A espaçonave de amostragem de asteroide da NASA espia seu alvo pela primeira vez

A OSIRIS-REx vai pegar uma amostra de asteroide em meados de 2020.   A sonda de amostragem de asteroides da NASA, OSIRIS-REx, capturou suas primeiras imagens do alvo no espaço profundo para o qual está...

904 0

A OSIRIS-REx vai pegar uma amostra de asteroide em meados de 2020.

 

A sonda de amostragem de asteroides da NASA, OSIRIS-REx, capturou suas primeiras imagens do alvo no espaço profundo para o qual está atualmente se dirigindo, uma rocha espacial de quase 800 metros de largura orbitando o Sol chamada Bennu. Essa foi uma importante etapa para o veículo espacial que se prepara para chegar ao asteroide em dezembro deste ano, uma nova etapa chamada de campanha de operação.

Como a foto foi tirada de tão longe — a uma distância de mais de dois milhões e 250 mil quilômetros — Bennu aparece apenas como alguns pixels de luz se movendo pelo espaço. Mas para a equipe da OSIRIS-REx, isso mostra que a espaçonave está no caminho certo e que Bennu está exatamente onde esperavam. “Muitos de nós temos trabalhado por anos, anos e anos para obter essa primeira imagem”, disse Dante Lauretta, principal pesquisador da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, durante uma coletiva de imprensa nessa sexta-feira (24).

Imagem do asteroide Bennu, do qual a OSIRIS-REx tentará pegar uma amostra em 2020. Essa é a primeira imagem feita com as câmeras da nave OSIRIS-REx da NASA e prova que ela está no caminho certo rumo ao seu alvo e foi obtida de 17 de agosto deste ano a uma distância de 2,2 milhões de quilômetros (ou 1,4 milhão de milhas). Crédito: NASA/Goddard/University of Arizona

O significado da sigla do nome da espaçonave é “Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer”, que, em tradução livre, significa “Explorador de Regolito, de Origens, de Interpretação Espectral, de Identificação de Recursos e de Segurança”.

Lançada em setembro de 2016, a nave espacial OSIRIS-REx é encarregada de recolher uma pequena amostra de material da superfície de Bennu e depois trazer essa amostra para a Terra. O objetivo é fazer a análise do material recolhido para saber mais sobre como era o nosso Sistema Solar quando ele estava se formando, há 4,5 bilhões de anos.

Acredita-se que asteroides como o Bennu permaneceram praticamente os mesmos desde os primeiros dias do Sistema Solar, e isso significa que eles podem conter os mesmos materiais que serviram como blocos de construção dos planetas. Os cientistas também querem saber se os asteroides carregam matéria orgânica que pode ter sido responsável por despertar a vida na Terra. Então, analisar os componentes dos asteroides pode nos dizer como nosso Sistema Solar se tornou o que é hoje.

A equipe de pesquisadores da OSIRIS-REx espera aprender o máximo possível sobre nossa vizinhança cósmica a partir de uma pequena amostra de Bennu. A equipe pretende obter uma amostra de pelo menos 60 gramas (duas onças) a até dois quilogramas (4,4 libras). A amostra será armazenada em um recipiente dentro da Cápsula de Retorno de Amostra (Sample Return Capsule — SRC) à medida que a espaçonave viaja de volta à Terra.

E pegar um pouco do pó e de pequenas rochas da superfície (o chamado regolito) de Bennu requer uma missão que dure muitos anos — a OSIRIS-REx está viajando para Bennu há quase dois anos. Depois que chegar ao asteroide em 3 de dezembro deste ano, a espaçonave se inserirá na órbita da rocha no dia 31 de dezembro e, em seguida, passará todo o ano de 2019 fazendo uma extensa campanha de mapeamento da superfície do asteroide. Assim que encontrar o local certo para a amostragem, a OSIRIS-REx irá rapidamente explorar a superfície de Bennu em meados de 2020, pegar seu “prêmio” e depois voltar para a Terra, fazendo a amostra coletada aterrissar no deserto de Utah em 2023.

Comparação do tamanho da alvo da missão OSIRIS-REX, o asteroide 101955 Bennu, que tem cerca de 492 metros de largura. Ele é comparado com o Empire State Building (de 443 metros ) e com a Torre Eiffel (324 metros) nesta imagem da NASA.

Antes de tudo isso acontecer, porém, a equipe da missão está tentando entender melhor como Bennu é. A OSIRIS-REx está agora o mais próximo que já esteve de Bennu — inclusive mais perto do que o asteroide já esteve da Terra. “Estamos agora nas proximidades do asteroide”, disse Lauretta em entrevista coletiva na sexta-feira.

À medida que se aproxima, a OSIRIS-REx procurará por qualquer nuvem de poeira ou nuvens de material que possam estar em volta de Bennu. Até agora, disse Lauretta, a área parece limpa, o que é uma boa notícia para a missão, já que a OSIRIS-REx deve ficar perto da superfície do asteroide.

A espaçonave também continuará a imagear Bennu para ter uma melhor compreensão de sua forma. Só depois de feito esse reconhecimento, em outubro, o veículo começará a primeira das quatro manobras que o colocarão no caminho certo para entrar na órbita de Bennu.

