Respostas curtas a perguntas difíceis sobre mudanças climáticas
 

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Diógenes Henrique2 anos atrás51 minJames Yang para o The New York Times

De Justin Gillis para o The New York Times

O assunto pode ser desnorteante. A ciência é complicada. E as previsões sobre o destino do planeta carregam ressalvas sem fim e alguns asteriscos. Nós entendemos.

Então, juntamos uma lista de respostas rápidas às perguntas mais frequentes sobre mudanças climáticas. Isso pode dar-lhe um ótimo começo na compreensão do problema.

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1. Quanto o planeta está aquecendo?

Dois graus. E essa é realmente uma quantidade significativa.

A partir do início de 2017, a Terra tinha aquecido cerca de 1,4 graus Fahrenheit, ou mais de 0,8 graus Celsius, desde 1880, quando os registros começaram em uma escala global, de acordo com um estudo do Goddard Institute for Space Studies (GISS) da NASA. E essa valor inclui a superfície do oceano. O aquecimento é maior sobre a terra, e ainda maior no Ártico e em partes da Antártida.

O número pode soar baixo. Nós experimentamos mudanças de temperatura muito maiores em nossas vidas cotidianas devido a mudanças das estações do ano e fenômenos climáticos. Mas quando você mede em todo o planeta e ao longo de meses ou anos, as diferenças de temperatura ficam muito menores — a variação na superfície da Terra de um ano para o outro é medida em frações de um grau. Assim, um aumento de 1,4 graus Fahrenheit (ou 0,8 grau Celsius) desde o século 19 é realmente alto.

O aquecimento substancial que já ocorreu explica por que grande parte do gelo terrestre do planeta está começando a derreter e os oceanos estão aumentando a um ritmo acelerado. O calor acumulado na Terra por causa das emissões humanas é aproximadamente igual ao calor que seria liberado por 400.000 bombas atômicas de Hiroshima explodindo em todo o planeta todos os dias.

Os cientistas acreditam que a maioria e, provavelmente, todo o aquecimento desde 1950 foi causada pelo lançamento por ação humana de gases de efeito estufa. Se as emissões continuarem sem controle, eles dizem que o aquecimento global poderia, em última instância, exceder 8 graus Fahrenheit (4,5 graus Celsius), o que transformaria o planeta e prejudicaria sua capacidade de sustentar boa parte da população humana.


2. Qual o tamanho da encrenca em que estamos?

Para as gerações futuras, um grande problema.

Os riscos são muito maiores a longo prazo do que nas próximas décadas, mas as emissões que criam esses riscos estão acontecendo agora. Isso significa que a geração atual de humanos está condenando as gerações futuras a um futuro mais difícil.

Quão difícil?

Nos próximos 25 ou 30 anos, dizem os cientistas, o clima provavelmente se assemelhará ao de hoje, embora gradualmente se aquecendo, com mais ondas de calor extremas que podem matar pessoas vulneráveis. As chuvas serão mais pesadas em muitas partes do mundo, mas os períodos entre as chuvas provavelmente se tornarão mais quentes e mais secos. O número de furacões e tufões pode realmente cair, mas os que ocorrem tirarão energia de uma superfície oceânica mais quente e, portanto, podem ser mais intensos. As inundações costeiras crescerão mais freqüentemente e mas prejudiciais, como já está acontecendo.

A longo prazo, se as emissões continuarem a subir sem controle, os riscos são profundos. Os cientistas temem efeitos climáticos tão graves que podem desestabilizar governos, produzir ondas de refugiados, precipitar a sexta extinção em massa de plantas e animais na história da Terra e derreter as calotas polares, fazendo com que os níveis dos mares aumentem o suficiente para inundar a maioria dos cidades costeiras do mundo.

Tudo isso pode demorar cerca de centenas ou mesmo milhares de anos, mas os especialistas não descartam mudanças abruptas, como o colapso da agricultura, que levaria a civilização ao caos muito mais cedo. Os esforços mais arrojados para limitar as emissões reduziriam esses riscos, ou pelo menos diminuíram os efeitos, mas já é muito tarde para eliminar os riscos inteiramente.


3. Existe alguma coisa que eu possa fazer?

Voe menos, dirija menos, desperdice menos.

