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O nosso universo poderia ser um universo de Star Trek ou Star Wars, afinal. Um onde um conjunto diversificado de espécies extraterrestres inteligentes de todas as galáxias se comunica facilmente apesar de algumas diferenças biológicas bastante dramáticas. 

Alguns dos principais linguistas do mundo argumentam que as línguas humanas são conectadas por uma “gramática universal” compartilhada. E agora alguns, incluindo talvez o linguista mais conhecido, dizem que estão otimistas de que a conexão pode se estender também às línguas extraterrestres.

“Em suma, a língua marciana pode não ser tão diferente da linguagem humana, afinal”, explicou Noam Chomsky e Jeffrey Watumull em uma apresentação na Conferência Internacional de Desenvolvimento Espacial (ISDC na sigla em inglês), em Los Angeles.

Noam Chomsky

Chomsky é um autor notável em linguística e política global e é frequentemente referido como o “pai da linguística moderna”, que foi pioneiro na noção de uma gramática universal.

“Chomsky costuma dizer que, se um marciano visitasse a Terra, pensaria que todos nós falamos dialetos da mesma língua, porque todas as línguas terrestres compartilham uma estrutura subjacente comum”, disse Douglas Vakoch, presidente do METI (sigla em inglês para Mensagem de Inteligência Extraterrestre), que organizou um workshop de um dia sobre a Linguagem no Cosmos, na ISDC. “Mas se alienígenas possuem linguagem, seria semelhante à nossa? Essa é a grande questão.”

Os linguistas Bridget Samuels, da Universidade do Sul da Califórnia, e Jeffrey Punske, da Southern Illinois University, também argumentaram em uma apresentação separada no workshop que alguns fatores universais subjacentes à linguagem podem ser capazes de preencher grandes lacunas na biologia alienígena e no meio-ambiente.

“Todo o universo está sujeito às mesmas leis da física. Por exemplo, não há muitas maneiras de transmitir um sinal, particularmente em grandes distâncias”, explicaram-me por e-mail. “Além disso, podemos esperar que as línguas extraterrestres […] tenham um vocabulário que consiste em construir blocos de significado que possam ser combinados para criar significados mais complexos”.

A noção aqui é que existem aspectos do universo que são, bem, universais. Embora extraterrestres hipotéticos possam ter evoluído muito diferentemente de nós em mundos muito diferentes, todas as espécies – e por extensão todas as línguas – devem brotar essencialmente da mesma sopa elementar. 

“Embora a possibilidade de contato humano com extraterrestres pareça remota, e a possibilidade de comunicação bem-sucedida com eles pareça ainda mais remota, as leis da física, teoria da informação, lógica e matemática poderiam fornecer um terreno comum”, disse Samuels e Punske

O METI está tentando descobrir qual tipo de mensagem pode ser mais compreensível para os extraterrestres. A noção de que uma gramática universal conectando linguagens humanas também pudesse estar por trás dos dialetos alienígenas, modifica as coisas.

“Essa é uma mudança radical para os cientistas do SETI, que zombaram da idéia de criar mensagens interestelares inspiradas em línguas naturais”, disse Vakoch. 

No passado, as mensagens enviadas para o espaço eram tipicamente codificadas nos princípios da matemática e da ciência, e não da linguagem. Mais recentemente, enviamos músicas:

Ainda assim, a noção de gramática universal aplicada a todo o universo não é aceita por todos os interessados ​​na busca por inteligência extraterrestre.

Também no workshop, o professor emérito Gonzalo Munevar, da Lawrence Technological University, apresentou seu argumento de que há mais motivos para o pessimismo quando se trata de se comunicar com os extraterrestres. Ele argumenta que há muitos exemplos na Terra de diferentes espécies envolvendo diferentes cérebros que funcionam de maneiras muito diferentes.

Mariposas da Lua podem ver luz ultravioleta, algumas cobras podem ver calor e certos peixes percebem campos elétricos, só para se ter ideia. 

“Uma criatura inteligente cuja principal modalidade sensorial é elétrica em vez de visual teria padrões de pensamento completamente estranhos para nós”, explicou ele, acrescentando que “não há razão para esperar que linguagens ou matemática científicas semelhantes” apareçam em exoplanetas distantes.

Quer haja ou não alguma esperança de que os alienígenas possam entender as mensagens que enviamos ao espaço, Vakoch e METI não vão parar de tentar. Além da óbvia barreira do idioma, Vakoch diz que outro desafio é o tempo necessário para enviar e receber mensagens através do espaço interestelar. Uma conversa de mão dupla entre a Terra e o planeta mais próximo além do nosso sistema solar, Próxima Centauri, exigiria oito anos apenas para enviarmos um “oi” e recebermos uma resposta.

Infelizmente, a pesquisa mais recente sugere que Próxima Centauri envia grandes quantidades de radiações na direção de seu único planeta parecido com a Terra. O METI já direcionou uma mensagem para outro mundo próximo, mas uma resposta não chegaria até 2042, no mínimo.

“A maior mudança de mentalidade que precisamos para ter sucesso em uma conversa de mão dupla com extraterrestres é pensar em termos multigeracionais”, disse Vakoch. “Os cientistas que começarem uma experiência no SETI hoje, provavelmente não estarão por perto quando qualquer resposta além-terra retornar para nós.”


Artigo original em inglês: Alien languages might not be that different from ours