O cargueiro da SpaceX chega à Estação Espacial com toneladas de suprimentos

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Astronautas a bordo da ISS capturaram a Dragon não tripulada hoje (4 de abril) às 7:40 da manhã, usando o enorme braço robótico Canadarm2 do laboratório em órbita.

Astronautas a bordo da ISS capturaram a cápsula de carga não tripulada Dragon hoje (4 de abril) às 7h40 da manhã, no horário de Brasília, (6h40 a.m. EDT, 1040 GMT), usando o enorme braço robótico Canadarm2 do laboratório em órbita. O veículo de carga havia sido lançado na tarde de segunda-feira (2 de abril) a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX, em uma missão contratada pela NASA.

Aquela decolagem iniciou a segunda missão para ambos: o primeiro estágio do foguete e a Dragon. O primeiro estágio do foguete (ou booster ou propulsor) já havia ajudado a lançar outra missão de carga da SpaceX em agosto de 2017, e essa mesma cápsula Dragon lançada na segunda já visitara a ISS em abril de 2016. Essa reutilização faz parte do plano da SpaceX de reduzir o custo dos voos espaciais, abrindo os céus para a exploração comercial.

Os astronautas tripulantes da ISS em breve começarão a descarregar os 2.630 quilogramas (5.800 libras) de carga da Dragon, que inclui um número de experimentos científicos. Entre eles está um estudo projetado para ajudar a otimizar o crescimento das plantas no espaço, e uma investigação sobre como a medula óssea produz glóbulos vermelhos em um ambiente de microgravidade.

Também está a bordo da Dragon uma nave espacial experimental chamada RemoveDebris1, que será implantada na ISS em um futuro próximo para testar maneiras de remover o lixo espacial. Uma vez que esteja voando livremente, a nave mãe RemoveDebris procurará acertar um alvo em órbita com um arpão, e também lançará um pequeno satélite e posteriormente irá empacotá-lo com uma rede.

A Dragon permanecerá na ISS até o próximo mês, quando os tripulantes vão carregá-la com cerca de 1.800 quilogramas (3.900 libras) de carga da estação, disseram os representantes da SpaceX. A cápsula vai partir e manobrar para uma queda no Oceano Pacífico, na Baja Califórnia, onde o pessoal da SpaceX irá buscá-la de barco.

O veículo de carga Dragon da SpaceX, que transportava quase 3 toneladas de suprimentos e material científico, chegou nesta quarta-feira (04) à Estação Espacial Internacional (ISS) depois de uma trajetória orbital de dois dias. Crédito: SpaceX .

No entanto, não houve recuperação para o primeiro estágio do Falcon 9 que lançou a cápsula na segunda-feira. A SpaceX não tentou pousar o propulsor, porque os boosters da versão atual do Falcon 9 não foram projetados para voar mais de duas vezes. A próxima geração do Falcon 9, conhecido como o Block 5, será capaz de lançar e pousar pelo menos 10 vezes com o mesmo primeiro estágio, de acordo com a SpaceX.

Os cargueiros Dragon provavelmente não verão essa reutilização tão pesada, pelo menos não em um futuro próximo.

“Para o veículo de carga Dragon 1, estamos certificando que ele será capaz de realizar três voos completos”, disse Jessica Jensen, gerente de missão Dragon da SpaceX, em entrevista coletiva após o lançamento na segunda-feira. “Então, algumas Dragons já estão vendo dois voos; elas serão capazes de um terceiro voo”.

CRS-14

A SpaceX disparou o foguete Falcon 9 para um voo rumo à Estação Espacial Internacional com uma cápsula cargueira Dragon carregando comida, suprimentos e um satélite projetado para remover o perigoso lixo espacial.

A missão de Serviços de Reabastecimento Comercial 14 (CRS-14 ou “Commercial Resupply Services 14”2) da empresa à ISS partiu do Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida, às 17:30 no horário de Brasília (16h30 p.m. ET 2030 GMT) na segunda-feira.

A Dragon se separou do segundo estágio do Falcon 9 cerca de 10 minutos após a decolagem e será anexado à estação espacial na quarta-feira, 4 de abril.

Tanto o Falcon 9 quanto a espaçonave Dragon para a missão CRS-14 foram reutilizados no voo. O primeiro estágio do Falcon 9 apoiou anteriormente a missão CRS-12 em agosto de 2017 e a Dragon apoiou anteriormente a missão CRS-8 em abril de 2016. A SpaceX não tentou recuperar o primeiro estágio do Falcon 9 após o lançamento.

O cargueiro Dragon. A SpaceX lançou um foguete Falcon 9 com um cargueiro Dragon reciclado pela segunda vez na história da empresa. Esta cápsula Dragon lançada na segunda-feira (02) em já foi usada. No topo de um foguete Falcon 9, com o primeiro estágio também reutilizado, foram rebocados 2.630 quilogramas (5.800 libras) de suprimentos e experimentos científicos até a ISS.

Dragon Capturada

Nesta quarta-feira, 4 de abril, os membros da tripulação da Estação Espacial Internacional usaram o braço robótico de 17,6 metros da ISS chamado de Canadarm2 para alcançar e capturar a espaçonave Dragon e anexá-la ao laboratório em órbita.

