AstrofísicaAstronomiaCiênciaCosmologiaEngenharia aeroespacialVeja imagens surpreendentes nunca vistas antes do grande ponto vermelho de Júpiter

Diógenes Henrique2 anos atrásClose na Grande Mancha Vermelha. Créditos: NASA/SwRI/MSSS/Gerald Eichstädt/Seán Doran
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Na segunda-feira, um objeto construído pela humanidade chegou onde nenhum outro artefato humano jamais esteve: próximo da tempestade mais icônica e furiosa no Sistema Solar.

Essa tempestade, claro, é a Grande Mancha Vermelha (GMV) de Júpiter, um anticiclone que tem se revolvido há centenas de anos, preso entre duas das faixas de jatos de gases do planeta. É uma tempestade do dobro do tamanho da Terra, e as velocidades do vento estão em cerca de 640 quilômetros por hora. E no início desta semana, a nave espacial Juno da NASA mergulhou a 5.600 milhas acima da turbulência para examinar mais de perto o que está acontecendo.

A passagem da sonda Juno sobre a Grande Mancha Vermelha, que está encolhendo nos últimos anos, foi concluída no último dia dez. Os dados chegaram à Terra ontem (12 de julho) e no mesmo dia a agência espacial dos Estados Unidos, a NASA, liberou em seu site as imagens brutas, aquelas que ainda não foram tratadas. (As imagens podem ser conferidas na página da galeria de fotos da Juno.) Na ocasião da passagem da Juno sobre Júpiter, a NASA informou, todos os instrumentos científicos e a JunoCAM estavam operantes.

A sonda Juno passou pelo perijove (o ponto no qual a órbita da sonda mais se aproxima do centro do planeta) em 10 de julho às 22h55 minutos no horário de Brasília (6:55 p.m. PDT ou 9:55 p.m. EDT). No momento do perijove, a espaçonave estava a 3.500 quilômetros do topo das nuvens do planeta. Onze minutos e trinta e três segundos depois, a Juno havia cobrido 39.771 km da superfície do gigante gasoso e passava exatamente acima do grande redemoinho de tempestade púrpura. A Juno passou a 9.000 km acima dessa icônica característica jupiteriana — o mais próximo que qualquer outra sonda já tenha chegado —, declarou a agência espacial estadunidense.

Os astrônomos identificaram a tempestade pela primeira vez por Robert Hooke no ano de 1.665 e este é o vislumbre mais próximo já oferecido à humanidade. A Grande Mancha Vermelha é uma característica inconfundível do planeta Júpiter e tem cerca de 16.000 quilômetros de largura, e é, na verdade, uma grande tempestade que tem sido monitorada desde 1830, informou a NASA, e, acredita-se, tem existido por mais de 350 anos. Atualmente, os cientistas informam que a grande mancha vermelha parece estar encolhendo.

Enquanto os cientistas já sabem que o “Great Red Spot” existe por algum tempo, eles não conhecem a causa de sua cor avermelhada ou o que exatamente mantém em operação de tempestades. Ao aprender mais Júpiter e seu icônico ponto, os pesquisadores da NASA poderiam aplicar suas descobertas para analisar os padrões climáticos aqui na Terra.

Enquanto isso, aproveite o último lote de imagens fornecido pela Juno e pelos experientes editores de fotos astronômica que transformaram os dados brutos de imagem em arte e em imagens deslumbrantes. Inclusive, segundo informa o site Space.com, a agência espacial está recrutando qualquer um que esteja disponível e tenha conhecimentos técnicos suficientes para ajudar a editar as imagens brutas da JunoCAM.

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Imagens sem tratamento da Grande Mancha Vermelha liberadas pela NASA:

 

A nave espacial Juno da NASA capturou esta imagem (aqui sem tratamento) da famosa "pinta de Júpiter", a icônica Grande Mancha Vermelha, durante um sobrevoo em 10 de julho de 2017. Crédito: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS
A nave espacial Juno da NASA capturou esta imagem (aqui sem tratamento) da famosa “pinta de Júpiter”, a icônica Grande Mancha Vermelha, durante um sobrevoo em 10 de julho de 2017. Crédito: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS

 

