Influência humana tem reduzido a vida selvagem em até 60%

Novo estudo mostra que em 40 anos, ações humanas como o desmatamento tiveram um grande impacto na vida selvagem.

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Os seres humanos eliminaram cerca de 60% das populações de animais silvestres nas últimas quatro décadas, aponta novo estudo.

Exploração excessiva de espécies, desmatamento e agricultura destruíram habitats destes animais em várias partes do planeta entre os períodos de 1970 e 2014. Agora, com o crescente aumento das mudanças climáticas causadas pelo homem a pressão sobre os animais vem se intensificando cada vez mais, de acordo com o World Wildlife Living Planet Report 2018.

“A Terra está perdendo a sua biodiversidade em uma taxa vista apenas durante os períodos de extinção em massa”, afirmam os pesquisadores.

A equipe analisou 4.000 espécies de anfíbios, aves, peixes, mamíferos e répteis. Relataram como a ambição da humanidade por pedaços de terra, energia e água vem dizimando as populações de animais. O declínio das espécies afeta a saúde humana; alimentos e os medicamentos. Também acarreta no aumento do custo econômico à medida que os recursos tornam-se mais escassos.

Atualmente, cerca de um quarto do planeta ainda não foi afetado com os impactos das atividades humana, mas os autores preveem que isto cairá para 10% até 2050.

O ritmo da perda é impressionante em alguns ecossistemas. Os recifes de coral de águas rasas diminuíram pela metade só nos últimos 30 anos e cerca de 20% da floresta amazônica desapareceu nos últimos 50 anos, afirmam. Na década de 1960, 5% das aves marinhas sofriam com a contaminação do plástico, mas agora o percentual subiu para 90%. A população de ursos polares deve diminuir 30% até 2050, já que o aquecimento global está reduzindo o gelo necessário para a sua sobrevivência.

De acordo com o relatório, o efeito das mudanças climáticas tem sido moderado até agora; enquanto que a destruição dos ecossistemas teve um impacto muito mais profundo. Mas os autores advertem que não será assim por muito tempo.

“No entanto, [as mudanças climáticas] estão acelerando rapidamente e podem assumir um papel importante na formação da biodiversidade futura”, escreveram os autores. “Mas também é provável que a perda das populações dessas espécies que foram causadas pela destruição de habitat e a superexploração, possam se agravar pela capacidade das espécies de responder às mudanças no clima.”

O declínio das inúmeras espécies animais ocorreu em vários cantos do planeta, embora as perdas tenham sido maiores em algumas regiões. A América do Sul e a América Central estão entre as áreas mais atingidas, com uma redução de 89% nas últimas cinco décadas e de 83% das espécies de água doce. Os Estados Unidos são um dos maiores culpados por esses declínios.

Há tempo, no entanto, para intervir e conter algumas das perdas, dizem os autores do relatório. Mas esse tempo, assim como a chance de suavizar os efeitos mais sérios das mudanças climáticas, está desaparecendo rapidamente.

Os autores pediram aos 200 países membros da Convention on Biological Diversity que apresentassem metas internacionais para proteger as espécies no encontro que ocorrerá no próximo mês no Egito.

“Podemos ser os fundadores de um movimento global que mudou nossa relação com o planeta, que garantiu um futuro para as várias formas de vida na Terra, incluindo a nossa”, escreveu o diretor-geral da WWF, Marco Lambertini. “Ou podemos ser a geração que teve oportunidade e não conseguiu agir; e que deixou a Terra declinar. A escolha é nossa.” [Scientific American]

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