanos foram relatados, na Nigéria. O vírus Zika atingiu a Oceania em 2007 e a Polinésia Francesa no ano de 2013. O Brasil notificou os primeiros casos de Zika vírus em 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Atualmente, sua presença já está documentada em cerca de 70 países.

Histórico da doença e transmissão

O vírus zika teve sua primeira aparição registrada em 1947, quando foi encontrado em macacos da Floresta Zika, em Uganda. Entretanto, somente em 1954 os primeiros casos em seres humanos foram relatados, na Nigéria. O vírus zika atingiu a Oceania em 2007 e a Polinésia Francesa no ano de 2013. O Brasil notificou os primeiros casos de zika, como ficou conhecida a doença causada pelo vírus, em 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Atualmente, sua presença já está documentada em cerca de 70 países.

O contágio principal pelo zika vírus, também chamado de vírus da zika, se dá pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que serve de vetor para o vírus da dengue. Após se alimentar com sangue de alguém contaminado, pode transportar a zika (ou febre zika ou ainda febre por vírus zica) durante toda a sua vida, transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ela.

O ciclo de transmissão da zika vírus do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti profícuo em sua velocidade de reprodução e um mosquito adulto vive em média quarenta e cinco dias. Quando uma pessoa é picada, demora no geral de 3 a 12 dias para o vírus causar os sintomas da doença.

O vírus zika ficou conhecido por atacar o cérebro em desenvolvimento em fetos, deixando os bebês com graves sequelas congênitas. O vírus zika varreu o hemisfério ocidental no ano passado, infectando milhões e resultando em milhares de bebês nascendo com a microcefalia, uma condição de nascença e incurável.

Aedes aegypti (Foto: reprodução)
Dada a crescente incidência de transmissão de zika vírus em todo o mundo, o recente estudo, publicado por pesquisadores da Universidade Yale, podem fornecer uma estratégia eficaz, sustentável e abrangente para reduzir o efeito de doenças transmitidas por mosquitos da família de flavivírus. (Foto: reprodução)

Uma fonte de uma potencial estratégia de vacina contra a zika está no próprio mosquito Aedes aegypti. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Yale, Estados Unidos, concentrou-se recentemente em proteínas encontradas na saliva desses mosquitos e em como elas podem afetar a transmissão do zika.

Leia mais em “Zika pode se tornar uma arma no combate de tumor cerebral mortal”

Olhando para o futuro

Liderado pelo chefe da Seção de Doenças Infecciosas de Yale, Erol Fikrig, a equipe isolou anticorpos do sangue de ratos picados por Aedes aegypti infectados. Os pesquisadores, então, realizaram uma triagem genômica para identificar as proteínas do mosquito e testaram as proteínas quanto ao seu efeito na cultura celular, bem como nas cobaias infectadas, contra o zika vírus. Eles identificaram uma proteína, a AgBR1, que agravou a infecção por zika nos ratos.

Em outros experimentos, os pesquisadores examinaram como o bloqueio do AgBR1 pode influenciar a doença causada pelo zika. Eles desenvolveram um antissoro AgBR1 e deram a camundongos, que foram então picados por mosquitos infectados pelo vírus Zika. A equipe observou que o antissoro reduziu o nível de zika vírus nos animais ao longo do tempo e que também forneceu proteção parcial contra doença.

O estudo mostra que os anticorpos contra a proteína do mosquito podem proteger os animais da infecção pelo vírus Zika. Embora mais pesquisas sejam necessárias, esses resultados podem levar a uma vacina. “O objetivo final seria desenvolver uma vacina que seja eficaz contra o vírus, pesquisando uma proteína salivar”, disse Fikrig.

Fikrig e sua equipe planejam estudar proteínas adicionais para verificar se elas têm um efeito similar sobre a doença. Se a abordagem das proteínas alvo for confirmada, ela poderia permitir o desenvolvimento de vacinas contra outros vírus transmitidos por mosquitos da mesma família de flavivírus, a mesma dos vírus da dengue, febre chikungunya e da febre amarela, como os que causam a dengue e a Febre do Nilo Ocidental (ou FNO).

“Pode ser uma nova estratégia”, disse Fikrig. “Se esta proteína for importante no combate a outros flavivírus, poderia ser importante no combate a outras doenças”.

A pesquisa foi publicada na Nature Microbiology.

Referências:

  1. Uraki, Ryuta et al. Aedes aegypti AgBR1 antibodies modulate early Zika virus infection of mice, Nature Microbiology (2019), SN – 2058-5276
    DOI 10.1038/s41564-019-0385-x;
  2. Kashef, Ziba. Protection from Zika virus may lie in a protein derived from mosquitoes, Yale University (2019) <https://news.yale.edu/2019/03/11/protection-zika-virus-may-lie-protein-derived-mosquitoes>. Acesso em 11 de março de 2019.