Outra foto crua do Great Red Spot de Júpiter obtida em 10 de julho de 2017, pela JunoCam a bordo da nave espacial Juno da NASA. Créditos: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS
Outra foto crua do Great Red Spot de Júpiter obtida em 10 de julho de 2017, pela JunoCam a bordo da nave espacial Juno da NASA. Créditos: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS

 

Outra imagem crua da JunoCam do Great Red Spot de Júpiter captada durante o voo de 10 de junho pela sonda Juno. O sobrevoo levou a sonda a 9.000 quilômetros (5.600 milhas) das nuvens da tempestade. Crédito: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS
Outra imagem crua da JunoCam do Great Red Spot de Júpiter captada durante o voo de 10 de junho pela sonda Juno. O sobrevoo levou a sonda a 9.000 quilômetros (5.600 milhas) das nuvens da tempestade. Crédito: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS

A próxima passagem da sonda Juno sobre o planeta gigante irá ocorrer em 1º de setembro. A agência espacial informou também que as imagens brutas (sem tratamento) serão divulgadas nos próximos dias.

A nave espacial Juno foi lançada  em agosto de 2011 a um custo de US$ 1,1 bilhão para investigar a composição, a estrutura interior, a formação e a história evolutiva de Júpiter. A sonda chegou a Júpiter em 4 de julho do ano passado, instalando-se em uma órbita altamente elíptica que leva 53,5 dias terrestres para completar. Assim, completou um ano exato no dia 04 de julho de 2017, às 23h30 (7:30 p.m. PDT ou10:30 p.m. EDT), em órbita de Júpiter, tendo viajado 114,5 milhões de quilômetros em volta do nosso gigante vizinho planetário.A Juno coleta a maioria dos seus dados durante as passagens mais próximas pelo gigante gasoso. As fotos do Great Red Spot foram tiradas durante o último encontro — o sexto voo cientifico que a Juno realizou. (A nave espacial Juno, na verdade, já completou sete “flybys”, se você contar o rasante que ocorreu durante a chegada orbital, quando os instrumentos científicos da Juno estavam desligados.)

A previsão da NASA é que missão de Juno esteja operante até, pelo menos, fevereiro de 2018. Abaixo, algumas fotos já tratadas liberadas no site.

Detalhe da Grande Mancha Vermelha, Perijove 07. Créditos: NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran © PUBLIC DOMAIN
Detalhe da Grande Mancha Vermelha, perijove 07. Créditos: NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran
Detalhe da Grande Mancha Vermelha, Perijove 07. Créditos: NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran © PUBLIC DOMAIN
Detalhe da Grande Mancha Vermelha, Perijove 07. Créditos: NASA / SwRI / MSSS / Gerald Eichstädt / Seán Doran
"Sleepy Eye". Crédito : NASA / SwRI / MSSS / Tom Momary
“Sleepy Eye”. Crédito : NASA / SwRI / MSSS / Tom Momary
"A Little Van Gogh on Jupiter" Uma olhada próxima e com aprimoramento de cores da região abaixo do Great Red Spot, que quase parece uma pintura... Crédito : NASA / SwRI / MSSS / Tom Momary
“A Little Van Gogh on Jupiter” Uma olhada próxima e com aprimoramento de cores da região abaixo do Great Red Spot, que quase parece uma pintura… Crédito : NASA / SwRI / MSSS / Tom Momary

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Referências:

  1. “NASA’s Juno Spacecraft Completes Flyby over Jupiter’s Great Red Spot”. NASA/JPL-Caltech, 11/07/2017. <https://www.nasa.gov/feature/jpl/nasas-juno-spacecraft-completes-flyby-over-jupiter-s-great-red-spot> Acesso em 13/07/2017;
  2.  JunoCAM. NASA. <https://www.missionjuno.swri.edu/junocam/processing?featured=1> Acesso em 13/07/2017;
  3. See Juno Probe’s Amazing Up-Close Views of Jupiter’s Great Red Spot (Photos)“. Sapce.com <https://www.space.com/37471-jupiter-great-red-spot-photos-juno.html?utm_source=facebook&utm_medium=social> Acesso em 13/07/2017;
  4. Falorni, M. The discovery of the Great Red SPOT of Jupiter. Journal of the British Astronomical Association, vol.97, no.4, p.215-219, 1987. <http://adsabs.harvard.edu/full/1987JBAA…97..215F>. Acesso em 13/07/2017