Asimov: um dos mais criativos céticos humanistas. Uma homenagem pessoal a Isaac Asimov (“in memoriam“).

Isaac Asimov (Petrovichi, 2 de janeiro de 1920 – 6 de abril de 1992); foi um escritor e bioquímico russo, naturalizado norte-americano. É famoso como divulgador científico e como autor de ficção científica, sendo suas séries mais populares “Fundação” e “Robôs”. Nesta última criou as famosas Três Leis da Robótica. Sua obra de ficção se destaca por introduzir ao leitor leigo conhecimentos científicos e a ideia do método científico.

Nascido em 02 de janeiro na vila rural de Petrovichi, na Rússia, o escritor e cientista Isaac Asimov adotou essa data como dia do seu aniversário, já que nascera uma data desconhecida entre 04 de outubro de 1917 e 02 de janeiro de 1920, migrando juntamente com sua família para os Estados Unidos aos três anos de idade.

Asimov ficou mais conhecido por seu trabalho sobre ficção científica, contudo ele lecionava bioquímica na Universidade de Boston e era doutor (PhD) e pós-doc em bioquímica pela Columbia University (concluído em 1948).

Asimov é considerado um dos mestres da ficção científica e, junto com Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, foi considerado um dos “Três Grandes” na categoria. A obra mais famosa do escritor é a série “Fundação”, também conhecida como Trilogia da Fundação, que faz parte da série do Império Galáctico. A obra logo combinou com sua outra grande série, a “Robos”. Também escreveu obras de mistério e fantasia, assim como uma grande quantidade de não ficção.

Asimov foi aluno das New York City Public Schools (escolas públicas de Nova York), inclusive a Boys’ High School, do Brooklyn. A partir daí, ele foi para a Universidade de Columbia, onde se graduou em 1939 obtendo o grau de Bacharel em Ciência (“Bachelor of Science”), e depois obtendo o doutorado em bioquímica, em 1948.

Entre a obtenção do seu mestrado e a conclusão do doutorado ele se afiliou à marinha dos EUA para lutar na Segunda Guerra Mundial, com aproximadamente 25 anos. Trabalhando como civil na Estação Experimental Naval “Air de Philadelphia Yard”, vivendo na seção Walnut Hill de West Philadelphia de 1942 a 1945. Em setembro de 1945, ele foi recrutado para o Exército dos EUA; se ele não tivesse corrigido a data de seu nascimento, ele teria oficialmente 26 anos e não seria elegível para o serviço militar.

Em 1946, um erro burocrático fez com a atribuição militar de Asimov fosse interrompida, e ele foi removido de uma força-tarefa dias antes de navegar para participar dos testes de armas nucleares da Operação Crossroads no Atol Bikini. Ele serviu por quase nove meses antes de receber uma derrogação honrosa em 26 de julho de 1946.Ele foi promovido a cabo em 11 de julho. Os papers originais de Asimov a partir de 1965 estão arquivados na Mugar Memorial Library da Universidade de Boston, memorial ao qual ele os doou a pedido do curador da instituição.

Depois de completar seu doutorado e um ano pós-doutorado, Asimov se afiliou à Faculdade de Medicina da Universidade de Boston em 1949 com um salário equivalente em 2017 a US$51.427, cargo que ele ocupou até 1958 (em 1955 se tornara professor titular), quando começou a fazer mais dinheiro como escritor. Em 1979 a universidade o torna Professor Catedrático, uma hora em virtude de seu notável trabalho.

O Jovem Isaac Asimov, em foto tirada antes de 1959.

A carreira de Asimov como escritor de ficção científica começa 1942. Carreira bem conhecida e que aos fãs da literatura de ficção científica e com diversas obras premiadas.

Em 1959, após uma recomendação de Arthur Obermayer, amigo de Asimov e cientista no projeto de proteção contra mísseis dos EUA, Asimov foi abordado pela DARPA para se juntar ao time de Obermayer. Asimov declinou com o argumento de que sua capacidade de escrever livremente seria prejudicada se receber informações sigilosas do governo dos Estados Unidos. No entanto, ele apresentou um paper para o DARPA intitulado “On Creativity” contendo ideias sobre como os projetos de ciência baseados no governo poderiam incentivar os membros da equipe a pensar de forma mais criativa.

Em 1984, a American Humanist Association (AHA) o chamou de Humanista do Ano. Ele foi um dos signatários do Manifesto Humanista, escrito em 1973 pelos humanistas Paul Kurtz and Edwin H. Wilson. De 1985 até a sua morte em 1992, serviu como presidente da AHA, uma nomeação honorífica. Seu sucessor foi seu amigo e colega escritor Kurt Vonnegut. Ele também foi um amigo íntimo do criador de Star Trek, Gene Roddenberry, e ganhou um crédito de tela como “consultor de ciência especial” no Star Trek: The Motion Picture (direção Robert Wise, Estados Unidos, 1979) em virtude dos conselhos que ele deu durante a produção do longa.

Asimov foi um membro fundador do Comitê para a Investigação Científica de Alegações Paranormais (Scientific Investigation of Claims of the Paranormal – CSICOP, hoje chamado de Committee for Skeptical Inquiry) e está listado em seu panteão dos céticos. Em um debate com James Randi no CSICon 2016 sobre a fundação do CSICOP, Kendrick Frazier disse que Asimov foi “uma figura-chave no movimento cético que é menos conhecida e apreciada hoje, mas estava muito na mira do público na época”. Ele disse que Asimov estava associado ao CSICOP “deu-lhe imenso status e autoridade” em suas atividades.

