Cientistas descobriram o fóssil de humano moderno mais antigo fora da África
 

ArqueologiaGeografiaHistóriaTraduçõesCientistas descobriram o fóssil de humano moderno mais antigo fora da África

Élisson Amboni27 de janeiro de 20187 min

Uma vasta equipe internacional de pesquisa descobriu o mais antigo fóssil humano moderno já encontrado fora da África. O achado sugere que os humanos modernos deixaram o continente africano 50 mil anos antes do que se pensava anteriormente.

“Misliya é uma descoberta fascinante”, diz Rolf Quam, professor de antropologia da Universidade de Binghamton e co-autor do estudo. “Ela fornece a evidência mais clara que nossos antepassados migraram para além da África muito mais cedo do que acreditávamos antes”. Isso também significa que os seres humanos modernos estão potencialmente reunidos e interagindo por um longo período de tempo com outros grupos humanos arcaicos, proporcionando mais oportunidades para trocas culturais e biológicas.”

O fóssil, um maxilar superior com vários dentes, foi encontrado em um sítio chamado de Caverna de Misliya, em Israel, um dos vários locais de cavernas pré-históricas localizados no Monte Carmelo. Várias técnicas de datação aplicadas a materiais arqueológicos e o próprio fóssil sugerem que o maxilar possui entre 175.000 e 200.000 anos de idade, regressando a migração humana para fora da África a pelo menos 50.000 anos do que antes era imaginado.

Os pesquisadores analisaram os restos fósseis baseados em varreduras microCT e modelos virtuais 3D e o compararam com outros fósseis de hominídeos da África, Europa e Ásia.

“Enquanto todos os detalhes anatômicos no fóssil de Misliya são totalmente consistentes com os humanos modernos, algumas características também são encontradas em Neandertals e outros grupos humanos”, disse Quam, professor associado de antropologia em Binghamton. “Um dos desafios neste estudo foi a identificação de características em Misliya que são encontradas apenas em seres humanos modernos. Essas são as características que fornecem o sinal mais claro do que o fóssil de Misliya representa”.

A evidência arqueológica revela que os habitantes da caverna de Misliya eram capazes de caçar grandes espécies, controlavam a produção de fogo e tinham associação a alguns tipos de ferramentas feitas de pedras no Paleolítico Médio, semelhante ao encontrado com os primeiros humanos modernos na África.

Enquanto fósseis mais antigos de humanos modernos foram encontrados na África, o tempo e as rotas da migração humana moderna para fora da África são questões-chaves para a compreensão da evolução de nossa própria espécie, disseram os pesquisadores. A região do Oriente Médio representa um importante corredor para as migrações hominídeas durante o Pleistoceno e tem sido ocupada em diferentes momentos tanto por humanos modernos quanto por neandertais.

Esta nova descoberta abre as portas para a substituição demográfica ou mistura genética com populações locais antes do que se pensava, disse Quam. De fato, a evidência de Misliya é consistente com sugestões recentes baseadas em DNA antigo de uma migração anterior, antes de 220.000 anos atrás, de humanos modernos para fora da África. Várias descobertas arqueológicas e de fósseis recentes na Ásia também estão regressando a primeira aparição dos humanos modernos pela região e, por implicação, a migração para além da África.

Fonte: ScienceDaily

Referência:

  1. Israel Hershkovitz, Gerhard W. Weber, Rolf Quam, Mathieu Duval, Rainer Grün, Leslie Kinsley, Avner Ayalon, Miryam Bar-Matthews, Helene Valladas, Norbert Mercier, Juan Luis Arsuaga, María Martinón-Torres, José María Bermúdez de Castro, Cinzia Fornai, Laura Martín-Francés, Rachel Sarig, Hila May, Viktoria A. Krenn, Viviane Slon, Laura Rodríguez, Rebeca García, Carlos Lorenzo, Jose Miguel Carretero, Amos Frumkin, Ruth Shahack-Gross, Daniella E. Bar-Yosef Mayer, Yaming Cui, Xinzhi Wu, Natan Peled, Iris Groman-Yaroslavski, Lior Weissbrod, Reuven Yeshurun, Alexander Tsatskin, Yossi Zaidner, Mina Weinstein-Evron. The earliest modern humans outside AfricaScience, 26 Jan 2018 456-459 DOI: 10.1126/science.aap8369