Bela colisão de galáxias capturada pelo telescópio Hubble
 

AstronomiaCiênciaBela colisão de galáxias capturada pelo telescópio Hubble

Diógenes Henrique12 de janeiro de 20177 min

Mergulhada no Universo, o Hubble capturou uma cena deslumbrante, mas turbulenta, com a sua Advance Camera for Surveys. Uma galáxia ultraluminosa infravermelha conhecida como IRAS 14348-1447 localizada a mais de um bilhão de anos-luz da Terra lenta, mas selvagemente, mistura duas galáxias em uma.

Nos confins do universo, uma cena bonita, aparentemente tranquila, ilumina o cosmos. Mas esta visão surpreendente de duas galáxias espirais ricas em gás é, na realidade, uma colisão violenta acontecendo em câmera lenta.

A colisão galáctica é a conhecida galáxia IRAS 14348-1447 em referência ao Infrared Astronomical Satellite (IRAS), que a descobriu. Na imagem acima, a galáxia é vista como mostrada pelo telescópio espacial de Hubble.

IRAS 14348-1447

Localizada a mais de um bilhão de anos-luz da Terra, a IRAS 14348-1447 é conhecida como uma galáxia ultraluminosa infravermelha, uma categoria de entidades cósmicas que brilham distintamente – e incrivelmente – no espectro infravermelho, de acordo com uma descrição da imagem pela NASA. Uma dupla de galáxias se aproximaram muito no passado e estão agora condenadas pela gravidade a influenciar e puxar uma a outra e aos poucos, destrutivamente, fundir-se em uma.

Este objeto celeste emite cerca de 95 por cento de sua energia no infravermelho distante (FIR), conforme descrito por um artigo científico de 1998 sobre o objeto. A IRAS 14348-1447 é rica em gás, o que significa que as quantidades maciças de gás molecular que contém alimentam sua emissão em FIR e significa também a ocorrência uma série de processos dinâmicos à medida ele interage e se circunda o espaço ao redor, explica a NASA na descrição da imagem. Esses mesmos mecanismos são responsáveis pela própria aparência giratória e etérea de IRAS 14348-1447, criando caudas e saliências proeminentes que se estendem para longe do corpo principal da galáxia.

HST

O Telescópio Espacial Hubble (em inglês Hubble Space Telescope – HST), batizado em homenagem a astrônomo Edwin Powell Hubble, cientista que revolucionou a astronomia ao constatar que o universo estava se expandindo, vem observando o universo desde 1990 e é um projeto conjunto da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA). O telescópio é a primeira missão a pertencer ao programa dos Grandes Observatórios Espaciais (Great Observatories Program), consistindo numa família de quatro observatórios orbitais, cada um observando o Universo em um comprimento de onda diferente , como a luz visível, raios gama, raios-X e o infravermelho.

Ultraluminosa infravermelha

As galáxias ultraluminosas vermelhas (ULIRGs, na sigla em inglês) foram observadas pela primeira vez em 1980 e são, como o nome sugere, o tipo mais luminoso de galáxia conhecido.

Elas despertam a curiosidade dos astrônomos até hoje. Duas hipóteses foram criadas na ocasião da descoberta desses astros para explicar como, afinal, eles se formaram. A primeira, de 1988, sugere que essas galáxias seriam uma fase evolutiva de quasares (corpos astronômicos de alta energia, muito maiores que estrelas, mas menores do que galáxias); a segunda, de 1998, propõe que são fruto da fusão de várias galáxias.

Observações astronômicas mais recentes reforçam esta última hipótese. Usando equipamentos específicos, astrônomos analisaram a galáxia ultraluminosa Arp 220 e encontraram um par de “caudas” (formadas por estrelas e gases interestelares) com 50 mil anos-luz de comprimento. Estudando as propriedades luminosas dessas estruturas, eles concluíram que Arp 220 é resultado da fusão de pelo menos outras quatro galáxias, o que pode se aplicar a outros exemplares de galáxias ultraluminosas.

Publicação de referência: NASA – Hubble’s Front Row Seat When Galaxies Collide.