Você pode reduzir sua própria pegada de carbono de muitas maneiras simples, e a maioria delas ainda lhe economizará dinheiro. Você pode conter vazamentos no isolamento da sua casa para economizar energia, instalar um termostato inteligente, trocar as lâmpadas para outras mais eficientes, desligar as luzes em qualquer local onde você não esteja usando, dirigir menos quilômetros, combinar viagens ou usar o transporte público, produzir menos resíduos de comida e coma menos carne.

Talvez a melhor coisa que cada um pode fazer por conta própria é fazer menos viagens de avião; apenas um ou dois passeios de avião a menos por ano podem economizar tanto em emissões quanto todas as outras ações combinadas. Se você quer estar na vanguarda, você pode considerar em comprar um carro elétrico ou híbrido ou colocar painéis solares em seu telhado, ou ambos.

Se você deseja compensar suas emissões, você pode comprar certificados, destinando o dinheiro a projetos que protejam as florestas, captem gases de efeito estufa e assim por diante. Algumas companhias aéreas vendem esses certificados para compensar as emissões de gases do efeito estufa de seus vôos. Você também pode comprar certificados de compensação em um mercado privado, de empresas como o TerraPass; algumas pessoas até dão isso como presentes de férias. Em estados que permitem que você escolha seu próprio fornecedor de eletricidade, você geralmente pode optar por comprar eletricidade verde; se paga um pouco mais, mas o dinheiro entra em um fundo que ajuda a financiar projetos como parques eólicos.

As empresas líderes também estão começando a exigir energia limpa para suas operações. Você pode prestar atenção às políticas da empresa, ser cliente regular das líderes e deixar que as outras saibam que você espera que elas se esforcem melhor.

No final, porém, os especialistas não acreditam que a transformação necessária no sistema de energia possa acontecer sem políticas estatais e nacionais fortes. Então, falar sobre seus direitos como cidadão e e exercê-los importa tanto quanto qualquer outra coisa que você possa fazer.


4. Qual é a previsão otimista?

Várias coisas têm que desaparecer do caminho.

No melhor dos casos que os cientistas podem imaginar, várias aspectos mudam: a Terra se tornaria menos sensível aos gases de efeito estufa do que atualmente acreditava; plantas e animais conseguiriam se adaptar às mudanças que já se tornaram inevitáveis; a sociedade humana desenvolveria uma vontade política muito maior que a atual para controlar as emissões; e ocorriam significativos avanços tecnológicos que ajudariam a sociedade a limitar as emissões e se adaptar às mudanças climáticas.

Alguns avanços tecnológicos já estão fazendo a mais energia limpa ser mais atrativa. Nos Estados Unidos, por exemplo, o carvão tem sido derrotado pelo gás natural como fonte de energia, já que novas tecnologias de perfuração tornaram o gás natural mais abundante e mais barato; lembrando que para uma determinada quantidade de energia, o gás reduz as emissões do efeito estufa pela metade. Além disso, o custo da energia eólica e da solar diminuiu tanto que agora são a fonte de energia mais barata em alguns lugares, mesmo sem subsídios.

Infelizmente, cientistas e especialistas em energia dizem que as probabilidades de que todas aquelas coisas que tornaria a previsão otimista realidade aconteçam não são muito altas. A Terra poderia facilmente se tornar mais sensível aos gases do efeito estufa com a mesma facilidade. O aquecimento global parece já estar causando o caos em partes do mundo natural, e isso parece ser pior, não melhor. Assim, na visão dos especialistas, simplesmente se basear em suposições roas sem qualquer plano real é muito perigoso. Eles acreditam que a única maneira de limitar os riscos é limitando as emissões.


5. Reduzir carne na minha dieta realmente ajudará o clima?

Sim, carne bovina especialmente.

A agricultura de todos os tipos produz gases de efeito estufa que aquecem o planeta, mas a produção de carne é especialmente prejudicial — e a carne bovina é a forma mais prejudicial de todas para o meio ambiente. Alguns métodos de criação de gado exigem muita terra, contribuindo para uma ampla destruição das florestas; as árvores geralmente são queimadas, liberando dióxido de carbono na atmosfera. Outros métodos requerem enormes quantidades de água e fertilizantes para produzir alimentos para o gado.

