Uma cientista está criando 'sopa de cérebros' para calcular o poder deles
 

CiênciaNeurociênciaUma cientista está criando ‘sopa de cérebros’ para calcular o poder deles

Diógenes Henrique22 de fevereiro de 20177 min

De Joel Wolfram para o NewsWorks

Não julgue um cérebro pelo seu tamanho.

Essa é uma das lições que Suzana Herculano-Houzel tira de sua pesquisa sobre cérebros de pássaros. A neurocientista da Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee, descobriu que, apesar do seu tamanho, algumas aves têm mais neurônios em seus cérebros relativamente pequenos do que muitos mamíferos — incluindo nossos primos primatas.

Pegue o pombo, por exemplo.

“Eles são considerados praga, eles são considerados animais burros”, diz Herculano-Houzel ao The Pulse. “Acontece que eles realmente têm mais neurônios no encéfalo frontal (ou prosencéfalo) do que os ratos”, diz ela.

O prosencéfalo, explica ela, é a parte do cérebro associada a “complexidade e flexibilidade” da cognição e do comportamento — o que poderíamos chamar de inteligência.

Herculano-Houzel diz que suas descobertas podem ajudar a explicar algumas das impressionantes habilidades de pássaros como papagaios e corvos.

“Essas aves são animais que podem vários tipos de processamento muito sofisticado”, diz ela. “Eles podem fazer uma série de coisas que os primatas fazem, essencialmente, e tudo isso com cérebros que são um terço ou um quarto do tamanho de um cérebro primata”.

Sua pesquisa oferece a prova de que essas aves são capazes de encaixar mais neurônios em um espaço menor, mostrando que o tamanho do cérebro não é necessariamente reflexo do poder do cérebro.

“Os neurônios são as unidades básicas de processamento de informações no cérebro”, diz Herculano-Houzel. “É por isso que é razoável esperar que quanto mais neurônios você tiver no cérebro, mais capacidades terá o cérebro”.

A ciência ainda tem que estabelecer que ter mais neurônios é sinônimo de inteligência superior, mas Herculano-Houzel diz que a pesquisa sugere que esse é provavelmente um fator-chave.

Chegar com uma contagem precisa dos neurônios em um cérebro foi uma façanha em si. A solução criativa de Herculano-Houzel não é para os mais sensíveis.

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Suzana Herculano-Houzel dissolveu esses cérebros de pássaro em “sopa” para contar o número de neurônios que continham. Os três números abaixo de cada cérebro representam, de cima para baixo, o número total de neurônios no cérebro, o número de neurônios no prosencéfalo e a massa total do cérebro (contagens de neurônios em milhões). (Cortesia da Universidade de Vanderbilt.) Veja a imagem em maior resolução aqui.

“Transformamos esses cérebros em sopa”, diz ela.

Ela usa um detergente de laboratório comum para dissolver as membranas celulares no tecido cerebral, deixando para trás apenas o núcleo de cada célula. Os núcleos podem então ser contados para gerar uma estimativa do número de células que estavam no tecido. Ela diz que é uma melhoria no método usual de contagem de neurônios examinando amostras de fatias de cérebro sob um microscópio, porque os neurônios não são distribuídos uniformemente em diferentes partes do cérebro.

A receita exige moer o cérebro em um tubo de ensaio que atua como a versão de laboratório de um almofariz e pilão.

“Você joga o tecido, adiciona alguma solução de detergente salgado e então você trabalha nela por uns 15 ou 20 minutos”, diz Herculano-Houzel. “Então você tem a sopa de cérebro.”

Bom apetite.

Traduzido do site NewsWorks.