Juno mostra que o campo magnético de Júpiter é muito diferente do da Terra

A espaçonave Juno, que está em órbita polar ao redor de Júpiter, está fornecendo medições diretas do campo magnético do planeta perto de sua superfície.   Uma equipe de pesquisadores afiliados a várias instituições nos...

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A espaçonave Juno, que está em órbita polar ao redor de Júpiter, está fornecendo medições diretas do campo magnético do planeta perto de sua superfície.

 

Uma equipe de pesquisadores afiliados a várias instituições nos Estados Unidos, incluindo a NASA e uma dupla da Dinamarca, descobriu que o campo magnético de Júpiter é bem diferente do campo magnético da Terra. Em um artigo publicado na revista científica Nature1, o grupo descreve o que encontraram em um estudo do campo magnético do gigante gasoso usando dados da espaçonave Juno. Chris Jones, da Universidade de Leeds, publicou uma matéria sobre News and Views2 sobre o trabalho realizado pela equipe na mesma edição da revista.

A NASA colocou a Juno no espaço em 2011 e ela entrou em órbita de Júpiter em 2016 — a apenas 4.000 quilômetros acima da superfície do planeta. Nos últimos dois anos, a nave tem monitorado o campo magnético do planeta. Nessa nova colaboração internacional, os pesquisadores revelam o que os dados mostram.

Ao mapear o campo magnético de um planeta, é comum o uso de linhas coloridas para mostrar o fluxo magnético. Desse modo, se mostra o campo magnético da Terra como linhas que emanam do polo norte e então circulam o nosso planeta e voltam ao polo sul. O resultado se assemelha a um enorme ímã de barra.

Mas na pesquisa de agora os pesquisadores relatam que as coisas são diferentes em Júpiter.

Linhas de campo magnético: a) visão polar norte; b) vista polar sul; c) vista equatorial. A natureza não-dipolar do campo magnético no hemisfério norte e a natureza dipolar no hemisfério sul é aparente. A visão equatorial é centralizada perto da Grande Mancha Azul e mostra a ligação das linhas do campo magnético que passam através da Grande Mancha Azul. A superfície contornada na qual as linhas de campo mostradas início e fim estão em r = 0.85RJ, onde a densidade das linhas de campo é proporcional à intensidade do campo magnético radial e é representada pela escala de cores (fluxo externo vermelho, fluxo interno azul). Crédito: Nature (2018). DOI: 10.1038 / s41586-018-0468-5

Embora tenha linhas de fluxo emanando de seu polo norte, ele também tem dois pontos de retorno, em vez de apenas um como na Terra. Um desses ponto está localizado próximo ao polo sul de Júpiter e outro próximo ao seu equador. Além disso, na Terra, partes do campo magnético não favorecem um ou outro polo e, ao contrário disso, as linhas do campo terrestre estão espalhadas igualmente entre os dois polos. Com Júpiter, os mesmos tipos de campos magnéticos estão quase todos no hemisfério norte.

Há também a questão de como os campos magnéticos são gerados. Os cientistas dizem que o campo magnético da Terra é gerado por seu dínamo interno: a agitação de fluidos eletricamente condutivos no núcleo. Mas pensa-se que Júpiter seja feito de hélio e hidrogênio, que não são muito condutores. Isso levou a teorias que sugerem que a grande pressão exercida no planeta resultou na formação de hidrogênio metálico líquido, que, como o próprio nome indica, tem condutibilidade muito semelhante a de um metal.

Os pesquisadores observam que, até o momento, não há dados que possam explicar o estranho campo magnético de Júpiter registrado pela Juno, mas eles sugerem que provavelmente tem algo a ver com a estrutura interna única do planeta.

Fonte: Traduzido e adaptado do original de Bob Yirka publicado em Phys.org. O texto em inglês pode ser acessado neste link. Imagem de capa: renderização artística mostra a espaçonave Juno da NASA fazendo uma de suas passagens próximas de Júpiter. Crédito de imagem: NASA/JPL-Caltech

 Referências:

  1. Moore, Kimberly M. et al. A complex dynamo inferred from the hemispheric dichotomy of Jupiter’s magnetic field. Nature, volume 561, pages76–78 (2018). DOI: 10.1038/s41586-018-0468-5;
  2. Jones, Chris. Jupiter’s magnetic field revealed by the Juno spacecraft. Nature, 561, 36-37 (2018). doi: 10.1038/d41586-018-06095-9.
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