Kim Jong Un concorda com a desnuclearização da península coreana

Os líderes da Coreia do Norte e do Sul também prometeram “cessar todos os atos hostis” em meio a uma “nova era de paz” após uma cúpula histórica. Seul, Coreia do Sul – Os líderes...

1815 0

Os líderes da Coreia do Norte e do Sul também prometeram “cessar todos os atos hostis” em meio a uma “nova era de paz” após uma cúpula histórica.

Seul, Coreia do Sul – Os líderes da Coreia do Norte e do Sul assinaram uma declaração histórica nesta sexta-feira (28) prometendo “não haver mais guerra” e um objetivo comum da “completa desnuclearização” da península coreana. Os países, que tecnicamente permanecem em estado de guerra, anunciaram o acordo como parte de “uma nova era de paz”.

O norte-coreano Kim Jong Un e o presidente sul-coreano Moon Jae-in também prometeram “cessar todos os atos hostis” e “transformar a zona desmilitarizada em uma zona de paz”. Os dois líderes se abraçaram, e Jae-in disse que visitaria Pyongyang no outono.

Embora leve em detalhes, a cúpula estabeleceu as bases para uma reunião entre Kim e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em meio a preocupações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte. Kim repetidamente ameaçou destruir tanto os Estados Unidos quanto a rival Coreia do Sul.

Trump viu o acordo com cautela, publicando em sua conta no Twtter que “o tempo dirá” se isso levar ao fim dos testes de mísseis nucleares. “Os Estados Unidos e todos os seus grandes povos devem estar muito orgulhosos do que está acontecendo agora”, acrescentou.

Trump seguiu com mais ênfase: “GUERRA COREANA RUMO AO FIM! Os Estados Unidos, e todos os seus GRANDES povos, devem estar muito orgulhosos do que está acontecendo na Coreia!”

O presidente também deu crédito à China, o mais importante apoiador da Coreia do Norte, pelo dramático degelo nas relações com o sul.

O Secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, disse naquele mesmo dia que se houver um tratado de paz, os Estados Unidos discutirão com seus aliados e a Coreia do Norte se as tropas norte-americanas precisam permanecer estacionadas na península coreana. “Eu acho que por agora só temos que ir junto com o processo”, disse Mattis. “Os diplomatas terão que ir trabalhar agora.”

Mais cedo, Jong Un e Jae-in entraram brevemente nos países um do outro antes de uma reunião que parecia marcar um ponto de virada em um dos focos de tensão mais perigosos do mundo.

Jong Un atravessou uma linha de demarcação militar baixa e concreta que separava as nações rivais e cumprimentou Jae-in com sorrisos e apertos de mão. Enquanto as câmeras focavam o momento histório, ele pegou Jae-in pela mão e o convidou a voltar rapidamente para a Coreia do Norte. Jae-in aceitou o convite e atravessou a linha divisória pisando em solo norte-coreano.

Kim Jong Un e Moon Jae-in se preparam para apertar a mão da linha de demarcação militar. Divulgação

“Temos a chance de curar as feridas”, Jong Un disse a Jae-in quando eles se sentaram para conversar na aldeia de Panmunjom, no lado sul-coreano da Zona Desmilitarizada. Kim então escreveu uma promessa em um livro cerimonial: “Uma nova história começa agora”.

Após o almoço, os líderes se reuniram novamente para plantar um pinheiro comemorativo e passearam juntos sem seus auxiliares pela aldeia.

 

Jong Un fez uma tentativa não convencional de quebrar o gelo com um comentário sobre seus recentes testes com mísseis, de acordo com um briefing feito a repórteres pelo porta-voz de Jae-in, Yoon Young Chan.

Jong Un disse para Jae-in com um sorriso: “Disseram-me que você costumava ser incapaz de ter uma boa noite de sono, sendo acordado (…) para participar das reuniões do Conselho de Segurança Nacional por nossa causa.” O líder norte-coreano acrescentou: “Vou me certificar de que você possa dormir profundamente”.

