O Curiosity da NASA completou 2.000 dias em Marte

Oh! E que maravilhosa jornada tem sido esta para o rover Curiosity em Marte! No sábado (24), a sonda movida a energia nuclear Curiosity, da NASA, comemorou seu aniversário de 2.000 dias marcianos (ou sois) de...

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Oh! E que maravilhosa jornada tem sido esta para o rover Curiosity em Marte!

No sábado (24), a sonda movida a energia nuclear Curiosity, da NASA, comemorou seu aniversário de 2.000 dias marcianos (ou sois) de exploração do Planeta Vermelho. Mas não espere um pit stop tão cedo.

O dia do marco de dois mil sois do Curiosity pegou o rover escalando uma montanha de 4,83 quilômetros (3 milhas) de altura chamada Monte Sharp. Para marcar a ocasião, a NASA divulgou uma nova vista do Monte Sharp como visto pelo Curiosity no início deste ano, em janeiro (a imagem foi registrada durante o sol de 1931).

“Agigantando ao fundo da imagem está o Monte Sharp, a montanha que o rover Curiosity está subindo desde setembro de 2014”, escreveram autoridades da NASA na quinta-feira (22 de março) em um comunicado. “No centro da imagem está o próximo grande alvo científico do rover: uma área que os cientistas já estudaram por imagens de satélite em órbita e determinaram conter minerais de argila”.

Os minerais de argila precisariam de água para se formar, e os cientistas já sabem que as regiões mais baixas do Monte Sharp se formaram em lagos que uma vez pontuaram o chão da Cratera de Gale, onde a Curiosity pousou em agosto de 2012.

O Curiosity já percorreu 18,6 quilômetros desde o desembarque em Marte, em uma missão para determinar se a região poderia ter servido de abrigo para a vida primitiva.

“Em 2013, a missão encontrou evidências de um antigo ambiente de lago de água que oferecia todos os ingredientes químicos básicos para a vida microbiana”, escreveram funcionários da agencia espacial estadunidense. “Desde que chegou ao Monte Sharp em 2014, o Curiosity examinou ambientes onde tanto a água quanto o vento deixaram suas marcas”.

A região era provavelmente habitável (não confundir com habitada) por micróbios durante milhões de anos, acrescentaram eles.

O Rover Curiosity, da NASA, ultrapassou o seu 2.000º dia em Marte. Para comemorar, a NASA revelou esta nova panorâmica obtida pela câmera do rover mostrando o monte “Mount Sharp” (onde o Curiosity atualmente está) e uma região de materiais de barro (destacados em branco) que o rover estudará a seguir. Esta imagem foi tirada em janeiro de 2018 e divulgada em 22 de março. Crédito: NASA / JPL-Caltech / MSSS (Imagem em maior resolução aqui)
O Rover Curiosity, da NASA, ultrapassou o seu 2.000º dia em Marte. Para comemorar, a NASA revelou esta nova panorâmica obtida pela câmera do rover mostrando o monte “Mount Sharp” (onde o Curiosity atualmente está) e uma região de materiais de barro (destacados em branco) que o rover estudará a seguir. Esta imagem foi tirada em janeiro de 2018 e divulgada em 22 de março. Crédito: NASA / JPL-Caltech / MSSS (Imagem em maior resolução aqui).

“A equipe de cientistas do Curiosity está ansiosa para analisar amostras de rochas retiradas das rochas argilosas vistas no centro da imagem.”, escreveu a NASA. “O rover recentemente começou a testar novamente sua perfuratriz pela primeira vez desde dezembro de 2016. Um novo processo para perfurar amostras de rochas e entregá-las aos laboratórios a bordo do rover ainda está sendo aperfeiçoado em preparação para alvos científicos como a área com minerais argilosos”, explicou.

Breve histórico da missão

O lançamento em 26 novembro de 2011, a bordo de um foguete ULA Atlas V, foi o marco inicial para Mars Science Laboratory (MSL) da NASA ao enviar o rover Curiosity a uma jornada de 560 milhões de quilômetros até o Planeta Vermelho. O pouso foi realizado em um domingo, 5 de agosto (ou segunda-feira, 6 de agosto, às 2h32 da manhã no horário de Brasília) depois de 253 dias de viagem.

Os rasgos na roda dianteira esquerda e os
Os rasgos na roda dianteira esquerda e os “grousers” (as “garras” elevadas na parte externa da roda para garantir aderência e tração ao rover). Duas dos grousers na roda do meio esquerdo do Curiosity Mars da NASA quebraram durante o primeiro trimestre de 2017, incluindo o dano (grouser parcialmente visto) destacado no topo da roda nesta imagem do Mars Hand Lens Imager (MAHLI), a câmera no braço do rover. Créditos: NASA / JPL-Caltech / MSSS

A fim de resistir a ida até Marte, rover Curiosity foi acondicionado confortavelmente em uma espaçonave para a sua proteção durante o voo. Mas quando chega à superfície do planeta, ele encontrou condições difíceis e temperaturas congelantes, e resistiu a tudo isso em nome da ciência.

Em 2013, a missão encontrou evidências de um antigo ambiente de lago de água doce que oferecia todos os ingredientes químicos básicos para a vida microbiana. Desde que chegou ao Mount Sharp em 2014, o Curiosity examinou ambientes onde tanto a água quanto o vento deixaram suas marcas. Tendo estudado mais de 600 pés verticais de rochas com sinais de lagos e águas subterrâneas, a equipe científica internacional da Curiosity concluiu que as condições habitáveis duravam pelo menos milhões de anos.

