Planos espaciais de grande porte da China podem envolver ajuda da Rússia

Popular Science, Peter Warren Singer* — Recentemente, a China divulgou a futura aparência (a mais reveladora até o momento) de um dos maiores foguetes espaciais do mundo, o Long March 9 (LM-9) de 4 mil...

961 0

Popular Science, Peter Warren Singer* — Recentemente, a China divulgou a futura aparência (a mais reveladora até o momento) de um dos maiores foguetes espaciais do mundo, o Long March 9 (LM-9) de 4 mil toneladas. .

O Long March 9, quando voar por volta de 2030, será um dos maiores foguetes espaciais do mundo, destinado a missões lunares e marcianas. Crédito: CCTV 1

Com a meta de começar a voar em 2030, o LM-9 tem diâmetro de 10 metros, altura de 100 metros, 6 mil toneladas de empuxo por meio de quatro motores de primeiro estágio e quatro foguetes boosters. Com este tamanho e potência, o designer-chefe da Academia de Tecnologia de Veículos de Lançamento (CALT), Long Lehao, anunciou que o Long March 9 será capaz de levantar 140 toneladas para órbita baixa da Terra (LEO, sigla em inglês para Low Earth Orbit), 50 toneladas para a órbita da Terra-Lua, e 44 toneladas para a órbita de transferência Terra-Marte. Aliás, 140 toneladas é a capacidade de carga projetada do Space Launch System (SLS) da NASA (de 130 toneladas) e que é de 150 toneladas do BFR da SpaceX.

Long Lehao, designer-chefe da CALT, fornece estatísticas sobre o LM-9, que está entre o Space Launch System e o SpaceX BFR em termos de carga útil. Crédito: CCTV

Dada a meta da CALT de tornar todos os seus veículos de lançamento espacial totalmente reutilizáveis até 2035, é provável que uma versão reutilizável do LM-9 esteja em andamento.

O Long March 9. Créditos: Chinaspaceflight

Lehao afirmou que a Administração Nacional do Espaço da China (CNSA, na sigla inglesa) tem grandes planos para o LM-9. Além de transportar os taikonautas, como são chamados os astronautas chineses, para a Lua e estabelecer uma base lunar, o voo inaugural em 2030 do LM-9 verá um retorno de amostra de solo marciano, após uma missão a Marte em 2020.

A primeira base lunar da China poderia ser inteiramente tripulada por robôs, que analisariam o solo lunar e mandariam amostras para a Terra a baixo custo. Crédito: Global Times

Curiosamente, Lehao disse que a capacidade de transporte de carga do LM-9 poderia levar uma usina de energia solar orbital chinesa, que consistiria de painéis solares em órbita que transmitiriam energia de volta para conversores de energia em terra. Embora o LM-9 também poderia ser usado para lançar cargas militares como satélites espiões, o foguete a combustível sólido Kuaizhou 31 (LEO) seria o mais provável candidato para missões militares secretas.

Embora este CGI da mídia estatal seja bastante fantasioso mostrando uma conjunto de painéis solares no espaço, os planos chineses de pesquisa de usinas solares orbitais são muito reais – e precisarão de foguetes de lançamento pesado como o Long March 9 para subir com eles. Crédito: People’s Daily

Ainda em relação às notícias sobre o LM-9, a cooperação espacial sino-russa buscará se fortalecer na próxima década, já que a CNSA e a Roscomos assinaram um amplo acordo de cooperação em exploração espacial cobrindo questões desde a exploração lunar até o monitoramento do lixo espacial orbital. De acordo com a mídia russa, China e Rússia estão estudando a cooperação em um veículo de lançamento espacial superpesado, que muito provavelmente seria o LM-9. Um arranjo poderia fazer com que cargas úteis russas extraplanetárias pegassem carona em foguetes chineses superpesados (o foguete KPK CTK planejado poderá lançar apenas 90 toneladas para uma LEO). O site Sputnik relata que uma estação espacial conjunta sino-russa em meados da década de 2020 pode estar em elaboração, o que vem junto com a já anunciada pela NASA estação espacial lunar (a Lunar Orbital Platform-Gateway) Americano-Russa, já esperada para ter sua construção iniciada no ano que vem. Naturalmente, tanto os projetos quanto os cronogramas são altamente prospectivos.

O Centro de Lançamento Espacial Wenchang está localizado na província mais ao sul da China, Hainan, já que o lançamento mais próximo do Equador aumenta o desempenho de veículos de lançamento espacial. Além de lançar o LM-5 a partir de 2015, Wenchang também abriga a carga útil de 130 toneladas do foguete Long March 9 até 2030. Crédito: AVIC

A informação sobre a cooperação sino-russa, no entanto, tem contexto anterior, além do leque mais amplo de acordos cooperativos russo-chinês em áreas que vão desde jatos até segurança cibernética. O governador Shen Xiaoming, da província de Hainan, disse no início de julho de 2018 que sua província está planejando um centro espacial sino-russo que vai sediar o trabalho conjunto entre agências governamentais, corporações e cientistas. A província de Hainan é o local do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, que é o mais novo e o maior centro espacial da China. A experiência russa com voos espaciais tripulados a longo prazo e sondas espaciais poderia funcionar muito bem com os superfoguetes chineses e com a atual tecnologia eletrônica.

Capaz de transportar uma carga de até 140 toneladas para a órbita terrestre baixa (ou 50 toneladas em um curso lunar), o Long March 9 será o foguete de lançamento espacial mais poderoso do mundo quando voar por volta de 2030. Será o “cavalo de batalha” não apenas para missões lunares chinesas, mas além para missões a Marte e a outros lugares. Crédito: Chinaspaceflight

O LM-9, quando lançado, será o primeiro passo para estabelecer a China como uma potência espacial extraterrestre. Como mostrado na intensificação da cooperação espacial com a Rússia, bem como no espaço com o interesse da nação via CNSA na estação espacial Tiangong 3 que será aberta para qualquer, a China claramente tem planos de fazer do espaço uma peça chave de seu poder no século XXI, aqui na Terra e além.

Comparativo entre os maiores futuros foguetes. Da esquerda para a direita: Long March 9 da CNSA, SLS da NASA e o ITS da SpaceX. Crédito: Chinaspaceflight

Antes, porém, o Long March 8, deve começar a voar em 2020, com um primeiro estágio completamente reutilizável, com descida acionada pelo núcleo e paraquedas para os boosters.

Uma foto de um slide apresentado por Long Lehao do CALT no Simpósio de Espaço Comercial Internacional da China em Harbin em 24 de abril, mostrando uma seção do planejado Long March 8. Crédito: Sina Weibo / Spaceflightfans / SpaceNews

Fonte: Popular Science e Chinaspaceflight.

*Peter Warren Singer é estrategista e membro sênior da New America Foundation. Fui nomeada pela Defense News como uma das 100 pessoas mais influentes em questões de defesa. Ele também foi apelidado de oficial “Mad Scientist” para os Estudos Unidos e instrutor militar do exército no Training and Doctrine Command. Jeffrey é um profissional de segurança nacional na grande área do Distrito de Columbia (D.C). Ambos são associados da Força Aérea dos Estados Unidos para Instituto de Universidade de Estudos Aeroespaciais da China.

Publicação arquivada em