Crise dos opiáceos: droga poderosa, mas não viciante, poderá vir a substituir a morfina

Um novo medicamento opioide bloqueia a dor em macacos sem nenhum efeito colateral aparentemente viciante ou perigoso. Opioides como a morfina, oxicodona e fentanil são bons em parar a dor, mas também podem ser viciantes....

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Um novo medicamento opioide bloqueia a dor em macacos sem nenhum efeito colateral aparentemente viciante ou perigoso.

Opioides como a morfina, oxicodona e fentanil são bons em parar a dor, mas também podem ser viciantes. Só nos EUA, mais de 46 pessoas morrem todos os dias de overdoses envolvendo opioides prescritos.

Mei-Chuan Ko, da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos, e seus colegas descobriram que poderiam bloquear simultaneamente a dor e prevenir o vício usando uma droga que ativa dois tipos de receptores opioide no cérebro.

O primeiro receptor, o receptor opioide mu (representado pela letra grega μ, também chamado de receptor opioide mi), é o receptor clássico de alívio da dor alvejado pelos opioides tradicionais. O segundo, o receptor opioide da nociceptina (NOP, receptor peptídico FQ de nociceptinas orfanina), bloqueia a resposta de formação do vício do cérebro, além de proporcionar alívio adicional da dor.

A droga, chamada AT-121, foi cem vezes melhor para reduzir a dor em macacos do que a morfina. Ko e seus colegas avaliaram isso medindo por quanto tempo os animais eram capazes de manter suas caudas em água desconfortavelmente quente a 50 °C após tomar doses variadas das duas drogas.

Parando o vício

O novo opioide também não apresentava propriedades aditivas aparentes. Os macacos do estudo prontamente se auto-administraram oxicodona e cocaína, mas não AT-121. Esta é uma descoberta promissora porque os macacos e os humanos estão próximos nas relações evolutivas e têm mecanismos de dependência semelhantes, diz Ko.

Outra vantagem foi que o AT-121 não causou problemas respiratórios, mesmo em altas doses. Os opioides existentes são perigosos quando tomados em excesso porque podem interferir na capacidade de respiração das pessoas.

No momento, a droga deve ser administrada por injeção, mas a equipe de Ko está trabalhando no desenvolvimento de uma forma de pílula.

Os pesquisadores esperam iniciar um ensaio clínico de AT-121 em dezoito meses. Se for bem-sucedido, poderá ficar disponível para os consumidores nos próximos seis anos.

Texto traduzido e adaptado do original de Alice Klein para o Daily News da revista New Scientist.

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