O Kepler da NASA, o caçador de planetas, está ficando sem combustível

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A nave de busca de exoplanetas da NASA está ficando sem combustível.

 

De Elizabeth Howell, editora do Space.com.

Os dias de caça de planetas do telescópio espacial Kepler vão acabar em breve. Depois de encontrar mais de 2.300 planetas confirmados em suas duas missões, o Kepler está com pouco combustível e vai ficar sem nada dentro de alguns meses, de acordo com engenheiros da NASA.

“Nossas estimativas atuais são de que o tanque do Kepler vai secar dentro de meses, mas ficamos surpresos pelo seu desempenho anterior! Assim, enquanto fazemos previsões que operações de voo terminarão em breve, estamos preparados para continuar enquanto o combustível permitir”, Charlie Sobeck, engenheiro de sistema para a missão Kepler, disse em um comunicado da NASA.

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“A equipe do Kepler está planejando coletar o máximo possível de dados científicos em seu tempo restante e planeja também transportá-lo de volta à Terra antes que a perda dos propulsores movidos a combustível implique não ser mais possível apontar a espaçonave para transferência dos dados”, acrescentou. “Nós ainda temos planos para trazer alguns dados na calibração final com a última gota de combustível, se a oportunidade assim permitir.”

Os dados de Kepler também serão analisados durante anos, enquanto os cientistas procurarem confirmar outros possíveis planetas nos dados de arquivo do telescópio. Até o dia 16 de março, o Kepler havia confirmado a existência de 2.342 planetas em suas duas missões — isso é cerca de dois terços de todos os exoplanetas já descoberto. (Somente no mês passado, os cientistas do Kepler liberaram um lote de 95 planetas que estão incluídos naquele total.) Além disso, existem 2.245 possíveis planetas que requerem mais observações — um terreno fértil para futuras pesquisas.

A missão Kepler foi lançada em 2009 a um custo de US$ 600 milhões para procurar exoplanetas em um local fixo na constelação Cygnus. Durante quatro anos, ele observou as estrelas em busca do revelador escurecimento que ocorre quando um exoplaneta passa à frente de sua estrela mãe. O objetivo final da missão era encontrar exoplanetas rochosos que fossem do tamanho da Terra ou menor — um tipo de planeta raramente encontrado antes de o Kepler entrar em órbita. Mas em poucos anos, os dados do Kepler mostraram que os planetas rochosos são extremamente comuns no universo.

Infográfico mostrando como funciona a missão K2. Em março de 2016 os engenheiros desenvolveram uma maneira inovadora de estabilizar e controlar a nave espacial Kepler. Essa técnica de usar o sol como a
Infográfico mostrando como funciona a missão K2. Em março de 2016 os engenheiros desenvolveram uma maneira inovadora de estabilizar e controlar a nave espacial Kepler. Essa técnica de usar o Sol como a “terceira roda” fez Kepler procurar por planetas novamente, mas fazendo descobertas em estrelas jovens a supernovas. Créditos: NASA Ames / W Stenzel (clique aqui para a imagem ampliada).

A missão foi originalmente programada para durar dois anos, mas foi prorrogada. Em 2013, após quatro anos de operação, três dos quatro giroscópios do Kepler — as “rodas” que posicionam a nave — falharam. O Kepler não conseguia mais manter o olhar fixo no espaço. Então a NASA concebeu uma nova missão para a espaçonave, a chamada K2.

Usando a pressão do vento solar para manter a posição, a espaçonave iria girar entre diferentes áreas do céu a cada três meses (etapas que, no jargão da missão, são chamada de “campanha”). Isso permitiu que o Kepler continuasse procurando exoplanetas, embora com um período orbital mais curto (veja o infográfico acima). Até mesmo na missão K2 o Kepler excedeu às expectativas.

“Inicialmente, a equipe do Kepler estimou que a missão K2 poderia realizar dez campanhas com o combustível restante”, disse Sobeck. “Acontece que éramos muito conservadores. A missão já completou 16 campanhas, e este mês entrou em sua décima sétima.”

Ele acrescentou que não há nenhum medidor de combustível no Kepler mostrando quando ele ficará sem combustível, de modo que a equipe depende de estimativas. Essas estimativas consideram fatores como mudanças no desempenho do propulsor e gotas de combustível no tanque pressurizado. Mas o Kepler tem uma vantagem: está localizado no espaço profundo. Não é perto de um planeta que hospeda luas geladas, ao contrário da missão Galileo perto de Júpiter, que orbitou por lá entre 1995 e 2003, e da missão Cassini perto de Saturno, que ficou em órbita do planeta de 2004 a 2017.

Quando a Cassini e a Galileu estavam com pouco combustível, os engenheiros da NASA deliberadamente apontaram essas espaçonaves em mergulhos fatais em seus respectivos planetas, apenas por precaução no caso de essas naves à deriva acidentalmente colidirem com uma lua gelada com potencial para hospedar a vida. O Kepler, pelo contrário, pode continuar no espaço o tempo que for possível.

“Nós podemos nos dar ao luxo de espremer cada gota de dados da espaçonave e, em última análise, isso significa trazer para casa ainda mais dados científicos”, disse Sobeck. “Quem sabe que surpresas sobre o nosso universo estarão naquele último download de dados para a Terra?”.

Enquanto o Kepler está no apagar das luzes de sua missão, outra espaçonave de caça a exoplanetas está pronta para assumir o palco: o Satélite de Pesquisa de Exoplaneta em Trânsito, TESS (sigla em inglês para Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. O TESS será lançado depois de 16 de abril partindo da estação da força aérea de Cabo Canaveral, na Flórida. Ele fará uma busca por exoplanetas em pelo menos 200.000 estrelas, tendo como meta encontrar planetas orbitando estrelas que são mais brilhantes e estão mais perto de suas estrelas mães que os alvos do Kepler. Isto significa que será mais fácil para os cientistas fazer observações a posteriori usando telescópios terrestres ou mesmo o telescópio espacial James Webb, que está programado para ser posto em órbita em 2019.

Texto adaptado do originalmente publicado no site Space.com. A versão em inglês pode ser acessada aqui.