No primeiro encontro entre os líderes do Norte e do Sul em uma década, Jong Un também disse que está ansioso para “aproveitar ao máximo esta oportunidade para que possamos curar as feridas entre o Norte e o Sul. Vamos nos encontrar com mais frequência agora.” Ele acrescentou: “Vamos conhecer as expectativas das pessoas para criar um mundo melhor. Eu prometo que faremos bem no futuro”.

Os líderes foram recebidos na sexta-feira (27) por um guarda de honra em traje tradicional do lado sul-coreano. O casal foi até a Casa da Paz em Panmunjom, um complexo militar na zona desmilitarizada (DMZ) entre os dois países. Crédito: BBC.

De acordo com porta-voz Chan, Jong Un também disse a Jae-in: “Eu vim aqui para acabar com a história do confronto e trabalhar ombro a ombro com você para enfrentar os obstáculos entre nós. Cheguei com a confiança de que um futuro mais brilhante nos espera”.

Antes da declaração ser assinada, a China aplaudiu os líderes por dar um “passo histórico” em direção à paz. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, disse a repórteres em Pequim que seu país espera “uma nova jornada de paz e estabilidade de longo prazo na península”.

Com o programa de armas nucleares da Coreia do Norte tendo alcançado o que os políticos americanos descrevem como um estágio crítico, as expectativas são altas de que as negociações de sexta-feira estabeleçam as bases para reduzir as tensões entre Pyongyang e Washington

O encontro previsto entre Jong Un e Trump seria o primeiro entre um presidente dos Estados Unidos sentado ao lado de um líder norte-coreano. Não está claro quando acontecerá, embora autoridades americanas tenham dito que poderia ser no final de maio a meados de junho. Cingapura, Suíça, Suécia e Mongólia foram citados como possíveis locais.

Kim Jong Un e Moon Jae-in cruzam a linha de demarcação militar na Panmunjom na sexta-feira, 27 de abril de 2018.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse em um comunicado que os Estados Unidos “esperam continuar com discussões robustas em preparação para o encontro planejado entre o presidente Donald Trump e Kim Jong Un nas próximas semanas”.

Reuniões entre os líderes das duas Coreias ocorreram no passado, em 2000 e 2007, mas em cada uma dessas instâncias o presidente sul-coreano viajou para Pyongyang.

A cúpula de sexta-feira vem depois da notícia da semana passada de que Mike Pompeo, então diretor da CIA (o Senado norte-americano ratificou na quinta-feira Pompeo como novo secretário de Estado de Trump), manteve recentemente conversas cara a cara com o então homem recluso.

Jong Un também deu à sua irmã mais nova, Kim Yo Jong, um lugar na mesa de negociações, informou a Associated Press. Ela sentou-se ao lado de Kim quando ele começou sua primeira rodada de reuniões. O único outro oficial norte-coreano presente era o ex-chefe de inteligência Kim Yong Chol, o principal funcionário encarregado das relações com o sul.

Kim Jong Un e o Presidente Moon Jae-in da Coreia do Sul plantaram um pinheiro na Zona Desmilitarizada para comemorar sua cúpula histórica.

Os esforços diplomáticos diminuíram no ano passado em meio à guerra de palavras entre Trump e Jong Un. Trum durante os ataques verbais alertou que Jong Un seria recebido com “fogo e fúria” e apelidado de “pequeno homem-foguete”.

“O presidente Kim e eu agora somos bons amigos que trilham o mesmo caminho”, disse o presidente da Coréia do Sul, Moon.

No entanto, no início deste ano, a Coréia do Sul fez alguns notáveis avanços com seu vizinho depois de uma série de reuniões e debates que resultaram no envio de atletas da Coreia do Norte para competir nas Olimpíadas de Inverno na Coreia do Sul.

Fontes: NBC News, BBC e Associated Press.

Publicação arquivada em