NotíciaSatélite caçador de exoplanetas chega à Flórida para etapa final de testes para lançamento

Diógenes Henrique2 anos atrásConcepção artística do TESS em órbita. Crédito: NASA
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O Transiting Exoplanet Survey Satellite – TESS, ou Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito, da NASA chegou ao Centro Espacial Kennedy na Flórida para testes finais, abastecimento e junção a um lançador Falcon 9 para decolagem em meados de abril — com um atraso de quase um mês para permitir tempo adicional para a SpaceX preparar o foguete para o missão.

Uma vez lançado, o TESS digitalizará o céu com quatro câmeras astronômicas de campo amplo, buscando vestígios periódicos no brilho de mais de 200.000 estrelas mais próximas e mais brilhantes. O vestígio que o TESS buscará é escurecimento delas em intervalos regulares de tempo, um sinal revelador de um planeta passando na frente da estrela.

O satélite chegou à base de lançamento da Flórida na segunda-feira, dia 12, após uma viagem de caminhão da fábrica da Orbital ATK em Dulles, na Virgínia, Estados Unidos. Os engenheiros e técnicos preparam o TESS para ser lançado dentro das instalações do Payload Hazardous Servicing Facility (ou PHSF), nome pomposo da sala limpa da NASA que pode ser traduzido para Instalação de Assistência a Carga Útil de Risco, no Centro Espacial Kennedy, a mesma sala limpa usada na preparação da Cassini, da New Horizons, da Mars Rovers, da OSIRIS-REx e de inúmeras outras missões antes de seus respectivos lançamentos.

O lançamento do TESS estava programado para não antes de 20 de março partindo de Cabo Canaveral, mas a NASA anunciou quinta-feira (15) uma nova data de lançamento não antes do dia 16 de abril. Essa data de lançamento está pendente de aprovação do Eastern Range das Forças Armadas dos Estados Unidos, que fornece rastreamento, comunicações e suporte de segurança para todas as missões com o uso de foguetes em Cabo Canaveral e em todo o território do país.

Um porta-voz da NASA disse que a “SpaceX solicitou um tempo adicional para a preparação do hardware e para atender aos requisitos de serviços da missão de lançamento da NASA”.

Chuck Dovale, gerente adjunto do Programa de Serviços de Lançamento da NASA no Kennedy Space Center, disse, em uma entrevista realizada no dia 31 de janeiro, que o TESS voará a bordo de uma nova versão “Block 4” do foguete Falcon 9 da SpaceX. A SpaceX vinha realizando uma retirada gradual dessa configuração do Falcon 9 no final deste ano, à medida que a atualização “Block 5” do foguete comece a operar.

O telescópio caçador de planetas TESS está pronto para se tornar a primeira missão científica da NASA a ser lançada a partir de um foguete SpaceX Falcon 9 de Cabo Canevaral, Flórida. As missões comerciais de reabastecimento da SpaceX para a Estação Espacial Internacional são gerenciadas sob um programa diferente e o último voo do Falcon 9 com supervisão do Programa de Serviços de Lançamento da NASA ocorreu em 2016 partindo da plataforma de lançamento na Vandenberg Air Force Base, na Califórnia.

“Esse é o nosso primeiro [primeiro voo com um] Falcon da Costa Leste, para esse nosso programa”, disse Dovale. “É um grande passo para nós”.

Os responsáveis pela missão disseram que o TESS está atualmente previsto para ser lançado da plataforma do Complexo 40 de Cabo Canaveral, um dos dois locais de lançamento operados pela SpaceX no porto espacial da Flórida. Mas a SpaceX tem a opção de reatribuir o lançamento para a plataforma 39A localizada nas proximidades do Kennedy Space Center.

A NASA já aprovou o uso de propulsores de foguete Falcon 9 já utilizados em missões para a Estação Espacial Internacional e Dovale disse que os engenheiros estão em processo de certificação de foguetes reutilizados para lançamentos de missões científicas mais onerosas, incluindo telescópios como TESS e sondas interplanetárias.

