Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) emergiu muito antes da introdução da meticilina nas práticas clínicas
 

BiologiaStaphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) emergiu muito antes da introdução da meticilina nas práticas clínicas

Pedro Noah27 de julho de 201787 min

De acordo com um novo estudo publicado na revista Genome Biology, o uso de meticilina não foi o principal fator na evolução da bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) como se pensava até então. Em vez disso, foi o uso generalizado de antibióticos, como a penicilina, nos anos anteriores à introdução da meticilina o responsável por tal resistência.

“Nosso estudo fornece evidências importantes para futuros esforços do combate a resistência aos antibióticos”, disse o autor principal Professor Matthew Holden, um microbiologista molecular da University of St Andrews.

“Isso mostra que os novos medicamentos que são introduzidos para contornar mecanismos de resistência já conhecidos, como a meticilina foi em 1959, podem tornar-se ineficazes por adaptações pré-existentes, que ainda não são conhecidas, na população bacteriana.”

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“Essas adaptações ocorrem porque – em resposta à exposição a antibióticos anteriores – as bactérias resistentes são selecionadas em vez das não-resistentes à medida que elas se desenvolvem.”

O professor Holden e os co-autores descobriram que Staphylococcus aureus adquiriu o gene mecA – um gene que confere resistência à meticilina produzindo uma proteína chamada proteína de ligação à penicilina 2a (PBP2a) – já em meados da década de 1940, cerca de 14 anos antes do primeiro uso de meticilina.

A introdução da penicilina na década de 1940 levou à seleção das cepas de Staphylococcus aureus que já carregavam esse gene.

“Dentro de um ano da meticilina sendo introduzida para contornar a resistência à penicilina, pela primeira vez verificou-se cepas de S. aureus que já eram resistentes à meticilina”, disse o primeiro autor do estudo, Dr. Catriona Harkins, professor clínico em dermatologia da University of Dundee.

“Nos anos que se seguiram, a resistência se espalhou rapidamente dentro e fora do Reino Unido.”

As datas de introdução da penicilina e da meticilina em uso clínico no Reino Unido são indicadas com linhas verdes e vermelhas, respectivamente. Crétidos: Catriona P. Harkins, et al.
As datas de introdução da penicilina e da meticilina em uso clínico no Reino Unido são representadas pelas linhas verdes e vermelhas, respectivamente. Crétidos: Catriona P. Harkins, et al.

“Cinco décadas após a aparição da primeira MRSA, surgiram várias linhagens de MRSA com diferentes variantes do gene de resistência.”

Para descobrir as origens do primeiro MRSA e traçar sua história evolutiva, a equipe sequenciou os genomas dos primeiros 209 S. aureus isolados de uma coleção única de bactérias resistentes à meticilina que foram recuperadas na Europa entre 1960 e 1989.

Nessa coleção, os pesquisadores também encontraram genes isolados que conferem resistência a vários outros antibióticos, e genes que estariam associados à diminuição da suscetibilidade aos bactericidas.

“Este continua sendo um dos muitos desafios para enfrentar o crescente problema da resistência antimicrobiana.”

“A fim de garantir que os futuros antibióticos mantenham a sua eficácia durante o maior tempo possível, é essencial que os mecanismos de vigilância eficazes sejam combinados com o uso do sequenciamento do genoma para verificar o surgimento e a propagação da resistência.”

Referências

Catriona P. Harkins et al. 2017. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus emerged long before the introduction of methicillin into clinical practice. Genome Biology 18 (130); DOI: 10.1186/s13059-017-1252-9

Fonte: Sci News