Foguete SpaceX Falcon 9 lança satélite do Qatar do Centro Espacial Kennedy e pousa no mar
 

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Um foguete SpaceX Falcon 9 lançou o satélite de comunicações comerciais Es'hail-2 do Centro Espacial Kennedy na quinta-feira, 15 de novembro de 2018.
Diógenes Henrique16 de novembro de 201816 min

Ressoando de uma plataforma do lançamento do Centro Espacial Kennedy (KSC, na sigla em inglês), que poderá vir a hospedar astronautas novamente no próximo verão, um foguete Falcon 9 decolou na quinta-feira à tarde, dia 15, no 18º voo do ano da SpaceX, igualando a alta marca da empresa no ano passado.

No horário de 15h46, nove motores Merlin acenderam sob um foguete reaproveitado (que havia lançado uma missão em julho para levantar o foguete de dois estágios) de 70 metros (de 230 pés) do Complexo de Lançamento 39A com o Es’hail-2, um satélite de comunicações do Catar.

Os propulsores empurraram o satélite em segurança a partir do estágio superior do foguete menos de 33 minutos depois, após o booster (o primeiro estágio do foguete) ter pousado pela segunda vez em uma balsa no Oceano Atlântico, tornando-o disponível para um terceiro voo em potencial. E a empresa SpaceX já conseguiu pousar 31 boosters em menos de três anos.

A próxima vez que um Falcon 9 for lançado do KSC poderá ser o primeiro lançamento teste, sem tripulantes a bordo, de uma cápsula do Dragon projetada para transportar astronautas. A NASA assegurou nesta semana que a missão de demonstração da Estação Espacial Internacional continua em preparação para janeiro.

A SpaceX e a Boeing podem estar prontas para lançar pilotos de teste em junho do ano que vem — os primeiros voos dos astronautas a partir de solo americano desde a missão final da NASA em 2011.

Uma nuvem de vapor se forma em torno do nariz do foguete SpaceX Falcon 9 carregando o satélite Es’Hail-2 para o espaço nesta foto deslumbrante do lançamento do Kennedy Space Center da NASA na Flórida em 15 de novembro de 2018. Crédito: SpaceX

O lançamento de quinta-feira foi o primeiro de um Falcon 9 do KSC desde a instalação de um braço de acesso que os astronautas cruzarão pouco antes de apertarem os cintos de segurança nas Dragons tripuladas. O contrato do Programa de Tripulação Comercial da NASA não exigiu que a SpaceX usasse a nova plataforma para a tripulação, mas disse que a missão do satélite proporcionou uma experiência valiosa que serviu de teste para antes dos lançamentos das futuras Dragons com os astronautas.

“Os nossos engenheiros e equipes de lançamento da NASA estarão monitorando o lançamento como parte de suas atividades normais de percepção e compreensão”, disse Cheryl Warner, porta-voz da NASA. “Lançamentos da LC39A são uma ótima oportunidade para exercitar a plataforma de lançamento e os procedimentos que serão usados para voos de tripulação comercial no próximo ano”, informou o Florida Today.

O satélite Es’hail-2 se unirá ao Es’hail-1, lançado em 2013, fornecendo serviços de telecomunicações, incluindo notícias e transmissões esportivas para o Oriente Médio e o Norte da África, para estações como a Al Jazeera e beIN Sports.

O satélite também faz história como o primeiro a transportar transponders de rádio amadores para uma alta órbita geoestacionária, onde os satélites combinam com a velocidade da rotação da Terra e aparentam quanto vistos do solo como pairando em posições fixas sobre a Terra.

Até agora, os operadores de radioamador tinham que capturar breves passagens dos satélites em órbitas baixas com áreas de cobertura pequenas. O alto local de Es’hail-2, por outro lado, permitirá que ele veja um terço do planeta o tempo todo durante os 15 ou mais anos em que se espera que esteja operante.

Isso permitirá que os operadores de radioamadores de longe, como Brasil e Tailândia, se comuniquem entre si, trocando mensagens de voz ou código Morse, bem como imagens de TV digital – outra “primeira” nessa órbita. A pegada do satélite não inclui os Estados Unidos, onde os operadores de radioamadores esperam um dia ter acesso a um satélite semelhante.