E os próprios animais produzem emissões de metano, um potente gás de efeito estufa que causa aquecimento a curto prazo. O consumo de carne está aumentando em todo o mundo à medida que a população cresce e à medida que o desenvolvimento econômico torna as pessoas mais ricas e mais capazes de comprar carne.

Essa tendência é preocupante. Estudos descobriram que, se o mundo inteiro começasse a comer carne bovina na taxa que os americanos comem, produzida pelos métodos tipicamente usados nos Estados Unidos, isso, sozinho, poderia fazer sumir qualquer chance de ficar abaixo do limite acordado internacionalmente para o aquecimento global. A produção de carne de porco produz emissões um pouco menores do que a produção de carne bovina e o frango ainda menos. Assim, reduzir o consumo de carne, ou mudar de carne bovina e suína para a carne de frango, na sua dieta são movimentos na direção certa. É claro que, como com qualquer tipo de mudança comportamental, para beneficiar o clima, isso só fará a diferença se muitas outras pessoas o fizerem também, reduzindo a demanda global por produtos à base de carne.


6. Qual a pior previsão?

Há muitas.

Isso na verdade é difícil de dizer, o que é uma razão pela qual os cientistas estão insistindo na urgência de que as emissões de gases do efeito estufa sejam cortadas; eles querem limitar a possibilidade de o pior caso vir a acontecer.

Talvez a maior preocupação seja um colapso na produção de alimentos, acompanhado de preços crescentes e fome em massa. Não está claro o quão provável isso seria, uma vez que os agricultores podem, até certo ponto, ajustar suas culturas e suas técnicas agrícolas para se adaptar às mudanças climáticas. Mas já vimos ondas de calor contribuir para grandes perdas nos cultivos. Uma década atrás, uma grande queda nos preços dos grãos precipitou tumultos alimentares em todo o mundo e levou ao colapso de pelo menos um governo, no Haiti.

Outra possibilidade seria a desintegração das calotas de gelo polares, levando a um rápido aumento dos níveis dos mares, o que forçariam as pessoas a abandonar muitas das grandes cidades do mundo e levariam à perda de trilhões de dólares em bens e outros ativos. Em lugares como a Flórida e a Virgínia, as cidades já estão começando a ter problemas com inundações costeiras.

Os cientistas também estão preocupados com outros eventos de difícil previsão. Será que as monções asiáticas se tornarão menos confiáveis, por exemplo? Bilhões de pessoas dependem das monções* para fornecer água para as culturas, de modo que quaisquer interrupção pode ser catastrófica. Outra possibilidade é uma degradação em larga escala dos padrões de circulação no oceano, o que poderia levar a mudanças repentinas e radicais do clima em todos os continentes.

*Monções: ventos periódicos, característicos do sudoeste asiático, que, no Brasil, sopra na direção norte no outono e inverno e na direção sul no verão e primavera, segundo o Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.


7. Um avanço tecnológico nos ajudará?

Mesmo Bill Gates diz que não conta com isso, a menos que o dinheiro já esteja garantido.

À medida que mais empresas, governos e pesquisadores se dedicam ao problema, as chances de grandes avanços tecnológicos estão melhorando. Mas mesmo muitos especialistas que estão otimistas em relação às soluções tecnológicas alertam que os esforços atuais não são suficientes. Por exemplo, os gastos com pesquisa de base em energia são apenas um quarto da terça parte do nível que vários relatórios detalhados recomendaram. E as despesas públicas em pesquisas agrícolas estagnaram, embora as mudanças climáticas representem riscos crescentes para o fornecimento de alimentos. Pessoas como Bill Gates argumentaram que cruzar os dedos e esperar milagres tecnológicos não é uma estratégia — temos que gastar dinheiro de modo a tornar esses avanços tecnológicos mais prováveis de acontecer.


8. Quanto os níveis dos mares irão aumentar?

A verdadeira questão não é o quão alto os níveis chegarão, mas a que velocidade.

