Estudo explica como surge o raríssimo e misterioso raio globular, ou "bola de raio"

Estudo explica como surge o raríssimo e misterioso raio globular, ou “bola de raio”

Uma solução matemática para explicar o nascimento do raio globular.

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Em um artigo publicado no  Atmospheres, intitulado “The Birth of Ball Lightning“, os cientistas do CSIRO e da Universidade Nacional da Austrália apresentam uma nova teoria matemática que explica como e por que o raio globular ocorre.

Teorias concorrentes anteriores citaram a radiação de microondas de nuvens trovejantes, aerossóis oxidantes, energia nuclear, matéria escura, antimatéria e até mesmo buracos negros como possíveis causas.

Liderada pelo cientista da CSIRO, John Lowke, a nova teoria se concentra em como a “bola de raio” ocorre em casas e aviões – e como ela pode passar através do vidro. Sua teoria também propõe que a “bola de raio” é causada quando os íons restantes (energia elétrica), que são muito densos, são varridos para o chão após um relâmpago.

“Uma prova crucial de qualquer teoria da ‘bola de raio’ seria se a teoria pudesse ser usada para fazer uma “bola de raio”. Este é o primeiro artigo que dá uma solução matemática explicando o nascimento, ou o início do raio globular”, diz Lowke.

Lowke propõe que a “bola de raio” ocorre em casas e aviões quando um fluxo de íons se acumula no lado de fora de uma janela de vidro e o campo elétrico resultante no outro lado excita as moléculas de ar para formar uma descarga de bola. A descarga requer um campo elétrico de condução de cerca de um milhão de volts.

“Outras teorias sugerem que a “bola de raio” é criada pela queima lenta de partículas de silício formadas em um relâmpago, mas isso é falho. Uma das observações de um raio globular citadas neste artigo ocorreu quando não houve tempestade e foi conduzida por íons do radar da aeronave operado em potência máxima durante um denso nevoeiro”.

Lowke usou relatos de testemunhas oculares dos raios globulares por dois ex-pilotos da Força Aérea dos EUA para verificar a teoria. O ex-tenente da Força Aérea dos Estados Unidos, Don Smith, lembra: “Depois de voar por cerca de 15 minutos, surgiram no randome (cobertura de radar) dois chifres do fogo de Saint Elmo. Parecia que o avião agora tinha chifres de touro … o azul da eletricidade”.

O artigo de Lowke apresenta a primeira solução matemática que explica o nascimento ou o início de um raio globular usando equações padrão para o movimento de elétrons e íons. Ele argumenta que é único porque não só explica o nascimento da bola, mas também como ela pode se formar no vidro e parece passar através dele, resultando em globos de luz nas casas das pessoas ou nos cockpits dos aviões. [Phys]

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