O Satélite de Pesquisa de Exoplanetas por Trânsito (ou TESS) foi fotografado dentro do PHSF no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, depois de chegar, em 12 de fevereiro, de uma viagem da Virginia. Crédito: NASA / Kim Shiflett
O Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (ou TESS) foi fotografado dentro do PHSF no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, depois de chegar, em 12 de fevereiro, de uma viagem da Virginia. Crédito: NASA / Kim Shiflett

O TESS será posto em uma órbita preliminar em forma de ovo, que se estenderá até 250.000 quilômetros  (155.000 milhas) da Terra, cerca de 60% da distância Terra-Lua. Uma vez destacado do segundo estágio do Falcon 9, o satélite TESS, de aproximadamente 370 quilos  (ou 815 libras), acionará seus propulsores para aumentar o arco para uma órbita ainda mais distante a fim de interceptar a órbita da Lua.

Na seguida, O TESS vai dar uma volta pela Lua, usará a gravidade lunar para um estilingue até a órbita operacional da missão. Uma importante manobra final irá direcionar o satélite em um caminho que o rodeará uma vez a cada duas semanas em uma ressonância 2: 1 com a Lua, com distâncias entre 108.000 quilômetros (67.000 milhas) e 376.000 quilômetros (233.000 milhas) da Terra.

“O Falcon 9 faz boa parte do lançamento para nós e ,depois, a Lua faz a maior parte do resto [da missão]”, disse Robert Lockwood, diretor do programa TESS na Orbital ATK.

Levará cerca de dois meses para o TESS se instalar em sua órbita incomum e completar os testes pós-lançamento. Então, os cientistas usarão o observatório em uma missão de dois anos à procura de exoplanetas, mundos que orbitam outras estrelas.

As câmeras do TESS, desenvolvidas pelo Instituto Kavli para Astrofísica e Pesquisa Espacial, e pelo Laboratório Lincoln, ambos do MIT, passarão a maioria de cada órbita observando as estrelas. Quando o satélite se aproxima do perigeu, seu ponto mais próximo da Terra a aproximadamente três vezes mais distante do que o cinturão geoestacionário, o TESS irá baixar os dados científicos através de uma antena de banda Ka.

Os cientistas esperam encontrar milhares de exoplanetas com o TESS, incluindo alguns mundos rochosos do tamanho da Terra. O TESS irá identificar os principais alvos para as observações de acompanhamento com o telescópio espacial James Webb, previsto para ser posto em órbita já no próximo ano. As câmeras e os espectrômetros do Webb serão capazes de medir a composição química das atmosferas dos planetas, dizendo aos astrônomos quais dos mundos podem ser habitáveis.

O TESS é sequência da missão Kepler da NASA, lançada em 2009, que continua pesquisando seções no céu em busca de assinaturas de exoplanetas. A nova  fase da missão com o TESS examinará uma faixa mais larga do céu do que o Kepler.

A dinâmica orbital única necessária para manobrar o TESS em sua órbita final impedirá a missão de ser lançada em determinados dias. As janelas de lançamento serão determinadas principalmente pela posição da Lua, fornecendo uma série de datas de potenciais lançamentos, seguido por alguns períodos em que o lançamento não pode ocorrer.

Os engenheiros da Orbital ATK terminaram a instalação das câmeras de ciência no satélite TESS no ano passado, e depois executaram no satélite uma série de testes de vibração, acústicos e térmicos para garantir que ele sobreviverá às condições extremas do lançamento e do voo espacial.

“Toda a nossa fase de teste já ficou para trás, então ele está totalmente integrada [em um sistema único]”, disse Lockwood em entrevista ao site especializado em tecnologia e notícias aeroespaciais Spaceflight Now.

Agora com o satélite em mãos, os engenheiros da missão voltarão a verificar o desempenho do TESS para garantir que ele resistiu à viagem da Virgínia até a Flórida. Os engenheiros irão abrir os painéis solares do satélite, testá-los e reembalá-los, e depois encher os tanques do satélite com aproximadamente 45 quilos (100 libras) de combustível hidrazina para o motor principal e para os propulsores de controle do satélite.

Na sequência, o TESS será colocado e encapsulado dentro do compartimento de carga útil do Falcon 9 antes do seu transporte para o hangar da SpaceX na plataforma 40 para ser anexado ao topo do foguete de dois estágios.

Fonte: Spaceflight Now e NASA.