O oceano está aumentando a uma taxa de cerca de trinta centímetros por século. Isso causa efeitos graves nas orlas, forçando governos e proprietários a gastar dezenas de bilhões de dólares no combater à erosão. Mas se essa taxa de aumento de 30 cm/século continuar assim, provavelmente isso seria administrável, dizem os especialistas.

O risco é que essa taxa acelere acentuadamente. Se as emissões continuarem descontroladas, a temperatura na superfície da Terra pode em breve se assemelhar a de uma época passada chamada Plioceno, quando uma grande quantidade de gelo derreteu e o oceano subiu cerca de 24,4 metros em relação ao nível atual. Um estudo recente descobriu que a queima de todos os combustíveis fósseis que ainda estão no subsolo derreteria totalmente as calotas polares, aumentando o nível do mar em mais de 50 a 60 metros em um intervalo de tempo ainda desconhecido. Muitos especialistas acreditam que, mesmo que as emissões cessem amanhã, 4,6 ou 6,1 metros de aumento do nível do mar já são inevitáveis.

A questão crucial provavelmente não é o quanto os oceanos vão subir, mas o quão rápido. E nesse ponto, os cientistas estão realmente voando no escuro. A informação mais segura para eles vem de estudar a história da Terra, a qual sugere que a taxa pode ocasionalmente atingir 30,5 centímetros por década, o que provavelmente pode ser considerado o pior caso. Mesmo que o aumento seja muito mais lento, muitas das grandes cidades do mundo irão eventualmente serem inundadas. Estudos sugerem que os grandes cortes nas emissões podem desacelerar o aumento dos níveis dos mares, possibilitando o ganho de um tempo extra crucial para que a sociedade se adapte a um litoral alterado.


9. As previsões são confiáveis?

Elas não são perfeitas, mas estão fundamentadas em ciência sólida.


A ideia de que a Terra é sensível aos gases de efeito estufa é confirmada por 
muitas linhas de evidências científicas. Por exemplo, a física básica sugerindo que o aumento do dióxido de carbono aprisiona mais calor foi descoberto no século 19, e foi verificada em milhares de experimentos laboratoriais.

A ciência climática contém incertezas, é claro. A maior é o grau em que o aquecimento global desencadeia as consequências negativas retroalimentáveis, como o derretimento do gelo marinho que irá escurecer a superfície e isso irá permitir uma maior absorção de calor, o que vai gerar maior derretimento do gelo polar e assim por diante. Não está claro exatamente o quanto os feedbacks irão intensificar o aquecimento; alguns poderiam até compensá-lo parcialmente. Esta incerteza significa que as previsões de computador podem dar apenas uma série de possibilidades climáticas futuras, e não previsões absolutas.

Mas mesmo que essas previsões das simulações em computador não existissem, uma grande quantidade de evidências sugere que os cientistas têm os fundamentos corretos. A evidência mais importante vem do estudo das condições climáticas passadas, um campo conhecido como pesquisa paleoclimática. A quantidade de dióxido de carbono no ar flutuou naturalmente no passado, e toda vez que essa quantidade sobe, a Terra se aquece, o gelo derrete e o oceano aumenta. A cem milhas no interior da costa leste onde hoje é os Estados Unidos, conchas marítimas podem ser escavadas em antigas praias de três milhões de anos, um piscar de olhos no tempo geológico.

Estas condições passadas não são um guia perfeito para o futuro, porque os seres humanos estão bombeando dióxido de carbono no ar muito mais rápido do que a natureza já fez. Mas elas mostram que seria uma tolice assumir que a sociedade moderna está de alguma forma imune a ameaçadoras mudanças em grande escala.


10. Por que as pessoas questionam a ciência das mudanças climáticas?

Dica: ideologia.

A maioria dos ataques à ciência climática vem de libertários e outros conservadores políticos que não gostam das políticas propostas para combater o aquecimento global. Em vez de negociar sobre essas políticas e tentar torná-las mais sujeitas aos princípios do mercado livre, aqueles ideólogos adotaram a abordagem do bloqueio às medidas mitigadoras das mudanças climáticas e do aquecimento global, tentando minar as alegações da ciência.

Essa posição ideológica foi apoiada pelo dinheiro com interesses em combustíveis fósseis, pagando para criar organizações, conferências de doadores e outros. Os argumentos científicos feitos por esses grupos geralmente envolvem utilização seletiva de dados (cherry-picking data), como se concentrar em interpretações de curto prazo nos registros de temperatura ou do gelo marinho, ignorando as tendências a longo prazo.