Portanto, esta missão de amostra do asteroide Bennu está prestes a embalar. E em breve poderemos obter imagens ainda mais detalhadas do asteroide que a OSIRIS-REx estará circundando pelos próximos dois anos.

Por que Bennu?

Bennu foi descoberto, em 1999, pelo projeto Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR), que detecta e rastreia objetos próximos da Terra. Foi provisoriamente chamado 1999 RQ36, o que indica que foi o 916º objeto observado na primeira metade de setembro. 1999, de acordo com a The Planetary Society. Depois de sua órbita foi medida com precisão, ao objeto foi dado um número sequencial oficial, e porque 1999 RQ36 foi o 101.955 º asteroide a receber um número, seu nome oficial se tornou Asteroide 101955.

Esta renderização deste artista disponibilizada pela NASA mostra a nave de segurança Identification Spectral Interpretation Resource Identification – Regolith Explorer (OSIRIS-REx) contatando o asteroide Bennu com o braço coletor de amostra. (Crédito: NASA / Goddard Space Flight Center)

Bennu é um asteroide que passa pela Terra a cada poucos anos. De fato, há uma chance — embora pequena — de que o asteroide colidirá com a Terra no futuro próximo (daqui a menos de 200 anos). Porque voa tão perto de nosso planeta, o “objeto próximo da Terra” (NEO, sigla para “near-Earth object”) é o alvo da missão da NASA de coletar uma amostra e devolvê-la à Terra.

Os cientistas acreditam que a rocha espacial pode conter os blocos de construção da vida. O nome “Bennu” foi selecionado após um concurso “Name That Asteroid!” (“Nomeie Aquele Asteroide!”) realizado pela Universidade do Arizona e outros parceiros.

Michael Puzio, um estudante da terceira série na Carolina do Norte com 9 anos de idade na época, sugeriu usar o nome de um pássaro mitológico egípcio. Puzio disse que a forma da espaçonave (incluindo o braço estendido para coleta da amostra) lembrava uma deidade egípcia em forma de garça, que se chamava Bennu. O deus Bennu é uma antiga divindade egípcia ligada ao Sol, à criação e ao renascimento. Pode ter sido a inspiração para a fênix na mitologia grega.

Quando o jovem estudante da Carolina do Norte soube que tinha vencido o concurso, ele disse: “É ótimo! Eu sou o primeiro garoto que eu conheço que nomeou uma parte do sistema solar”.  Apenas cerca de 5% dos asteroides numerados receberam nomes, de acordo com a The Planetary Society. O nome oficial ficou sendo 101955 Bennu.

Tamanho e composição

A OSIRIS-REx, além de recolher a amostra de Bennu, também documentará o local da amostra, mapeará o asteroide, medirá o efeito Yarkovsky e comparará suas observações com as de telescópios terrestres, de acordo com a Universidade do Arizona.

O Bennu tem uma forma que parece um pião. Tem aproximadamente 500 metros (1.640 pés) de diâmetro e orbita o Sol uma vez a cada 1,2 anos, ou seja, 436,604 dias. A cada seis anos, chega muito perto da Terra, a cerca de 0,002 UA, segundo a Universidade do Arizona. (Uma UA ou unidade astronômica é a distância entre a Terra e o Sol. Portanto, 0,002 UA é de aproximadamente 300.000 quilômetros ou 186.000 milhas ou — bem dentro da órbita da Lua da Terra.)

Os cientistas da missão também estão à caça de compostos orgânicos, aqueles que contêm moléculas como carbono e hidrogênio. Os orgânicos são a chave para a vida na Terra. Embora nem todas as moléculas orgânicas (aquelas com carbono e hidrogênio) sejam úteis para os processos da vida, estudá-las em locais como Bennu dá aos cientistas uma ideia de como os orgânicos podem ter estimulado a origem da vida.

“Ao trazer este material de volta à Terra, podemos fazer uma análise muito mais completa do que podemos com instrumentos em uma espaçonave, por causa dos limites práticos do tamanho, massa e consumo de energia do que pode ser usado”, acrescentou Edward Beshore, vice pesquisador principal da Universidade do Arizona, em um comunicado de 2014. “Também vamos separar materiais que servirão para as gerações futuras estudar com instrumentos de capacidades que nem podemos imaginar agora”.

Os administradores da missão OSIRIS-REx escolheram Bennu de 7 mil asteroides próximos da Terra, conhecidos em 2008, quando a missão foi selecionada para seguir em frente, de acordo com a Universidade do Arizona. Bennu tinha uma órbita que permitia o retorno da amostra, tinha um diâmetro pequeno (menos de 200 metros ou 650 pés) e também era rica em carbono. Na época, havia apenas cinco asteroides conhecidos que atendiam a todos esses parâmetros, e Bennu foi escolhido a partir deles.

Imagem de capa: uma renderização artística da OSIRIS-REx obtendo uma amostra de Bennu. Crédito: NASA

Fontes: NASA / Goddard, NASA, Universidade do Arizona, The Planetary Society e Space.com.

Leia aqui o comunicado da NASA sobre a campanha de aproximação da OSIRIS-REx ao asteroide Bennu.

Publicação arquivada em