A organização sem fins lucrativos Radio Amateur Satellite Corporation, na Alemanha, ou AMSAT-DL, liderou o projeto em parceria com o proprietário do satélite, Es’hailSat, e a Sociedade Radioamadora do Catar.

“A ideia por trás disso é promover a educação na área de engenharia e espaço entre jovens e engenheiros”, disse Peter Guelzow, presidente da organização, ao Florida Today. “E outro grande fator para o Catar é de fato a comunicação por desastres no caso de uma catástrofe e, em geral, o modo positivo como as operadoras de rádio amadores se comunicam, aprendem uns com os outros e fazem amigos, independentemente de religião ou política.”

A SpaceX pode estar a poucos dias de alcançar outro importante marco — o terceiro voo de um booster ou propulsor de primeiro estágio de um Falcon 9. A empresa planeja lançar mais de 60 pequenos satélites da Califórnia na segunda-feira, 19 de novembro.

Já em dezembro, a SpaceX planeja uma missão de reabastecimento da Estação Espacial Internacional e seu primeiro lançamento de um satélite de Cabo Canaveral para o Sistema de Posicionamento Global (GPS) para a Força Aérea dos Estados Unidos.

A Eastern Range também aguarda uma atualização sobre o status de um foguete Northrop Grumman Pegasus XL, após sua primeira tentativa na semana passada de lançar a missão científica ICON da NASA.

A cápsula Dragon sendo preparada para o teste. A Dragon é a promessa de um o veículo de transporte de astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS). Crédito: SpaceX

Lançando e pousando novamente

Após uma pausa de um mês de voos espaciais, a SpaceX realizou com sucesso outro lançamento de foguete e conseguiu pousar o primeiro estágio na Flórida na tarde de quinta-feira, 15 de novembro, enviando um satélite de comunicações para o Catar.

Esse lançamento marcou a 18ª missão da SpaceX em 2018, que iguala o recorde da empresa em 2017 no número de lançamentos feitos em um ano. A companhia ainda tem uma porção de missões planejadas para este ano, fazendo com que seja muito provável que a empresa estabeleça um novo recorde em breve.

Para essa missão do dia 15, a SpaceX empregou outro de seus boosters usados, um booster Falcon 9 que lançou o satélite Telstar 19 VANTAGE em julho. Depois dessa missão, o foguete pousou em uma das balsas autônomas da SpaceX no Oceano Atlântico. E a companhia realizou exatamente o mesmo feito após o lançamento dessa quinta. Com este voo bem-sucedido, este propulsor de primeiro estágio de Falcon 9 em particular poderia ser capaz de voar uma terceira vez em um futuro próximo.

O foguete SpaceX Falcon 9, que transporta o satélite Es’Hail-2, do Qatar, sobe ao espaço nesta visão de longa exposição do lançamento a partir da Pad 39A do Kennedy Space Center (KSC) da NASA, na Flórida, em 15 de novembro de 2018. Crédito: SpaceX

Mesmo que tenha reutilizado o seu foguete Falcon 9 num total de 16 vezes, até agora não voou um único primeiro estágio mais de duas vezes. E isso está prestes a mudar. Um lançamento de um foguete Falcon 9 com um booster três vezes reutilizado deve ocorrer em 19 de novembro, na Base da Força Aérea de Vandenberg, a noroeste de Lompoc, na Califórnia.

A tentativa da SpaceX em voar um booster três vezes está bem próxima agora. Após esse lançamento desta semana, o próximo voo programado da empresa é a missão SSO-A, com um compartilhamento de carga que enviará mais de 64 pequenos satélites para a órbita baixa da Terra. Vários executivos da SpaceX disseram que o voo usará um foguete que já voou duas vezes. É um feito possível agora que a SpaceX está realizando o mais recente upgrade do Falcon 9, o Block 5, que foi projetado para tornar os veículos mais fáceis de serem reutilizados após um voo, ou seja, com esse upagrade os boosters necessitarão de menos reformas para serem reutilizados em um novo lançamento.

Segundo o que tudo indica até agora, conforme informações do site Everday Astronaut, esse booster três vezes utilizado não será recuperado. [Florida Today / The Verge / Space.com]