A bordo deste voo estão várias cargas enviadas pelo ISS National Laboratory3 (gerenciado pelo Center for the Advancement of Science in Space). A remessa do ISS National Laboratory  enviada na CRS-14 tem foco em ciências da vida, biotecnologia e novas instalações para permitir a posterior utilização adicional para Laboratório Nacional da ISS.

As cargas úteis enviadas representam uma combinação diversificada de ciência, tecnologia e validação de novas instalações que contribuirão para uma maior capacidade de pesquisa no futuro. As implicações da ciência da vida desses experimentos têm o potencial de ser inovador dentro da comunidade médica, beneficiando a vida humana na Terra. Alguns destaques desta missão incluem tecnologias de pequenos satélites e cubesats NanoRacks RemoveDebris1, o removedor de lixo espacial. O RemoveDebris é m projeto da NanoRacks em parceria com o Centro Espacial Surrey da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

Limpeza espacial

A quantidade de detritos espaciais orbitando a Terra é um problema crescente. Colisões de detritos espaciais em órbita podem criar ainda mais detritos, o que poderia danificar os satélites e outras naves espaciais. Este projeto usará a plataforma de satélite NanoRacks RemoveDebris4 para implantar dois cubesats pra procurar detritos artificiais em órbita para demonstrar quatro tecnologias para remoção de detritos (captura de rede, captura de arpão, navegação baseada em visão).

“NanoRacks-Remove Debris demonstra uma abordagem para reduzir os riscos apresentados por detritos espaciais ou “lixo espacial”. Colisões no espaço podem ter sérias consequências, mas pesquisas mostram que remover os maiores detritos reduz significativamente a chance de colisões”, explicou a NASA1 no resumo do experimento. “NanoRacks-Remove Debris demonstra o uso de uma câmera 3D para mapear a localização e a velocidade de detritos e a implantação de uma rede para capturar e de-orbitar detritos simulados de até um metro de tamanho. A análise em Terra do vídeo da demonstração aumentará a compreensão dos detritos que precisam ser removidos e da melhor maneira de fazê-lo”.

Mas poderia uma rede e um arpão serem a resposta para o problema do lixo espacial?

A missão RemoveDebris, projetada e fabricada por um consórcio de importantes empresas espaciais lideradas pela Universidade de Surrey5 e financiada pela Comissão Europeia, é um dos primeiros passos concretos do mundo para limpar os cerca de 40.000 pedaços de lixo espacial atualmente em órbita da Terra.

A U.S. Space Surveillance Network rastreia 40.000 objetos e estima-se que existam mais de 7.600 toneladas de lixo espacial em órbita ao redor da Terra — com alguns se movendo mais rápido do que uma bala, atingindo velocidades de 48.276 quilômetros por hora (30.000 milhas por hora).

Uma vez em órbita a bordo da ISS, os experimentos de Active Debris Removal (ADR) serão realizados no espaço com o lançamento do cubsat a partir da ISS. No primeiro de dois experimentos de captura, uma rede será lançada em um dos cubsats implantados para demonstrar a capacidade de captura por meio de rede no espaço. O segundo experimento de captura verá um arpão ser lançado em uma placa alvo a ser implantada, feita de materiais de painéis de satélite, representando tais peças à deriva no espaço — a primeira captura de arpão em órbita —, para demonstrar a capacidade de captura de tal método sem que mais detrito seja gerado.

Ainda um terceiro experimento será realizado. Ele envolve a navegação baseada em visão de uma câmera 3D, implantando o segundo cubo e demonstrando a navegação de encontro usando câmeras e um LiDaR.

A tecnologia Lidar (também chamado LIDAR, LiDaR, LiDAR e LADAR), que significa Light Detection and Ranging, é um método de levantamento que mede a distância até um alvo, iluminando o alvo com luz laser pulsada e medindo os pulsos refletidos com um sensor. Diferenças nos tempos de retorno de laser e comprimentos de onda podem ser usadas para fazer representações digitais 3D do alvo.

Finalmente, em um quarto experimento, a espaçonave RemoveDebris implantará uma grande “vela de arrasto” a ser acelerar em órbita, que irá se queimar à medida que entra na atmosfera da Terra.

Fontes: Space.com, Spaceflight Now e SatNews

Referências:

  1. NanoRacks-Remove Debris (NanoRacks-Remove Debris) – 03.21.18. NASA. 21 de março de 2018. Disponível em <https://www.nasa.gov/mission_pages/station/research/experiments/2456.html>;
  2. Successful Liftoff Begins SpaceX Dragon Mission to Space Station. Blog NASA. <https://blogs.nasa.gov/spacex/2018/04/02/successful-liftoff-begins-spacex-dragon-mission-to-space-station/>;
  3. Science-Heavy SpaceX Dragon Headed to Space Station. ISS U.S. National Laboratory. <https://www.iss-casis.org/blog/science-heavy-spacex-dragon-headed-to-space-station/>
  4. RemoveDebris Mission Confirms Launch in 2017 using the ISS. NanoRacks. 28 de setembro de 2016, <http://nanoracks.com/RemoveDebris-mission/>;
  5.  RemoveDebris. University of Surrey. Disponível em <https://www.surrey.ac.uk/surrey-space-centre/missions/RemoveDebris>.