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100 bilhões de estrelas fracassadas podem estar escondidas na Via Láctea

Impressão artística de uma anã marrom tipo T. Crédito: NASA / JPL-Caltech Fonte: EurekAlert

De Hanneke Weitering para o Space.com

Anãs marrons, ou estrelas fracassadas que se parecem com planetas desgarrados, podem ser muito mais abundantes do que os astrônomos pensavam anteriormente. Uma enorme quantidade de 100 bilhões desses corpos celestiais pequenos e fracos podem estar à espreita em toda a Via Láctea, sugere uma nova pesquisa.

Como a maioria das estrelas, as anãs marrons se formam quando nuvens de gás interestelar e poeira colapsam sob sua própria gravidade. Nas estrelas de sequência principal, o calor e a pressão inflamam o núcleo através da fusão nuclear. Mas algumas estrelas aspirantes nunca alcançam esse ponto: em vez disso, eles entram em um estado estável antes que a fusão possa começar. Sem fusão, essas estrelas fracassadas não emitem muita luz, e podem ser difíceis de observar os astrônomos. Um novo estudo tenta identificar a quantidade de anãs marrons que se escondem na Via Láctea, revelando um número que é muito maior do que o esperado.

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Estudos anteriores determinaram que há cerca de seis estrelas para cada anã marrom em nosso bairro cósmico. Esses estudos apenas analisaram anãs marrons dentro de uma faixa de cerca de 1.500 anos-luz da Terra, onde objetos tão fracos e pequenos são mais fáceis de detectar. No entanto, toda a Via Láctea abrange uma distância muito maior, de cerca de 100.000 anos-luz, e verifica-se que as nossas proximidades não são exatamente representativas para toda a galáxia.

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Esta imagem de cor falsa no infravermelho próximo do grupo de estrelas RCW 38 revela várias candidatas pequenas e fracas a anãs marrons. A imagem foi tirada usando a câmera de ótica adaptativa NACO no Very Large Telescope do European Southern Observatory, ESO. Crédito: K. Muzic/A. Scholz/R. Schoedel/V. Geers/R. Jayawardhana/J. Ascenso/L. Cieza/ESO Imagem original

Usando observações de espaço profundo do Very Large Telescope (VLT) do European Southern Observatory (ESO) no norte do Chile, uma equipe internacional de astrônomos pesquisou grupos de estrelas na Via Láctea para determinar o quão comum esses objetos sigilosos realmente são. O time, liderado por Koraljka Muzic da Universidade de Lisboa em Portugal e Aleks Scholz, da Universidade de St Andrews, na Escócia, começou a buscar anãs marrons em regiões de formações estelares próximas em 2006.

Enquanto eles estavam conduzindo sua pesquisa “Substellar Objects in Near Young Clusters (SONYC)”, os pesquisadores descobriram que o conjunto de estrelas NGC 1333 continha um número excepcionalmente alto de anãs marrons. Em vez de uma anã marrom por cada seis estrelas, há cerca de três anãs marrons para cada estrela naquele conjunto estelar — o triplo da estimativa anterior.

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A princípio, eles não tinham certeza se o NGC 1333 era apenas um ponto agitado e bizarro de anãs marrons ou se essa observação tivesse maiores implicações. Assim, os pesquisadores expandiram sua pesquisa por anãs marrons para examinar um pedaço maior da Via Láctea. Eles então viraram o telescópio para outro grupo de estrelas chamado RCW 38, que fica a 5.500 anos-luz de distância na constelação da Vela. E isso não apenas por esse grupo estar aproximadamente cinco vezes mais distante da Terra do que as regiões previamente pesquisadas, mas também por ser mais densamente povoado com estrelas maiores e mais brilhantes.

Mais uma vez, os pesquisadores contaram cerca de metade de anãs marrons em relação ao número estrelas reais em RCW 38. “Isso está de acordo com os valores encontrados em outras jovens regiões formadoras de estrelas, não deixando evidências de diferenças ambientais na eficiência da produção de [anãs marrom] e estrelas de massas muito baixas possivelmente causadas por altas densidades estelares ou pela presença de numerosas estrelas maciças”, escreveram os autores do estudo no artigo da pesquisa, publicado on-line nos Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

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“Nós encontramos muitas anãs marrons nesses aglomerados. E seja qual for o tipo de cluster, as anãs marrons são realmente comuns”, disse Scholz em um comunicado. “Anãs marrons se formam ao lado de estrelas em aglomerados, então nosso trabalho sugere que há uma enorme quantidade de anãs marrons lá fora”.

Os pesquisadores determinaram que o número mínimo de anãs marrons na Via Láctea está em algo entre 25 bilhões e 100 bilhões. Mas há provavelmente muito mais do que isso, suspeitam os pesquisadores, porque há muitas mais anãs marrons na galáxia que são muito pequenas e fracas para serem detectadas com os atuais telescópios.

Scholz apresentará as novas descobertas no encontro nacional de astronomia (National Astronomy Meeting) em Hull, Inglaterra, na quinta-feira (6 de julho).

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Texto adaptado de “100 Billion Failed Stars May Be Hiding in the Milky Way” do Space.com.

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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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