Energia RenovávelTecnologiaO preço da energia solar caiu 58% nos últimos cinco anos

Diógenes Henrique2 anos atrás
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Adaptado do site Futurism

A energia solar agora está mais barata do que a energia no varejo em quase todas as capitais australianas e 20 novos projetos solares de grande escala deverão estar interligados ao sistema do país em 2017. Esta tendência na Austrália é reflexo do que acontece no mundo todo, com o custo global da energia solar caindo 58% nos últimos cinco anos e a indústria solar agora emprega mais pessoas que a energia produzida com carvão mineral.

De acordo com um recente relatório da australiana sem fins lucrativos The Climate Council, a energia solar está mais barata do que a energia vendida a varejo na maioria das capitais na Austrália, com os preços caindo globalmente 58% nos últimos cinco anos. Com os custos sendo esperados para caírem mais 40 a 70 por cento por volta de 2040, nós podemos apenas esperar um crescimento na adoção e no uso naquele país e em outros ao redor do mundo.

“Nós estamos vendo mais e mais a energia solar entrando no uso industrial no país e no mundo. Hospitais, aeroportos, fazendas e uma variedade de outros negócios tem abraçado gerações mais limpas e mais inteligentes”, disse à SBS Greg Bourne, especialista na área e conselheiro do Climate Council.

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Aproximadamente sete mil baterias solares foram instaladas nos lares australianos no ano passado, e esse número pode triplicar em 2017. O Climate Council acrescenta no seu relatório que a usinas solares em escala industrial estão hoje provendo energia mais barata em comparação com as tradicionais fontes energéticas vindas do carvão mineral. Vinte usinas solares estão programadas para serem construídas em toda a Austrália, que verá um adicional de 3.700 megawatts provindo da energia solar — isso é suficiente para abastecer 600 mil lares. Isso sem dúvida irá ajudar a Austrália a atingir o seu objetivo de 20 gigawatts de geração de energia solar nas próximas duas décadas.

Surto solar

A transição para a energia renovável não é apenas necessária à medida que continuamos a ver e sentir os efeitos das mudanças climáticas, ela também faz sentido do ponto de vista econômico.

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Um gráfico do relatório mostrando o consumo global (Crédito: Climate Council)

Para um país como a Austrália, onde o sol é abundante, apoiar o crescimento da energia solar pode criar novos trabalhos e novas indústrias. Mais de oito mil australianos já estão empregados na indústria da energia solar, variando de vendedores e trabalhadores das fábricas a eletricistas e instaladores. As projeções dão conta que com a energia renovável alcançará 50% até 2030 e a Austrália sozinha irá favorecer a criação de 28 mil novos postos de trabalho.

O co-autor do relatório, Andrew Stock, disse à SBS que um aumento nos custos das contas das famílias levou mais australianos a adotar a energia solar. “Os australianos estão irritados com os custos de energia continuamente crescente e querem assumir o controle desses custos, já que eles são capazes de produzir com a energia solar”, disse ele. “Este relatório mostra que plantas solares de grande escala podem produzir energia para atender às necessidades do consumidor a um custo muito mais barato do que as formas tradicionais de fornecimento de eletricidade que recebemos de gás e carvão”.

Como o custo diminui se a demanda aumenta?

Stock disse que a resposta a esta pergunta é simplesmente por que as pessoas estão trabalhando em maneiras mais baratas de construir painéis solares, levando a custos de uso mais baratos. “Semelhante aos aparelhos de consumo ou computadores domésticos dez anos atrás”, disse ele. “Os computadores foram mais caros e fizeram uma fração do que os computadores hoje fazem por muito menos custo. O que está acontecendo com a energia solar? Está crescendo muito rapidamente, globalmente, e a demanda aumentou 40% nos últimos dois anos”.

Globalmente

Globalmente, 2,8 milhões de pessoas trabalham nessa indústria, a qual está empregando mais do que cadeia de produção com carvão. “A era do carvão mineral está superada e os investimentos globais mudaram firmemente para a energia renovável”, acrescenta o Climate Council no seu relatório. “A energia solar está mais barata, não tem gastos com combustível, é não-poluente e está claro que ela será a chave para o futuro da Austrália.”

Junto com a Austrália, países como China, Estados Unidos e Japão estão na linha de frente da energia renovável, com muitos outros países ao redor do mundo seguindo o exemplo. Em 2015, um estudo mostrou que os Estados Unidos poderão ser completamente supridos por energia renovável até 2050. Em 2016, quase toda a energia da Costa Rica foi gerada usando fontes renováveis. A Alemanha, em um esforço para eliminar a energia nuclear de sua matriz, está bem no seu caminho de fazer essa fonte de energia renovável mais viável. Enquanto esses esforços isolados e outros globais com o Acordo de Paris tomam forma, nós felizmente iremos ver um impacto tangível no nosso ambiente.

As conclusões vêm em um momento de intenso debate político sobre a viabilidade das energias renováveis e energias a carvão, após um apagão no sul da Austrália e ameaças de quedas de energia durante uma recente onda de calor em todos os estados australianos. O primeiro-ministro do país, Malcolm Turnbull, manifestou recentemente seu apoio às centrais elétricas livre de carvão apesar dos pedidos dos reguladores de energia afirmarem que é necessário um maior investimento em energia renovável.

Referências:

  1. Relatório Climate Council“Solar power plants now cheaper than coal” <https://www.climatecouncil.org.au/solar-power-plants-now-cheaper-than-coal>. Acesso em 28 de fevereiro de 2017;

  2. “‘Clean and green’, Climate Council says solar power now cheaper than fossil fuels” <http://www.sbs.com.au/news/article/2017/02/23/clean-and-green-climate-council-says-solar-power-now-cheaper-fossil-fuels>. Acesso em 28 de fevereiro de 2017;

  3.  Futurism. “The Price of Solar Has Dropped 58% in the Last 5 Years” <https://futurism.com/the-price-of-solar-has-dropped-58-in-the-last-5-years/>. Acesso em 28 de fevereiro de 2017.