Não há nenhum limite de quanto tempo as pessoas podem viver, concluiu estudo

Não há nenhum limite de quanto tempo as pessoas podem viver, concluiu estudo

O assunto, porém, é controverso. E a ciência parece não ter uma resposta segura para a pergunta “qual o tempo máximo de vida que o ser humano pode chegar?”. A italiana Emma Morano faleceu em abril...

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O assunto, porém, é controverso. E a ciência parece não ter uma resposta segura para a pergunta “qual o tempo máximo de vida que o ser humano pode chegar?”.

A italiana Emma Morano faleceu em abril de 2017 aos 117 anos. Ela foi o ser humano mais velho conhecido.

Os recordistas da longevidade como Morano e Jeanne Calment, da França, que viveu até os 122 anos de idade, continuam fascinando os cientistas. E esses recordes nos levaram a perguntar: quanto tempo no máximo os humanos podem viver?

Em outubro do ano passado , um estudo publicado na Nature concluiu que o limite superior da idade humana atinge um pico de cerca de 115 anos.

Agora, no entanto, um novo estudo na Nature dos biólogos Bryan G. Hughes e Siegfried Hekimi, da Universidade McGill, chegou a uma conclusão completamente diferente. Ao analisar o tempo de vida dos indivíduos mais longevos dos EUA, do Reino Unido, da França e do Japão em todos os anos desde 1968, Hekimi e Hughes não encontraram evidências de que exista o tal limite e, “se esse máximo existe, ainda não foi alcançado ou identificado”, diz Hekimi.

Longe no “futuro previsível”

“Nós simplesmente não sabemos qual é o limite de idade. De fato, ao ampliar as linhas de tendência, pudemos mostrar que a expectativa de vida máxima e média pode continuar a aumentar até um futuro previsível”, diz Hekimi.

Muitas pessoas estão conscientes do que aconteceu com a expectativa de vida média. Em 1920, por exemplo, um recém-nascido canadense poderia esperar viver por 60 anos; um canadense nascido em 1980 poderia esperar por 76 anos, e hoje, a expectativa de vida saltou para 82 anos naquele país. O tempo de vida máximo parece seguir a mesma tendência.

É impossível prever a expectativa de vida futura nos seres humanos, diz Hekimi. Alguns cientistas argumentam que tecnologia, intervenções médicas e melhorias nas condições de vida poderiam repelir o limite superior.

“É difícil dar um palpite”, acrescenta Hekimi. “Trezentos anos atrás, muitas pessoas viveram apenas vidas curtas. Se lhes dissesse que um dia a maioria dos humanos poderia viver até 100, eles teriam dito que estávamos loucos”.

 Limite máximo controverso

O estudo do ano passado de cientistas do Albert Einstein College of Medicine da Universidade Yeshiva, em Nova Iorque, sugeriu que pode não ser possível estender a vida humana para idades além das já conquistadas por aquelas pessoas recordistas no assunto.

Desde o século 19, a expectativa de vida média aumentou quase continuamente graças a melhorias na saúde pública, na dieta, no meio ambiente e em outras áreas. Em média, por exemplo, os bebês dos EUA nascidos hoje podem esperar viver quase até a idade de 79, em comparação com uma expectativa de vida média de apenas 47 anos para os americanos nascidos em 1900. Desde a década de 1970, a duração máxima da vida humana também vem aumentando Mas de acordo com os pesquisadores do Einstein College, esse arco ascendente para a vida máxima tem um teto — e já o tocamos.

Emma Morano fotografada em Verbania no norte da Itália em 14 de maio de 2016. Crédito: MedicalXpress
Emma Morano fotografada em Verbania no norte da Itália em 14 de maio de 2016. Crédito: MedicalXpress

“Os demógrafos, bem como os biólogos, alegam que não há motivo para pensar que o aumento contínuo do máximo da vida acabará em breve”, disse o principal autor do estudo Jan Vijg, Ph.D., professor titular de genética, presidente da cátedra Lola e Saul Kramer em Genética Molecular e professor de oftalmologia e ciências visuais, todos no Albert Einstein College of Medicine. “Mas nossos dados sugerem fortemente que esse limite já foi alcançado e que isso aconteceu na década de 1990”, informou o site MedicalXpress na época da divulgação do estudo.

Indícios de que o máximo já foi alcançado

O Dr. Vijg e seus colegas analisaram os dados do Banco de Dados sobre Mortalidade Humana, que compila dados de mortalidade da população de mais de 40 países. Desde 1900, esses países geralmente mostram um declínio na mortalidade tardia: a fração de cada coorte de nascimento (ou seja, pessoas nascidas em um determinado ano) que sobreviveram à idade avançada (definida como 70 ou mais) aumentou conforme o ano civil de nascimento aumentava, apontando para um aumento contínuo da expectativa média de vida.

Mas quando os pesquisadores analisaram os aumentos de sobrevivência desde 1900 para pessoas de aproximadamente 100 anos de idade, descobriram que os ganhos na sobrevivência atingiram um pico para próximo daquela idade e depois esses ganhos diminuíram rapidamente, independentemente do ano em que as pessoas nasceram. “Este achado indica ganhos decrescentes na redução da mortalidade tardia e um possível limite para a vida humana”, disse o Dr. Vijg.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados “idade máxima relatada na morte” do International Database on Longevity. Eles se concentraram em pessoas verificadas como vivas para idade de 110 ou mais anos entre 1968 e 2006 em quatro países com o maior número de indivíduos longevos (EUA, França, Japão e Reino Unido). A idade de morte para esses supercentenários aumentou rapidamente entre os anos 1970 e início dos anos 90, mas atingiu uma estabilização em torno de 1995 — mais evidências para um limite da vida humana. Esta zona estável, observa o pesquisador, ocorreu perto de 1997 — o ano da morte de Jeanne Calment, a francesa de 122 anos que alcançou o maior tempo de vida já documentado para qualquer ser humano na história.

Talvez os recursos que agora estão sendo gastos para aumentar o limite de vida devessem ir para o prolongamento da saúdeJan Vijg, Ph.D., professor titular de genética, presidente da cátedra Lola e Saul Kramer em Genética Molecular e professor de oftalmologia e ciências visuais, todos no Albert Einstein College of Medicine.

Assim, usando os dados de idade máxima na morte, os pesquisadores do Einstein College colocaram a idade máxima de vida humana aos 115 anos. Ou seja, eles fizeram um cálculo que identificou que os indivíduos mais antigos do registro de idades no International Database on Longevity ocasionalmente vivem mais ou menos de 115 anos. (Jeanne Calment, eles concluíram, era um “outlier” estatístico, isto é, um valor discrepante, estatisticamente falando).

125 anos é o limite?

Finalmente, os pesquisadores calcularam 125 anos como o limite absoluto da vida humana. Dito de outra forma, isso significa que a probabilidade em um determinado ano de ver uma pessoa viver até 125 em qualquer lugar do mundo é inferior a 1 em 10.000!

“O progresso adicional contra doenças infecciosas e crônicas pode continuar aumentando a expectativa média de vida, mas não o tempo máximo de vida”, disse o Dr. Vijg. “Embora seja concebível que os avanços terapêuticos possam prolongar a longevidade humana para além dos limites que calculamos, tais avanços precisariam sobrepujar as muitas variantes genéticas que parecem determinar coletivamente a vida humana. Talvez os recursos que agora estão sendo gastos para aumentar o limite de vida devessem ir para o prolongamento da saúde — a duração da velhice passada em boa saúde”.

Referências:

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