A versão mais extrema do negação climática é afirmar que os cientistas estão envolvidos em um engodo mundial para enganar o público para que o governo possa ter maior controle sobre a vida das pessoas. À medida que os argumentos se tornaram mais difíceis, muitas empresas do petróleo e do carvão mineral começaram a distanciar-se publicamente da negação climática, mas algumas ainda estão ajudando a financiar as campanhas de políticos que defendem esses pontos de vista.


11. O tempo louco está ligado às mudanças climáticas?

Em alguns casos, sim.

Os cientistas publicaram evidências fortes de que o aquecimento do clima faz ondas de calor se tornarem mais frequentes e intensas. Também está causando chuva com tempestades mais pesadas, e as inundações costeiras estão piorando à medida que os oceanos aumentam devido às emissões humanas. O aquecimento global intensificou as secas em regiões como o Oriente Médio, e pode ter fortalecido uma seca na Califórnia em 2015.

Em muitos outros casos, porém, a conexão do aquecimento global com determinadas tendências é incerta ou contestada. Isso se deve em parte devido à falta de bons registros históricos meteorológicos, e também porque não está cientificamente claro como certos tipos de eventos podem ser influenciados pelas mudanças climáticas.

Outro fator: enquanto o clima está mudando, as percepções das pessoas podem estar mudando mais rapidamente. A Internet tornou todos nós mais conscientes de catástrofes climáticas em lugares distantes. Nas mídias sociais, as pessoas tendem a atribuir praticamente qualquer desastre às mudanças climáticas, mas, em muitos casos, há pouco ou nenhum apoio científico para fazê-lo.


12. Alguém se beneficiará do aquecimento global?

De certa forma, sim.

Países com vastos interiores congelados, incluindo o Canadá e a Rússia, podem ver algum benefício econômico, pois o aquecimento global faz com que a agricultura, a mineração e a atividades semelhantes se tornarem possíveis nesses lugares. Talvez não seja uma coincidência que os russos sempre tenham relutado em assumir compromissos climáticos ambiciosos, e o presidente Vladimir V. Putin questionou publicamente as evidências cientificas que corroboram as mudanças climáticas.

No entanto, ambos os países poderiam sofrer danos enormes em seus recursos naturais; A escalada de incêndios na Rússia já está matando milhões de hectares de florestas por ano. Além disso, alguns especialistas acreditam que os países que se veem como prováveis vencedores do aquecimento global virão a ver a questão de forma diferente, uma vez que eles serão o destino de milhões de refugiados saindo de terras menos afortunadas ou inundadas.


13. Existe alguma razão para a esperança?

Se você compartilhar isso com 50 amigos, talvez.

Os cientistas advertem desde a década de 1980 que políticas fortes são necessárias para limitar as emissões. Aqueles avisos foram ignorados, e os gases de efeito estufa na atmosfera foram autorizados a construir níveis potencialmente perigosos. Então o momento de agir está ficando tarde.

Mas, após 20 anos de diplomacia em grande parte infrutíferas, os governos do mundo estão finalmente começando a levar o problema a sério. Um acordo alcançado em Paris no final de 2015 engaja quase todos os países em algum tipo de ação. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu a pouco retirar os Estados Unidos desse acordo, alegando que esse acordo atrapalha injustamente as empresas americanas. Mas outros países estão prometendo continuar com medidas assumidas no Acordo de Paris, e alguns estados e cidades desafiaram Trump ao adotar metas climáticas mais ambiciosas.

Líderes religiosos como o Papa Francisco estão manifestando sua discordância. As tecnologias de baixas emissões, como os carros elétricos, estão melhorando. Empresas líderes estão fazendo promessas ousadas de mudar para energia renovável e parar a destruição da floresta.

O que ainda está em falta em grande parte em tudo isso são as vozes dos cidadãos comuns. Como os políticos têm dificuldade em pensar além das próximas eleições, eles tendem a enfrentar problemas difíceis apenas quando o público se levanta e exige isso.


