Comentário sobre o filme O jovem Karl Marx, de Raoul Peck

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Por José Denilson Souza Aguiar

A primeira referência de estudos sobre o filme é sobre os pensadores hegelianos de esquerda e ao jornal Gazeta Rennana. Intelectuais como Arnold Ruge, Bruno Bauer são os primeiros a aparecer, bem como os debates entre eles e Karl Marx. Observa-se que em meio as perseguições policiais por conta da censura aos estudiosos por conta do poder centralizado das monarquias absolutistas, encontra-se os primeiros rompimentos de estudos e amizade entre Marx e os seus amigos dentro do círculo intelectual do jornal.

A menção ao jornal Vorwörts e o debate suscitado a revolta camponesa explicita os primeiros pensamentos do jovem Marx em relação a sua compreensão sobre a atuação e essência da sociedade e do Estado, principalmente ao Estado prussiano. As discussões sobre a influência da religião também é notável implicitamente nos debates a respeito do proletariado.

Outros intelectuais de peso que estudaram novas formas de organização política e social são mostrados no filme com os seus respectivos pensamentos sendo expostos ao público leigo. Mikhail Bakunin, Pierre Joseph Proundhon, dentre outros, suscitam debates em público com Marx e Engels, demonstrando as suas divergências com relação o método e destino do proletariado europeu.

O filme não mostra somente o Karl Marx filósofo mas também o humano. A constante crise financeira que sua família enfrenta, a chegada dos filhos com a tensão de como sustenta-los, o exílio que é submetido tanto na Alemanha quanto na França, mostra como a árdua crítica de um intelectual pode ser perigosa por conta da censura de quem é por ela atingido.

De fato, Marx engajou a sua vida ao trabalho intelectual em função de um projeto de sociedade mentalizado junto com o seu amigo Engels e a sua esposa Jenny. Em meio as perseguições de Estado, a censura política, o exílio submetido, a crise financeira acometida, as doenças decorrentes de sua frágil saúde e os rompimentos de amizade entre seus companheiros, Marx persiste no trabalho, na crítica a filosofia e a sociedade da época.