Há dez anos Plutão era "rebaixado"
 

AstronomiaHistóriaHá dez anos Plutão era “rebaixado”

Diógenes Henrique25 de agosto de 20167 min

Em 2006 o sistema solar passou a ter apenas oito planetas e Plutão foi reclassificado em uma nova categoria: a dos planetas anões.

Há 10 anos, ao fim da 26ª Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU) em 24 de agosto de 2006, foram votadas as resoluções B5, que criou a atual definição de planeta e a categoria de planeta anão, e B6, que estabeleceu que Plutão, segundo essas definições, passaria a ser considerado planeta anão.

Segundo a resolução B5, os planetas anões são os objetos do Sistema Solar que:

1 – Orbitam o Sol;
2 – Têm massa suficiente para estar em equilíbrio hidrostático (grosso modo, têm uma forma “arredondada”);
3 – Não “limparam” a sua órbita;
4 – Não são luas.

Apesar de na época já se conhecerem vários objetos transneptunianos (TNO, na sigla em inglês), a decisão de reclassificar Plutão foi impulsionada pela descoberta de Éris, que na altura se julgava ser maior do que Plutão, em janeiro de 2005 pela equipe de Mike Brown da Caltech, o Instituto de Tecnologia da Califórnia (California Institute of Technology). Éris é um dos três corpos celestes que em 2006 integrou a categoria dos planetas anões, juntamente com Plutão e Ceres.

Desde a reclassificação em 2006, foram criados vários movimentos populares para restaurar Plutão ao seu “status planetário”, sendo um dos seus principais defensores Alan Stern (SwRI), o investigador principal da missão New Horizons (NASA) em Plutão e ao um objeto no Cinturão de Kuiper (ou Cintura de Kuiper). O próximo alvo da sonda é um TNO identificado como KBO-2014 MU-69.

Para o astrônomo Ricardo Cardoso Reis, do Planetário do Porto, em Portugal, a polêmica não faz sentido. “A reclassificação foi largamente aceita pela maioria da comunidade astronômica mundial, pois mesmo antes da despromoção, Plutão era visto como algo que não encaixava no grupo dos planetas – nem era um planeta telúrico como a Terra, nem era um gigante como Júpiter”, explica o astrônomo. Os planetas telúricos (ou planetas rochosos) do Sistema Solar são Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, são os que estão mais próximos do Sol e possuem maior densidade que os planetas gasosos.

Reis acrescenta ainda: “esse tipo de despromoção já aconteceu antes. Ceres foi descoberto no início do século XIX, sendo de imediato classificado como planeta. Mas nas décadas seguintes, com a descoberta de cada vez mais objetos semelhantes, basicamente na mesma órbita, foi criada uma nova categoria para os classificar – os asteroides. Na altura a despromoção também foi polêmica, no entanto hoje ninguém põe em dúvida que Ceres não é um planeta.”

Aos três planetas anões conhecidos em 2006 (Plutão, Éris e Ceres), juntaram-se em 2008 Makemake e Haumea.  Apesar de Haumea ter sido descoberto em dezembro de 2004, só em 18 de setembro de 2008 é que se confirmou tratar-se de um planeta anão, recebendo então o nome da deusa havaiana do nascimento e fertilidade pela IAU. Com exceção de Ceres, todos os outros planetas anões têm suas órbitas localizadas além da órbita de Plutão.

Plutão, em julho do ano passado, foi finalmente observado de perto pela sonda New Horizons, nos proporcionando imagens belíssimas e grande quantidade de dados científicos, que em boa parte estão sendo estudados e que nos trarão novos conhecimentos e descobertas para os próximos anos.

Na imagem: o Sistema Solar, com os planetas anões catalogados em 2006. Ceres (descoberto em 1801), Plutão (descoberto em 1930) e Éris (descoberto em 2005).