Sonda da NASA que irá se aproximar do Sol está prestes a decolar

A Sonda Parker Solar irá passar mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave antes dela.   Às 3h33 da manhã no horário local, ou 4h33 da manhã no horário de Brasília (0733 UTC),...

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A Sonda Parker Solar irá passar mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave antes dela.

 

Às 3h33 da manhã no horário local, ou 4h33 da manhã no horário de Brasília (0733 UTC), do dia 11 de agosto, enquanto a maioria das pessoas em boa parte das Américas está dormindo, o Kennedy Space Center, da NASA, na Flórida, vai estar cheio de emoção. Naquele momento, a Sonda Parker Solar da NASA, a histórica missão da agência de irá se aproximar do Sol, terá sua primeira oportunidade de decolar.

Sendo lançada da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a Sonda Solar Parker fará sua jornada até a atmosfera do Sol, ou corona ou coroa solar — mais próxima do Sol do que qualquer outra espaçonave que já tenha sida lançada.

“Oito longos anos de trabalho duro de inúmeros engenheiros e cientistas estão finalmente valendo a pena”, disse Adam Szabo, cientista da missão Parker Solar Probe no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland.

Sonda Parker Solar da NASA dentro de uma metade de sua carenagem de 19,1 metros (62,7 pés) de altura. Crédito: NASA/Johns Hopkins APL/Ed Whitman (clique na imagem para ampliar)

Colocada no topo do foguete Delta IV Heavy da empresa United Launch Alliance (ULA) — um dos foguetes mais poderosos do mundo — com um terceiro estágio adicional, a Sonda Parker Solar partirá em direção ao Sol com uma energia 55 vezes maior do que a necessária para chegar a Marte. Do tamanho de um carro pequeno, a sonda tem apenas 635 quilogramas (1.400 libras).

“Essa é uma espaçonave relativamente leve”, disse Andy Driesman, gerente de projeto da missão no Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins. “E precisa ser, porque é preciso uma imensa quantidade de energia para chegar à nossa órbita final em torno do Sol”.

Com uma órbita altamente elíptica, a Sonda Parker Solar alcançará velocidades de até 430.000 milhas por hora — quase 692.000 quilômetros por hora—, rápido o suficiente para ir da Palmas, no Tocantins, a Gurupi em um segundo, estabelecendo o recorde de espaçonave mais rápida da história.

Durante a vida útil nominal da missão de pouco menos de 7 anos, a Sonda Solar da Parker completará 24 órbitas ao redor Sol, alcançando 3,8 milhões de quilômetros da superfície do Sol na máxima aproximação.

“Nós estaremos indo onde nenhuma outra espaçonave ousou ir antes — dentro da coroa de uma estrela”, disse o cientista do projeto  Nicola “Nicky” Fox, do APL. “Com cada órbita, estaremos vendo novas regiões da atmosfera do Sol e aprendendo coisas sobre a mecânica estelar que nós queríamos explorar por décadas”.

Mas chegar tão perto do Sol requer desaceleração, para isso a Parker usará a gravidade do planeta vizinho, Vênus. “A Sonda Parker Solar usará Vênus para ajustar seu curso e desacelerar a fim de colocar a espaçonave na melhor trajetória”, disse Driesman. “Voaremos por Vênus sete vezes ao longo da missão. A cada vez que voarmos, chegaremos cada vez mais perto do Sol”.

Em uma órbita tão próxima do Sol, o verdadeiro desafio é evitar que a espaçonave seja incinerada.

“A NASA planeja enviar uma missão para a coroa solar por décadas, no entanto, não tínhamos a tecnologia que protegesse uma nave espacial e seus instrumentos do calor”, disse Szabo. “Avanços recentes na ciência de materiais nos deram o material para moldar um escudo de calor na frente da espaçonave, não apenas para suportar o calor extremo do Sol, mas para manter a situação sob controle na parte de trás”.

O escudo de calor é feito de um material de espuma compósita de carbono de 11,43 centímetros (4,5 polegadas) de espessura entre duas folhas de fibra de carbono. Enquanto o lado virado para o Sol ferve a 1.371 graus centígrados (2.500 graus Fahrenheit), por trás do escudo a espaçonave com aconchegantes 29 graus centígrados (85 graus Fahrenheit).

A Sonda Parker Solar também é a primeira missão da NASA a receber o nome de um indivíduo vivo: o Dr. Eugene Newman Parker, famoso físico solar que, em 1958, previu a existência do vento solar, o fluxo de partículas carregadas e campos magnéticos que fluem continuamente do Sol banhando a Terra.

O caminho da espaçonave através da coroa permitirá aos cientistas observar a aceleração desse vento solar que Parker previu, assim que a sonda fizer uma transição crítica de velocidade indo de mais lenta que a velocidade do som para bem mais rápido do que isso.

A coroa também é onde o material solar é aquecido a milhões de graus e onde ocorrem os eventos mais extremos do Sol, como erupções solares e ejeções de massa coronal — acelerando as partículas a uma fração da velocidade da luz. Essas explosões criam eventos climáticos espaciais que podem atingir a Terra com partículas de alta energia, colocando em perigo astronautas e interferindo nos satélites do sistema de posicionamento global, o GPS, e de comunicações e, na pior das hipóteses, interferindo e até interrompendo a transmissão de energia elétrica pelas linhas do sistema bem aqui na superfície do nosso planeta.

A sonda Sonda Parker Solar (identificada com PSP, sigla em inglês para Parker Solar Probe) usa uma órbita altamente elíptica assistida com a gravidade de Vênus para se aproximar do Sol. Crédito: NASA/JPL/WISPR Team

Esta será a primeira vez que os cientistas solares poderão ver os objetos de seus estudos de perto e de forma maneira nítida. “Todos os nossos dados sobre a corona até agora foram remotos”, disse Nicholeen Viall, física solar do Goddard. “Fomos muito criativos para obter o máximo possível de nossos dados, mas não há nada como colocar uma sonda na coroa para ver o que está acontecendo lá”.

E os cientistas não são os únicos nessa aventura. A espaçonave possui um microchip que leva os nomes de mais de 1,1 milhão participantes que se inscreveram para enviar seu nome ao Sol. Em algum momento entre 11 e 23 de agosto, o encerramento do período de lançamento, esses nomes e 635 quilogramas de proteção solar e equipamentos científicos começarão sua jornada para o centro do nosso sistema solar.

Três meses depois, a Sonda Parker Solar alcançará sua primeira aproximação do Sol em novembro de 2018 e enviará os dados de volta em dezembro.

“Para cientistas como eu, a recompensa do longo e árduo trabalho será o conjunto único de medidas retornadas pela Parker”, disse Szabo. “A coroa solar é um dos últimos lugares no sistema solar onde nenhuma espaçonave visitou antes. Isso me dá a sensação da empolgação de um explorador.”

Fique ligado! A Sonda Parker Solar está prestes a voar.

Fonte: NASA’s Goddard Space Flight Center 

Imagem de capa: ilustração artística da Parker Solar Probe se aproximando do Sol. Créditos: NASA / Johns Hopkins APL / Steve Gribben.

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