Asimov descreveu Carl Sagan como uma das duas únicas pessoas que já conheceu, cujo intelecto superou o dele. O outro, segundo ele, foi o cientista de informática e especialista em inteligência artificial Marvin Minsky. Asimov era um membro de longa data e vice-presidente da Mensa International (sociedade formada por pessoas com alto QI), embora relutantemente; ele descreveu alguns membros dessa organização como “orgulhosos e agressivos sobre seus QI’s”.

Asimov sofreu um ataque cardíaco em 1977, quando ele foi submetido um uma cirurgia cardiovascular. Durante essa cirurgia, contraiu o vírus causador da AIDS em decorrência de uma transfusão de sangue. Quando a sua condição de portador do vírus HIV foi finalmente entendida pelos seus médicos, esses o orientaram que se Asimov tornasse pública a sua condição, o preconceito contra os portadores do vírus da AIDS provavelmente se estenderia aos membros de sua família. Ele morreu em Nova York em 6 de abril de 1992 e seu corpo foi cremado. Foi casado duas vezes e deixou dois filhos do primeiro casamento, David (1951) e Robyn Joan (1955).

Isaac e sua primeira esposa Gertrude

Em 1981, um asteroide recebeu seu nome em sua homenagem, o 5020 Asimov. O robô humanóide “ASIMO” da Honda, também pode ser considerada uma homenagem indireta a Asimov, pois o nome do robô significa, em inglês, Advanced Step in Innovative Mobility, além de também significar, em japonês, “também com pernas” (ashi mo), em um trocadilho linguístico em relação à propriedade inovadora de movimentação deste robô, segundo o site Blah Cultural.

Carreira literária

Revistas baratas de papel de polpa, chamadas pulp sobre ficção científica eram vendidas em lojas, e ele começou a lê-las. Por volta dos onze anos, começou a escrever histórias próprias e, por volta dos dezenove, tendo-se tornado fã, começou a vender suas histórias a revistas. John W. Campbell, o editor de Astounding Science Fiction, para quem ele vendeu suas primeiras histórias, foi uma forte influência formativa e tornou-se um amigo, escreveu a fonte indicada.

Asimov escreveu ficção científica pesada e, juntamente com Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, foi considerado um dos “Três Grandes” (ou “Big Three”) escritores de ficção científica durante sua vida. O trabalho mais famoso de Asimov é a Série Fundação (1942 – 1993); suas outras séries principais são a série Império Galáctico (1950 – 1952) e a série Robôs (1954 – 1985). Os romances do Império Galáctico estão explicitamente estabelecidos na história anterior do mesmo universo fictício que a série Fundação. Mais tarde, começando com a extensão da série Fundação (com o livro Limites da Fundação, 1982) ele ligou esse futuro distante às histórias de Robot e Spacer, criando uma “história futurística” unificada para suas histórias, muito parecida com as que foram pioneiras pelo escritor Robert A. Heinlein e com as produzidas anteriormente por Cordwainer Smith (pseudônimo do escritor Paul Myron Anthony Linebarger, nascido em 1913, morto em 1966) e Poul William Anderson (1926, 2001). Ele escreveu centenas de histórias curtas, incluindo romancetes de ficção científica “Nightfall”, que em 1964 foi eleito pelos escritores de ficção científica dos Estados Unidos com a melhor história de ficção científica de todos os tempos. Asimov escreveu a série Lucky Starr (seis livros publicados de 1952 a 1958) juvenis de ficção científica usando o pseudônimo de Paul French.

Asimov também escreveu mistérios e fantasias, bem como muita não ficção. A maioria de seus livros de ciência popular explica os conceitos científicos de maneira histórica, indo o mais longe possível até um momento em que a ciência em questão estava em seu estágio mais simples. Exemplos incluem Guia de Ciências, o conjunto de três volumes de Compreendendo a Física e o Cronologia da Ciência e Descoberta, bem como trabalhos sobre astronomia, matemática, história, escrita, química e obras de William Shakespeare.

Asimov e a segunda esposa Janet.

Asimov não se mostrou visionário apenas em relação a sua literatura. Em 1964, aceitou uma proposta do jornal The New York Times e fez uma série de previsões acerca do mundo do futuro, projetando-o como seria dali a 50 anos, isto é, em 2014.

Embora não utilizasse, à época de Asimov, os termos de hoje, por seus escritos podemos notar que ele previu a existência dos micro-ondas em nossas cozinhas, da fibra ótica, da internet, dos microchips, das TV de tela plana e até de pessoas acometidas com depressão. Mas também errou, como ao prever carros voadores e usinas nucleares de fusão atômica (as usinas nucleares que existem hoje usam o princípio da fissão nuclear e não da fusão nuclear, que é outro princípio e que está sendo estudado pela ciência).

No vídeo abaixo (legendado em português), Asimov fala sobre o impacto da internet na educação a Bill Moyers no programa de TV World of Ideas, em 1988.

O seu irmão, o jornalista Stanley Asimov (1929-1995), escreveu sobre Isaac Asimov no livro “Yours, Isaac Asimov” (1996):
“Minha estimativa é que Isaac recebeu cerca de 100 mil cartas em sua carreira profissional. E com a compulsão que tem que ser uma característica de um escritor de quase 500 livros, ele respondeu 90% delas. Ele respondeu mais da metade com cartões postais e não fez uso de carbonos neles. Mas das 100.000 cartas que recebeu, há carbonos de cerca de 45.000 respostas que ele escreveu”.

Saiba mais:

Comunidade Cultura e Arte – Isaac Asimov, um dos mestres da ficção científica

Blah Cultural – Asimov Isaac

The Russian American Heritage Museu: Isaac Asimov