China acaba de lançar aeronave hipersônica que poderia escapar das defesas nucelares dos Estados Unidos

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A China testou com sucesso um novo avião hipersônico, uma potencial “arma nuclear hipersônica”, que em tese poderá ser capaz de transportar múltiplas ogivas nucleares e escapar de todas as defesas antimísseis existentes, como os escudos de mísseis norte-americanos, de acordo com a estatal de notícias chinesa e a imprensa afiliada ao estado, citando especialistas e engenheiros do país.

O veículo experimental hipersônico Xingkong-2 (chinês para Estrelado Céu-2) Waverider concebido pela Academia Chinesa de e Aerodinâmica Aeroespacial em Pequim pode atingir uma velocidade superior supostamente a seis vezes a velocidade do som.

Durante o recente teste, realizado na sexta-feira (03 de agosto) em um local não especificado, no noroeste da China, a aeronave foi primeiramente transportada por um foguete de combustível sólido de vários estágios antes de se separar e passar a contar com a própria propulsão, sendo que, segundo se sabe, foi capaz de atingir velocidades acima de Mach 5.5 por 400 segundos.

A velocidade máxima foi de Mach 6 ou 7.408 km/h (4.603 milhas por hora), de acordo com o jornal estatal China Daily.

O veículo em forma de cunha fez várias manobras de grande altitude e grande angular a uma altitude máxima de pouco mais de 29 quilômetros (18 milhas). A aeronave pousou na área alvo como pretendido, o que garantiu aos observadores divulgar o teste como um “grande sucesso”.

Um Waverider é um tipo de aeronave hipersônica que percorre as ondas de choque geradas durante o voo hipersônico. A relação entre a força de sustentação e a força de arrasto (L/D ou lift-to-drag ratio) é melhorada através de um processo conhecido como elevação de compressão.

A velocidade e as imprevisíveis trajetórias de voo desses veículos tornam particularmente difícil a interceptação dos sistemas de defesa existentes.

Fonte: South China Morning Post

 

“Anunciar o teste bem-sucedido ao público indica que a China já deve ter feito um grande avanço tecnológico com a arma”, disse o especialista militar chinês e comentarista Song Zhongping ao periódico chinês altamente nacionalista Global Times, acrescentando que “o teste mostrou que a China está avançando ombro a ombro com os EUA e a Rússia”.

Assim como a China, tanto os EUA quanto a Rússia experimentaram vários sistemas de veículos hipersônicos. A Rússia, por exemplo, espera lançar o seu veículo hipersônico Avangard propulsor-planador para o míssil balístico intercontinental Sarmat (ou Satã 2) do país por volta do próximo ano mais ou menos.

O progresso da China nesta área é particularmente alarmante para os Estados Unidos, cujas evidências sugerem que o desenvolvimento destes sistemas deve ser uma prioridade de nível nacional.

“Se você olhar para alguns dos nossos concorrentes de mesmo nível, a China como um desses, o número de instalações que eles construíram para construir hipersônicos (…) supera o número que nós temos neste país. É facilmente superado em duas ou trêz vezes. É muito claro que a China fez desta uma das suas prioridades nacionais”, disse o diretor da DARPA, Steven Walker, ao site Defense One em março deste ano. “Precisamos fazer o mesmo”.

Fonte: Defence Daily

 

Os projetos dos Estados Unidos incluem o Hypersonic Technology Vehicle 2 e um míssil hipersônico que pode ser lançado de um avião de guerra dos EUA.

A nova aeronave hipersônica da China deverá passar por testes adicionais em ritmo acelerado no futuro. Este primeiro teste “estabeleceu uma base tecnológica sólida para aplicações da engenharia e do design do waverider”, disse a Academia Chinesa de Aerodinâmica Aeroespacial em um comunicado, de acordo com o South China Morning Post.

A China tem testado veículos hipersônicos desde 2014, mas esta é a primeira aeronave hipersônica a usar a tecnologia waverider. Os observadores especialistas suspeitam que o design ainda está a três ou cinco anos de ser capaz de transportar um armamento de guerra.

Este artigo foi primeiramente publicado pelo Business Insider. Leia o texto original de Ryan Pickrell em inglês. Imagem de capa: Soldados chineses marcham após a inspeção da guarda de honra em Pequim. Foto de Elizabeth Dalziel.

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