Buracos na roda

Existem buracos nas rodas Curiosity. Sempre houve buracos – o jipe pousou com doze buracos deliberadamente usinados em cada roda para ajudar na navegação do rover. Mas agora há novos buracos: perfurações, fissuras e rasgos horríveis. Os buracos nas rodas do Curiosity se tornaram uma grande preocupação para a missão, afetando todos os dias das operações da missão e a escolha do caminho na subida do Monte Sharp.

Tem sido feitas muitas perguntas sobre as rodas desde que foram percebidos o primeiro rasgo no sol 411. No começo, as preocupações foram minimizadas, porque a missão parecia seguir seu curso despreocupada. Mas dentro de alguns meses, a missão começou a ficar mais alarmada por um aumento gradativo na taxa de danos. Eles tiveram que formar uma “Tiger Team” para entender o que estava causando danos mais do que o esperado e também coube à equipe determinar a melhor maneira de resolver ou minimizar o problema.

Para efeitos de comparação, veja como estava a roda dianteira esquerda do Curiosity no sol 490, em 22 de dezembro de 2013, e no sol 529 e em 31 de janeiro de 2014.

Foto mostra novos buracos e rasgos em várias das seis rodas do rover Curiosity, causadas pela condução sobre as pedras afiadas de Marte, durante os meses de caminhada até o Monte Sharp, em 2013. Imagens brutas tiradas pela câmera MAHLI no braço Curiosity em 22 de dezembro de 2013 (Sol 490) foram agrupadas para mostrar alguns danos, ainda pequenos naquele ocasião, em várias de suas seis rodas do rover - mais notavelmente as duas aqui no meio e na frente. Crédito: NASA / JPL / MSSS / Marco Di Lorenzo / Ken Kremer-kenkremer.com
Foto mostra novos buracos e rasgos em várias das seis rodas do rover Curiosity, causadas pela condução sobre as pedras afiadas de Marte, durante os meses de caminhada até o Monte Sharp, em 2013. Imagens brutas tiradas pela câmera MAHLI no braço Curiosity em 22 de dezembro de 2013 (Sol 490) foram agrupadas para mostrar alguns danos, ainda pequenos naquele ocasião, em várias de suas seis rodas do rover – mais notavelmente as duas aqui no meio e na frente. Crédito: NASA / JPL / MSSS / Marco Di Lorenzo / Ken Kremer-kenkremer.com
Foto mosaico mostra a progressão dos buracos e rasgos em várias das seis rodas do rover Curiosity, causadas pela longa condução sobre pedras afiadas de Marte, durante os meses de caminhada até o Monte Sharp. Imagens cruas tiradas pela câmera MAHLI no braço do Curiosity em 31 de janeiro de 2014 (Sol 529) foram montadas juntas para mostrar alguns danos em várias de suas seis rodas. (Clique aqui para a imagem e resolução completa.) Crédito: NASA / JPL / MSSS / Marco Di Lorenzo / Ken Kremer-kenkremer.com
Foto mosaico mostra a progressão dos buracos e rasgos em várias das seis rodas do rover Curiosity, causadas pela longa condução sobre pedras afiadas de Marte, durante os meses de caminhada até o Monte Sharp. Imagens cruas tiradas pela câmera MAHLI no braço do Curiosity em 31 de janeiro de 2014 (Sol 529) foram montadas juntas para mostrar alguns danos em várias de suas seis rodas. (Clique aqui para a imagem e resolução completa.) Crédito: NASA / JPL / MSSS / Marco Di Lorenzo / Ken Kremer-kenkremer.com

A bem da verdade, já vinham sendo notados danos nas rodas da Curiosity bem antes, em 2013, no sol 177. Naquela ocasião, duas pequenas quebras foram vistas na roda central esquerda do rover em 19 de março, não tendo sido notada anteriormente no teste em 27 de janeiro de 2013. Especificamente, eles estavam nas marcas elevadas conhecidos como “grousers” (garras, em inglês) usados pela roda para firmar no solo.

As rodas são de alumínio e têm 50 centímetros de diâmetro e 40 centímetros de largura, mas têm apenas metade da espessura de uma moeda dos EUA. Cada um tem 19 garras, degraus ligeiramente mais grossos que se estendem por cerca de 0,75 centímetro (0,25 polegada).

Uma vista oblíqua a partir do sul da Cratera Gale e do Monte Charp — em destaque a área de pouso do rover Curiosity. Crédito: NASA.
Uma vista oblíqua a partir do sul da Cratera Gale e do Monte Charp — em destaque a área de pouso do rover Curiosity. Crédito: NASA.

Testes nas rodas mostraram que uma vez que três garras em uma roda tenha sido quebradas, ela terá atingido cerca de 60% de sua vida útil. No entanto, essas últimas descobertas não devem impactar a missão como um todo. No entanto, os operadores da missão dizem que, até o momento, a condição das rodas não afeta a capacidade do robô de atravessar o terreno marciano.

“Esta é uma parte esperada do ciclo de vida das rodas e, neste ponto, não muda nossos planos científicos atuais ou diminui nossas chances de estudar transições chave na mineralogia mais alta no Monte Sharp”, disse o cientista do Curiosity Project, Ashwin Vasavada, da NASA/Jet Propulsion Laboratory (JPL), na Califórnia, em um comunicado de março de 2017.

O Curiosity continua a subir o Monte Sharp, um pico central no meio da Cratera da Gale; a cerca de 6 quilômetros está do ponto mais alto planejado pela equipe de cientistas do Curiosity, mesmo com os danos nas rodas, que não deverão afetar o alcance deste destino.

Com informações do Space.com, do Universe Today, IFL Science e da NASA.

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