14. Como a agricultura afeta a mudança climática?

A agricultura é um dos grandes contribuintes para o aquecimento global, mas há sinais de progresso.

As pressões ambientais globais sobre a agricultura são enormes. A demanda global por carne bovina e, por conseguinte, para área de pasto para os animais, por exemplo, levou os pecuaristas a cortar grandes extensões da floresta amazônica.

O Brasil adotou um rigoroso controle e conseguiu reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% em uma década. Mas os ganhos são frágeis, e os problemas graves continuam em outras partes do mundo, como o desmatamento agressivo na Indonésia.

Parcelas de empresas e organizações, incluindo grandes fabricantes de produtos de consumo, assinaram uma declaração em Nova York em 2014 (ficou conhecida como Cúpula de Nova York), comprometendo-se a reduzir o desmatamento pela metade até 2020 e a eliminá-lo completamente até 2030. As empresas que assinaram o pacto estão agora discutindo como cumprir essa promessa.

Muitos especialistas em florestas consideram o compromisso difícil, mas possível. Eles dizem que os consumidores devem manter a pressão sobre as empresas que usam ingredientes como o óleo de palma em produtos que vão desde sabão e batom até sorvete. As pessoas também podem ajudar a causa, alterando suas hábitos alimentares para comerem menos carne e, principalmente, menos carne bovina.


15. Os mares se elevarão uniformemente em todo o planeta?

Pense um bocado.

Muitas pessoas imaginam que o oceano é como uma banheira, onde o nível da água é constante o tempo todo. Na verdade, o mar é bastante irregular — ventos fortes e outros fatores podem fazer com que a água se acumule em alguns pontos e seja menor nos outros.

Além disso, as enormes placas de gelo na Groenlândia e na Antártica exercem uma atração gravitacional no mar, atraindo uma porção de água em suas direções. À medida que derretem, os níveis do mar em sua vizinhança cairão à medida que a água é redistribuída para áreas distantes.

Como o oceano em ascensão afetará determinadas partes do mundo, portanto, dependerá da camada de gelo que derrete mais rapidamente, de como os ventos e as correntes mudam e de outros fatores. Além disso, algumas áreas costeiras estão afundando enquanto o mar sobe, então essas áreas recebem um duplo golpe.


16. O que são “emissões de carbono?”

Eis uma explicação curta.

Os gases de efeito estufa que estão sendo liberados pelas atividades humanas são muitas vezes chamados de “emissões de carbono”, apenas para taquigrafia. Isso ocorre porque os dois mais importantes dos gases, o dióxido de carbono e o metano, contêm carbono. Muitos outros gases também prendem o calor perto da superfície da Terra, e muitas atividades humanas causam a liberação desses gases para a atmosfera.

Nem todos estes realmente contêm carbono, mas todos vieram a ser referidos da mesma forma pelos taquígrafos.

De longe, o maior fator que causa o aquecimento global é a queima de combustíveis fósseis para geração eletricidade e para o transporte. Esse processo leva carbono que esteve no subterrâneo durante milhões de anos e o libera para a atmosfera, como dióxido de carbono, onde influenciará o clima durante muitos séculos no futuro. O metano é ainda mais potente do que o dióxido de carbono ao atrapalhar a liberação de calor, mas se quebra mais rapidamente no ar. O metano provém de pântanos, da decomposição de alimentos em aterros sanitários, do gado de corte e para a produção leiteira e de vazamentos em poços de gás natural e em gasodutos.

Embora as emissões de combustíveis fósseis sejam o principal problema, outro grande criador de emissões é a destruição das florestas, particularmente nos trópicos. Milhões de toneladas de carbono estar armazenadas em árvores e, quando as florestas são varridas do mapa, grande parte da vegetação é queimada, enviando esse carbono para o ar como dióxido de carbono.

Quando você ouve a respeito de impostos sobre carbono, comércio de carbono e assim por diante, estas são apenas descrições abreviadas de métodos projetados para limitar as emissões de gases de efeito estufa ou para torná-los mais caros para que as pessoas sejam incentivadas a economizar combustível fósseis ou a procurar fontes limpas que atendam às suas necessidade.

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Texto adaptado de “Short Answers to Hard Questions About Climate Change” do The New York Times.