Está começando a parecer que um dos nossos rovers marcianos favorito realmente está morto

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Já são dois meses de silêncio.

Do original de Dave Mosher para o Business Insider.

Uma tempestade global de poeira em Marte está ameaçando o futuro do Opportunity da NASA, o rover de maior longevidade no Planeta Vermelho.

O veículo do tamanho de um carrinho de golfe foi lançado em direção a Marte em junho de 2003, pousou em janeiro de 2004 e deveria durar três meses. Hoje, o rover tem 15 anos e já percorreu mais de uma maratona de quilômetros de extensão na superfície do planeta usando energia solar.

Mas agora o Opportunity parece estar em apuros.

Graças a uma longa tempestade de poeira que envolveu todo o planeta, que dura quase dois meses, o Opportunity adormeceu em 10 de junho e não “telefonou” mais para casa.

Marte em 2001, com sua aparência normal (à esquerda) e como quando o planeta vermelho passava por uma tempestade global de poeira (à direita). Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

As tempestades marcianas que envolvem todo o planeta de poeira aparecem uma vez a cada dois anos e cobrem o planeta em uma névoa vermelho-escura. E a NASA disse que esta é “uma das mais intensas” já registradas.

O rover Curiosity, outro veículo da NASA que também explora a superfície do planeta vermelho, registrou essa colossal tempestade marciana, conforme informou o Business Insider. Movido a energia nuclear, diferentemente do Opportunity, o rover Curiosity enviou em 19 de junho uma selfie que mostra o céu marciano coberto por uma densa camada de poeira.

“Esta é a pior tempestade que o Opportunity já viu, e nós estamos fazendo o que podemos, cruzando nossos dedos e esperando o melhor”, disse o cientista planetário da Cornell University e líder da missão do rover, Steve Squyres, à A.J.S. Rayl para um post recente no blog da Planetary Society.

Por que essa tempestade de poeira ameaça o Opportunity?

O evento climático de Marte não apenas bloqueou a luz para os painéis solares do Opportunity, como também os revestiu com uma fina poeira. Esse golpe duplo reduziu drasticamente a capacidade do rover de armazenar e usar energia elétrica.

Autorretrato do Mars Exploration Rover Opportunity, da NASA, registrado pela câmera panorâmica Pancam no final de março de 2014 que, na ocasião, mostrou os efeitos dos recentes ventos removendo grande parte da poeira dos painéis solares do rover. O Opportunity que, diferentemente do irmão Curiosity, é movido a energia solar, está atualmente atravessando um momento crítico e pode não se salvar de uma tempestade global de poeira em Marte. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell Univ./Arizona State Univ.

O frio é um grande problema em Marte, onde as temperaturas no inverno podem cair para -73 graus Celsius (-100 graus Fahrenheit) perto do equador. Tal frio pode fazer com que as finas trilhas de metal em circuitos eletrônicos se retraiam e se quebrem.

Pequenas pilhas de material nuclear chamado plutônio-238 ajudam a manter o circuito do Opportunity aquecido, mas o material não dura para sempre e está bem decadente, então pode não estar quente o suficiente para que o calor proteja completamente os sistemas de eletrônicos do rover.

Isso significa que o Opportunity ainda precisa de eletricidade para manter sua bateria carregada, ligar os aquecedores para o aquecimento dos circuitos e, por fim, poder se comunicar com o controle de missão da NASA aqui na Terra.

Descarregar as baterias a nível muito baixo também é problemático. Quanto mais tempo elas estiverem inativas, tanto mais capacidade de armazenamento de carga elétrica elas perderão. Se a tempestade não se dissipar logo e os ventos moderados não expelirem a poeira dos painéis solares do Opportunity, a NASA diz que há uma possibilidade de que as baterias possam sofrer um “blackout” ou de repente diminuir a voltagem.

Se isso acontecer, ou se o robô não conseguir recuperar seus sistemas de uma variedade de “modos de falha”, o Opportunity se juntará às fileiras do Spirit, seu rover irmão quase idêntico.

O Spirit parou de se comunicar com a NASA em março de 2010, durante um inverno marciano. Os engenheiros tentaram recuperar o contato com a Spirit por mais de um ano antes de desistir. O rover é agora, presumivelmente, um robô morto no planeta vermelho.

Esta série de imagens simuladas mostram o que a sonda Opportunity da NASA viu como uma tempestade global de poeira marciana, que apagou o brilho do Sol, e assim a fonte de energia do rover, em junho de 2018. (Crédito: NASA/JPL-Caltech/TAMU)

Agora as boas notícias

A NASA informou em comunicado de imprensa em 16 de agosto que “há motivos para ser otimista”, já que a tempestade parece estar enfraquecendo. Isso pode significar que a luz do Sol em breve poderá atingir os painéis solares do Opportunity para carregar suas baterias permitindo que o rover possa, enfim, “telefonar” para casa.

A agência também disse que as baterias estavam em “condições operacionais relativamente boas” antes da tempestade, então “não há muito desgaste”. Outra boa nova é que as tempestades de poeira também tendem a aquecer o ambiente, de modo que isso pode ajudar a amortecer o frio dos circuitos eletrônicos do rover.

O Opportunity não está finalmente fora de perigo, no entanto. Um representante da NASA disse ao Business Insider que “não há novidade” sobre o status do rover, o que significa que a Agência ainda não ouviu nenhuma tentativa de contato vinda do veículo.

Este é um dos períodos mais longos que um robô movido a energia solar já hibernou em Marte para economizar energia. E o Opportunity já empurrou sua vida útil por uma década e meia para além do planejado — e ele não está mais tão jovem.

“Mesmo que os engenheiros consigam contato com o Opportunity, existe uma possibilidade real de que o rover não seja mais o mesmo”, disse a NASA. “Ninguém saberá como o robô está se saindo até que ele volte a se comunicar”.

Texto traduzido e adaptado do original publicado pelo Business Insider (leia o texto aqui)

Imagem de capa. Autorretrato do Mars Curiosity Rover da NASA durante uma tempestade de areia marciana, registrado em 18 de junho (MSL sol 2082) em cor natural. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Kevin M. Gill

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