NASA conclui teste de paraquedas do rover Mars 2020
 

AstrofísicaAstronomiaNASA conclui teste de paraquedas do rover Mars 2020

Diógenes Henrique17 de novembro de 201714 min

De David Dickinson para a revista Sky&Telescope

Um lançamento suborbital das instalações de Wallops testou uma peça crítica do pouso do rover marciano a ser lançado em 2020.

A maior parte do drama na história do voo espacial ocorre invisível em mundos remotos no sistema solar. Nenhum olho humano estava disponível, por exemplo, para ver o clímax dos “sete minutos de terror” da Curiosity à medida que esse rover descia para a superfície marciana em 2012.

Agora, a NASA lançou um incrível novo vídeo de um teste chave mostrando uma pequena amostra do que um futuro pouso semelhante ao do Curiosity pode parecer – o teste dos paraquedas da missão Mars 2020, que enviará um novo veículo ao planeta.

No início da manhã de 14 de outubro de 2017, a NASA lançou um foguete suborbital Black Brant IX com o Advanced Supersonic Parachute Inlation Research Experiment (ASPIRE). A NASA realizou o lançamento de sua instalação de voos em Wallops, a Wallops Flight Facility na Virgínia, para o meio do Atlântico.

O objetivo da curta missão suborbital: testar uma cópia do paraquedas que irá abrandar a descida do rover da missão Mars 2020, pois ele irá chegar a Marte abordo de sua nave a 5,36 quilômetros por segundo (12.000 mph ou 19.312,13 km/h).

“É um percurso bastante selvagem”, diz Ian Clark, do Laboratório de Propulsão a Jato (Jet Propulsion Laboratory – JPL) da NASA, Pasadena, em um comunicado de imprensa recente1. “A imagem da nossa primeira inflação de paraquedas é quase tão espantosa de se ver como também é cientificamente significativa”. As câmeras de bordo instaladas no segundo estágio do foguete nos dão uma visão incrível de exatamente como uma nave espacial que se lança violentamente em direção ao Planeta Vermelho desenrola seu paraquedas.

Este não é um paraquedas comum. Pousar em Marte é desafiador, já que a tênue atmosfera marciana é significativa o suficiente para que os engenheiros tenham que levá-la em consideração. O pesado paraquedas, feito de nylon, aramida e kevlar, será estendido a quase 160,93 km/h (ou 100 mph).

Um foguete Black Brant IX, de 17,68 metros de altura, lançado da Wallops Flight Facility da NASA em 4 de outubro. Este foi o primeiro da série de testes de paraquedas o Advanced Supersonic Parachute Inlation Research Experiment, ou ASPIRE, da missão Mars 2020, . Créditos: NASA / Wallops
Um foguete Black Brant IX, de 17,68 metros de altura, lançado da Wallops Flight Facility da NASA em 4 de outubro. Este foi o primeiro de uma série de testes do paraquedas Advanced Supersonic Parachute Inlation Research Experiment, ou ASPIRE, da missão Mars 2020. Créditos: NASA / Wallops

Um “percurso selvagem” para a ciência

O foguete Black Brant IX levou o ASPIRE para uma altitude máxima de 51 quilômetros. Os sensores a bordo dispararam 42 segundos depois já a uma altitude de 42 quilômetros. Quando o conjunto atingiu 1,8 vezes a velocidade do som, os sensores sinalizavam que as condições atmosféricas externas e a velocidade tinham sido alcançadas para simular a entrada na atmosfera marciana e o paraquedas foi acionado. Exatos 35 minutos após o lançamento, o ASPIRE caiu no mar a 55 quilômetros a sudeste de Wallops, no Oceano Atlântico. (Tenha em mente esses números ao comparar esse teste com o teste de balão de 3 horas para os primeiros precursores da Viking realizado em White Sands Missile Range, no sul do Novo México, em julho e agosto de 1972.)

O veículo de teste “Balloon Launched Decelerator Test Vehicle” utilizado para as missões Viking a Marte em exibição no museu White Sands Missile Range Museum. Crédito: Dave Dickinson
O veículo de teste “Balloon Launched Decelerator Test Vehicle” utilizado para as missões Viking a Marte em exibição no museu White Sands Missile Range Museum. Crédito: Dave Dickinson

O paraquedas ASPIRE é quase uma reprodução exata do paraquedas usado para diminuir a velocidade do rover Curiosity levado a Marte dentro sonda Mars Science Laboratory durante a dramática descida de seu sky crane em 2012. Você pode ver o longo paraquedas se abrir na versão em câmera lenta do vídeo. Os engenheiros irão estudar o vídeo quadro a quadro para garantir que o paraquedas funcionou adequadamente e para ver se são necessárias modificações no projeto. A NASA planeja realizar outro teste com o ASPIRE no início do ano que vem, em fevereiro de 2018.

Preparando-se para Marte

Do tamanho de um carro SUV e alimentado com uma bateria nuclear, semelhante ao Curiosioty, o rover Mars 2020 terá como meta de estudo especificamente questões relacionadas a habitabilidade passada de Marte e se a vida já existiu por lá. Previsto para ser lançado em julho de 2020, o rover Mars 2020 terá como alvo de local de pouso um dos três locais de desembarque previstos par ser escolhido no próximo ano.

O paraquedas é um componente crítico do complicado processo de pouso. O sucesso recente do ASPIRE se segue após testes menos bem-sucedidos do Decelerator Supersônico de Baixa Densidade (Low Density Supersonic Decelerator) também da NASA. O paraquedas de LDSD foi destruído logo após ser liberado durante os testes de balão lançado de Kauai, Hawai’i, em 2014 (ver vídeo abaixo) e 2015.

Tudo tem que funcionar exatamente e na sequência certa. A Agência Espacial Europeia perdeu seu Módulo de Demonstração de Entrada, Descida e Desembarque Schiaparelli devido a um erro de interpretação de altitude no ano passado, em 19 de outubro de 2016, fazendo com que ele despencasse a 3,7 quilômetros de altura. O Mars Polar Lander da NASA, construído ao custo de dez milhões de dólares, sofreu um destino semelhante em 3 de dezembro de 1999, quando um indicador de apoio ao pouso defeituoso – o culpado mais provável – fez com o que o mecanismo de frenagem fosse desligado prematuramente, fazendo o veículo te um pouso difícil.

A NASA realmente tem um bom histórico de pouso em Marte, tendo perdido apenas um lander num total de oito tentativas totais. Mas as dificuldades passadas são a razão pela qual os engenheiros testam o hardware aqui na Terra e depois o submete novamente a novos experimentos. Esperemos que estejamos evitando o “Ghoul Galactic“, a lenda de um monstro espacial fictício no planeta Marte que supostamente consome as sondas enviadas ao planeta, com um planejamento e preparação cuidadosos de outro delicioso artefato espacial humano destinado Marte.

Fonte: Sky&Telescope (adaptado).

Referência:

  1. GREICIUS, T. NASA’s Mars 2020 Mission Performs First Supersonic Parachute Test. NASA. 14 nov. 2017, Disponível em https://www.nasa.gov/feature/jpl/nasas-mars-2020-mission-performs-first-supersonic-parachute-test Acesso em 17 nov. 2017.